sexta-feira, 28 de abril de 2017

Martin L. King em discurso em 1958
“Quando fizermos nossa marcha, 
vocês precisam estar nela. 
Se isso significa deixar o trabalho,
se isso significa deixar a escola: estejam lá. 
Cuide de seu irmão. Você talvez não esteja em greve. 
Mas, ou ascendemos juntos ou caímos juntos”.


quarta-feira, 26 de abril de 2017

EU GREVE !
      VOCÊ GREVE!
            ELE GREVE!
                 
           NÓS GREVE!
    VOCÊS GREVE!
         ELES GREVE!

         
QUEM 
NÃO           
GREVE...

cala-te boca!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Como manter a esperança 
em tempos tão difíceis?

*Padre Valdir João Silveira

“Eu vim para que todos tenham vida,e vida em abundância.” (Jo 10,10)

O ano de 2017 iniciou-se com os holofotes da mídia voltados para o sistema prisional brasileiro. Parece que de repente descobriram o que todas/os agentes da Pastoral Carcerária conhecem e convivem no seu dia a dia de trabalho missionário: Presídio é local de morte e não de ressurreição!
O presídio é túmulo para as mulheres e homens que a sociedade negou o direito de viver como criaturas de Deus; que a sociedade orientada pelo lucro de alguns poucos negou o lugar na Casa Comum. É local, enfim, onde se morre todo dia um pouquinho ou morre-se de repente de dor causada pelo abandono, de dor causada pela indiferença ou de dor causada pelo corpo agredido e torturado nas celas, alas e pavilhões.
Ao mesmo tempo, as prisões são locais de desafio para quem crê e pratica o que Jesus – também condenado, preso e torturado por um sistema iníquo – deixou para as/os suas/seus fiéis seguidoras/es: “pôr em liberdade os oprimidos e anunciar a liberdade aos cativos”; “na verdade, o Senhor consola o seu povo e se compadece dos desamparado”.
O nosso grito por um mundo sem prisões brota das vozes emudecidas dos cárceres e da Sabedoria do Deus Todo-Misericordioso. Este grito é considerado loucura para grande parte do mundo. Aos que chamam loucura, nós podemos dizer: é parte do projeto do Reino!
Páscoa: a vida venceu a morte! O que era impossível aos homens e às mulheres Deus realizou para um prisioneiro. Ressuscitou Seu filho Jesus Cristo. O Deus da Vida derrubou o último cativeiro: a morte.
Ser agente da Pastoral Carcerária é ser animador/a e anunciador/a da Ressurreição, da Boa Nova; é sempre caminhar junto às pessoas presas e às suas famílias e, com espiritualidade profética, transformar todas as estruturas e sistemas que agridem toda e qualquer vida, pois todas as vidas são criações sagradas e, por isso, nossas irmãs na Casa Comum.
Minha irmã e meu irmão, uma feliz e abençoada Páscoa!
Por Um Mundo Sem Cárceres!

Festa da Páscoa, 2017

Padre Valdir João Silveira
Coordenador Nacional da Pastoral Carcerária

domingo, 9 de abril de 2017


É preciso muita Paixão para que ressuscite
 o filho do homem


Sem pedir licença ao ao autor (meu amigo Pe. Dario) encaminho para os meus leitores o texto que acabo de receber.

Caros irmãos,
para preparar nossa Páscoa, gostaria de fazer dialogar entre si duas mulheres que não se conhecem, mas que se inspiram reciprocamente e que nos ajudam a compreender melhor o sentido desses próximos dias.
Nancy é teóloga metodista, mãe de dois filhos, muito comprometida junto à Comissão Pastoral da Terra. Durante essa longa Quaresma, no cenário preocupante do Brasil de hoje, ela escreveu um texto forte e provocador: “Este ano não haverá ressurreição”.
Nunca antes de hoje o cristianismo no Brasil foi tão aparecido, celebrado, massificado... mas toda essa pompa não vale nada! Não melhora de um centímetro a nossa vida em sociedade.
O fascismo e a barbárie convivem com cultos, missas e louvores. O cristianismo precisa descer do salto alto, largar a tribuna e o palco.
Num país tão violento e profundamente injusto, o fervor religioso é fator anestésico, ou até mesmo vetor de intolerância. “Fé de mais! Vida de menos”.

