quinta-feira, 31 de março de 2011

amós e josé

Como o profeta Amós, Padre José Comblin incomodava

Carlos Mesters*


Pe. ComblinPadre José Comblin morreu. Um bispo o criticou, como: "Comblin, homem cansado e pessimista". O pessoal das Comunidades por onde ele andava não o chamava de Comblin, mas sim de "Padre José". Padre Comblin incomodava as pessoas de poder, mas era amado pelos pobres que o acolhiam carinhosamente como Padre José.
Padre José Comblin nasceu na Bélgica nos anos 20 do século passado e nos anos 50 veio trabalhar e anunciar a Boa Nova aqui no Brasil. O profeta Amós era de Judá no Sul e foi trabalhar e anunciar a Boa Nova de Deus em Israel no Norte, no santuário de Betel. Amasias, o sacerdote de Betel, não gostou e denunciou o profeta junto ao rei Jeroboão, dizendo que já não se podia tolerar as palavras de Amós. E mandou dizer ao próprio Amós: "Ó, seu profeta, vá embora daqui. Retire-se para sua terra Judá. Vá ganhar sua vida por lá com suas profecias. Mas não me venha mais fazer suas profecias aqui em Betel, pois isto aqui é o santuário do Rei e o templo do Rei". Amós mandou dizer: "Eu não sou profeta nem filho de profeta. Sou camponês, criador de gado e cultivador de sicômoros. Foi Javé que me tirou de trás do rebanho e me ordenou, ‘Vá profetizar ao meu povo Israel'!" (Amós 7,10-15).
Como o profeta Amós, Padre José Comblin incomodava aos homens do poder no tempo da ditadura e foi expulso várias vezes. Incomodava também aos que exercem o poder na Igreja. Alguns deles chegaram a dizer que já não se podia tolerar as coisas que ele dizia, e eles proibiram a fala dele várias vezes em vários lugares.
Como o profeta Amós, Padre José, ele mesmo, nunca se apresentou como profeta. Ele se apresentava como ser humano cristão e sacerdote, cumpridor fiel do seu dever. Posso testemunhar: convidado para falar nas comunidades e nos grupos do CEBI, Padre José convencia as pessoas pela simplicidade do seu jeito de conversar e dialogar, pelo testemunho da sua sinceridade e profundidade de vida e pela quantidade enorme de informações de que dispunha para confirmar as coisas que dizia e as denúncias que fazia.
Mesmo ausente ele continua presente. Como o profeta Amós, "seu corpo foi sepultado em paz, mas o seu nome viverá através das gerações" (Eclo 44,14). Eternamente grato.

* Frei Carlos Mesters, 0.Carm. Convento do Carmo, São Paulo
Biblista popular, Carlos Mesters é um dos fundadores do CEBI.

terça-feira, 29 de março de 2011

a deus marquinhos e thiago

Jovem foge e é morto dentro de escola

A vítima entrou na escola, no bairro José Walter, para fugir de dois bandidos que o perseguiam. Ele foi morto com quatro tiros de pistola. A suspeita da Polícia é de que o jovem tenha sido executado por traficantes.” (O Povo 29/03/2011)

Terça-feira 29 de março. Acabo de chegar do enterro do meu xará Marquinhos. No dia do batismo tive o privilégio de consagrá-lo, para sempre, com o meu mesmo nome. Tinha 19 anos e já fazia parte da corporação dos marinheiros do Brasil. Tocava violão e integrava os Mandacas, um entre os mais de 50 grupos musicais do Grande Bom Jardim.

  De moto, saiu de casa no último domingo à noite  para regressar ao quartel. Acabou tombando no asfalto da Avenida João Pessoa sem deixar rastros ou testemunhas. Jovem sonhador e realizado, como tantos outros jovens do Grande Bom Jardim, que vêm desmentindo os estúpidos preconceitos que estigmatizam  toda a juventude, só por morar neste ou naquele bairro de periferia. Munição suficiente, porém, que autoriza os senhores  da Ordem e da Lei a investir com todo o tipo de medidas repressivas.
Com as imagens do enterro ainda vivas nos olhos e no coração, abro o jornal.  Thiago, 19 anos também, é o jovem da manchete do periódico e de toda a mídia desta terca- feira.  Perseguido por quatro traficantes, tentou guarida escalando o muro da Escola Polivalente do bairro José Valter. Por sua vez, encontrando a porta aberta, um dos traficantes entrou no recinto da escola disparando quatro tiros. Thiago não sobreviveu. Podia ter acontecido em qualquer escola de ensino público ou privado de Fortaleza ou em qualquer outro lugar deste País onde a juventude morre antes do tempo.
Conforme a Polícia, Thiago respondia a processo por assalto e tinha envolvimento com drogas. Motivo suficiente para que as investigações, em casos semelhantes, fiquem por isso mesmo.