Em 2016, 61 camponeses e 138 indígenas foram mortos porque tentavam defender suas terras.
Trinta mil jovens matados, 76% deles eram negros. Nos últimos 10 anos, os assassinatos de mulheres negras cresceram do 54%. Somos o quinto país no mundo pelo número de feminicídios. A cada 25 horas é morta uma pessoa LGBT (nisso o Brasil é o primeiro país no mundo).
Com toda essa violência nos ombros, não haverá ressurreição – desabafa Nancy.
“Somos o túmulo, a falência da fé. Não é preguiça na busca de Deus: é vergonha, profunda vergonha”.
Como negar essa invectiva? Por que silenciar esse grito de raiva?


Passei dias inteiros perguntando-me como celebrar a Páscoa, até que reencontrei a senhora Neide.
Catequista, formou-se à escola da religiosidade familiar e depois iniciou a saciar sua sede, gota a gota, bebendo à teologia da libertação traduzida na prática de vida das pequenas comunidades de base no tempo da ditadura.
Precisava inventar uma nova igreja, naqueles anos ‘70 em que à repressão do exército somava-se uma urbanização desenfreada e excludente nas periferias.
Ela fez isso por anos, junto às mulheres de um dos mil bairros excluídos da megalópole de São Paulo e ao lado do homem com que depois se casaria.
A equipe pastoral era composta principalmente por leigos e leigas; naquela época, mais que hoje, a visão de Igreja era horizontal e a comunidade era um espaço de partilha, crescimento humano e formação civil, a partir da leitura popular da Bíblia e da situação social.
Quando seu marido adoeceu, a vida inteira de Neide tornou-se uma catequese. Por 17 longos anos ficou ao seu lado, ele perdendo pouco a pouco antes a visão, depois a palavra, finalmente o movimento. Neide falava e cantava com ele, mesmo sem receber respostas.

Entre o silêncio desse homem e o espanto de Nancy existe uma ligação misteriosa, que tem a ver com a dor do mundo. A ressurreição não é uma resposta banal a esse mistério, um final feliz de conto de fadas, um prêmio de consolação.
Oferece sinais de ressurreição quem, como Nancy, continua a indignar-se. E quem, como Neide, continua a cuidar da vida, apesar do grande silêncio.

quarta-feira, 29 de março de 2017

O cartunista ZIRALDO que combatia a ditadura com charges garante que "uma gargalhada destrói mais do que um tiro". 

Pelo sim, pelo não, vamos nessa!


Coveiros da esperança 
(Aos parlamentares ditos católicos)

*Roberto Malvezzi (Gogó)
 no seu blog

É difícil saber se há algum parlamentar católico que se oriente politicamente pelos princípios da Doutrina Social da Igreja de justiça, equidade e respeito pelos mais pobres. Mas, há muita gente ali que se declara católico.
Nem vamos falar da Bancada da Bíblia, aliada da Bancada do Boi e da Bala. Esses são os adoradores do dinheiro, do poder e da violência.
Agora, com a PEC do fim do mundo, com as mudanças trabalhistas reduzindo nosso povo aos níveis da revolução industrial na Inglaterra, com a destruição da Previdência Social, seria necessário saber com quem esses parlamentares estão votando.
Para os adoradores do dinheiro e do poder, o Juízo Final é uma piada. Mas, para quem tem alguma referência em Deus, é bom lembrar que quem exclui os mais pobres atrai a maldição de Deus, também nas suas decisões políticas. Paulo VI lembrava que a política é o espaço supremo da caridade. Portanto, vale o contrário, ou seja, pode ser o espaço supremo do egoísmo humano de classe.
De qualquer forma, está aí o capítulo 25 de São Mateus: “ide para o fogo do inferno amaldiçoados…porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber (Mateus 25,41-42). Ou seja, estive velho e não me aposentastes, estive doente e me roubastes o SUS, estive desempregado e me destes um serviço terceirizado….
Então, do ponto de vista socioambiental, estamos sendo conduzidos à uma sociedade tipo “mundo cão”, já que exclusões sociais massivas geram desemprego, miséria, insegurança, violência, quadrilhas, tráfico, assassinatos, cadeias superlotadas, assim por diante. Claro, vez em quando vai haver um assalto de rua e alguém da classe média tradicional será assaltado ou morto. A nata da elite brasileira anda de helicóptero e jatos particulares.
Portanto, os ditos parlamentares católicos merecem essa observação: quem ferra o pobre, também nas decisões políticas, por Deus será ferrado.

*articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco)

Cá com os meus botões:






Há muito tempo, alguém já dissera: 
"Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, 
entrará no Reino dos céus, 
mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai 
que está nos céus." (Mt7,21)


segunda-feira, 27 de março de 2017

EU CREIO...EU NÃO CREIO
  Recebi e faço minha esta profissão de fé do meu amigo teólogo Fernando Gondim, ainda mais nesse país da Santa Cruz onde, em nome de Deus, há muitos corruptos e corruptores movendo montanhas de... "dinheiro". 

EU NÃO CREIO...

Não creio no Deus dos poderosos (Jd 9, 11 a), no Deus dos ricos e orgulhosos (Gn 47,13 – 26), no Deus das riquezas injustas (Mq 6, 10 – 12), no Deus dos que roubam e exploram os trabalhadores (Eclo 34, 18 – 23) e por isto enriquecem (1 Rs 5 - 7). Não creio no Deus de cabelos loiros e de olhos azuis, como os ícones que vemos nos vitrais de algumas igrejas, ou como um homem vencido, morto e pendurado em uma cruz. Não creio no Deus das orações pomposas, e vazias (Is 1, 10 – 20), no Deus das celebrações oficiais (Am 5, 21 – 24), no Deus das “autoridades civis, militares e eclesiásticas”, que não questiona o opressor, mas lhe dá legitimidade (Br 6, 29 – 39). Não creio no Deus dos que mantêm o direito da força (Jr 6, 14), da repressão, da injustiça (Sb 2, 10 – 12), da indústria da fome, das ideologias dominantes ... do acúmulo do capital (Eclo 27, 1 – 2).  Não creio no Deus positivista, capitalista, ou de outros sistemas humanos, que aceita a exploração dos pobres em seu nome (Jr 5, 27 – 28), “(...) ficando os ricos cada vez mais ricos, à custa dos pobres cada vez mais pobres”. (João Paulo II.)

... EU CREIO

Creio no Deus libertador (Ex 3, 7 – 10) que se revelou ao homem dentro da história de um povo pobre e oprimido, mas libertando-o. Creio no Deus cujo projeto é de vida e liberdade (Ex 16, 9 – 21) para todos os que o aceitam (Is 35, 1 – 10). Creio no Deus que fica contra o latifúndio (1 Rs 21), e contra a acumulação de bens às custas dos mais fracos (Mq 2, 1 -2). Creio no Deus que não aceita o luxo de poucos em detrimento da miséria da maioria (Am 8, 4 – 8). Creio no Deus que ama o DIREITO e a JUSTIÇA (Jr 9, 22 – 23) e detesta o roubo e a injustiça (Is 61, 8). Creio no Deus que é santo e revela sua santidade pela justiça (Is 5, 16). Creio no Deus cuja Palavra se fez carne no homem Jesus (Jo 1, 14), por meio de uma mulher pobre e corajosa (Gl 4,4). Creio no Deus que assumiu a plena condição humana (Jo 13, 4 – 15), sem romper com o projeto do Pai (Fl 2, 6 – 11). Creio no Deus de amor, misericórdia, paz, um Deus de partilha, de justiça e de direito (Dt 32, 4), e assim julgará as nações (Mt 23, 35 – 46). Creio no Deus  que por sua práxis, sua coerência com o Reino de Deus (Mt 23,23), seu amor pela causa dos empobrecidos (Lc 7, 18 – 23)  foi assassinado pelo sistema opressor de sua época, mas sem capitular (At 4, 8 – 12). Creio no Deus que venceu a morte e os sistemas injustos e opressores (Is 65, 17 – 25), ressuscitando o homem fiel e justo, JESUS CRISTO (Mt 28), seu filho, sua palavra revelada no meio dos mais pobres. Enfim, o Deus em que creio é     ה  ו  ה  י, JAVÉ, o Deus libertador de todas as opressões humanas (1 Sm 2, 2 – 10), que sustenta o pobre que se organiza (Sl 12, 6) e luta pela vida que é o próprio Deus (Jo 14, 6 a). Creio no Deus que se manifesta no meio dos homens, com seu projeto de equidade, partilha e contra a acumulação (Ex 16, 19; Mt 6, 11); que se manifesta mesmo naqueles que nunca ouviram falar em seu nome, mas que praticam a justiça (At 10, 34 – 35). E como Pedro, homem simples e trabalhador, confesso: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens”. ( At 5, 19).

"Que eu veja, Senhor!"


Um Deus que não se preocupa com a opressão e o sofrimento do povo é um Deus em quem eu não acredito”. (Desmont Tutu, bispo negro e anglicano da África do Sul)