Conheço a história do Marquinhos e sei que, mesmo de família pobre e morando no Bom Jardim, teve a sorte de encontrar opotunidades e aproveitá-las  no tempo certo. Desconheço a história de Thiago. Nem sei se teve as mesmas, ou até mais oportunidades.  “Ele era usuário de drogas e tinha envolvimento com o crime”, afirmou o soldado do Ronda do Quarteirão que atendeu à ocorrência.
Pasmem! O artigo de “O Povo” afirma que, por conta da violência na área, a Escola Polivalente deixou de funcionar no turno da noite, este ano.  A coordenadora confirma: “Tem muito perigo aqui na comunidade. A evasão era grande. Muita gente tinha medo de vir estudar”. Tampouco não têm professores que se arrisquem a trabalhar no horário da noite. Um detalhe: somente dois vigilantes na escola. Um deles fica na porta principal, por onde os estudantes entram e saem. O outro fica circulando pelo colégio. A solução mais óbvia, então, é fechar o expediente noturno.O mesmo já aconteceu no bairro do Serviluz e em outras escolas de periferia, após fatos parecidos.

Diante do fechamento, nenhuma reação por parte dos pais. Coitados! Que condição e organização eles têm? Sem reação o MEC e as Secretarias, pouco importa se do Estado ou do Município. Os filhos não pertencem à  Pátria também? Sem reação o Ministério Público e as Igrejas, tanto faz católicas ou evangélicas. O mesmo diga-se das ONGs, das Associações de Moradores, dos Conselhos Tutelares e  do escambal.
Curioso: todo o dia farmácias são assaltadas deixando mortos e feridos. Até restaurantes  de luxo são alvo privilegiado de violentos arrastões. Sem falar dos assaltos a Bancos e das saidinhas bancárias, das barracas de praia e dos demais estabelecimentos comerciais.Já houve tiroteio também nos luxuosos shoppings. E as  vítimas na construção civil e a matança cotidiana da violência no trânsito. E ninguém  fecha farmácias, restaurantes, Bancos e barracas, nem tampouco construtoras, shoppings ou rodovias. Por que só as escolas públicas não podem ter o direito e a obrigação de ficarem de portas abertas a qualquer hora do dia e da noite e  nos feriados também? E tudo isso nas barbas dos traficantes ou de quaisquer bagunceiros.

E o Ronda? Muito cedo e inútil chamar a Polícia. Só depois de todos os Poderes Públicos e as Instituições esgotarem suas políticas educacionais e a comunidade com as famílias exaurirem suas propostas criativas.

Têm muitos Marquinhos aguardando uma oportunidade. O que aconteceu com Thiago não passa de um acidente de percurso.  Mas não será o último se alguém ou todos  não assumirmos nossas responsabilidades.

segunda-feira, 28 de março de 2011

a galiléia da igreja


“A evangelização 
não precisa de muitos discursos. 
A escolha do lugar (Galiléia) 
onde a gente está 
é essencial para isso”. 

Pe. José Comblin

OBRIGADO, PADRE COMBLIN!

Sem pedir ao amigo e irmão da caminhada Geraldo, publico esta homenagem cheia de gratidão, homenagem e compromisso.

"Poucos dias antes de voltar para a casa de seu Criador em 27-8-1999,
Dom Helder Camara, sendo visitado por padre Marcelo Barros, disse:
“Não deixem cair o profetismo!” 
Despediu-se ontem, dia 27 de março de 2011, durante um encontro com as
CEBs no interior da Bahia, Padre José Comblin. Ele foi um daqueles que
levou muito a sério este pedido do profeta dos nossos tempos, Dom
Helder. Até os últimos dias de sua vida e já com 88 anos de idade,
Padre Comblin, dotado de uma brilhante inteligência e revestido de uma
simplicidade e humildade evangélicas, se dedicou de corpo e alma à
causa das minorias, dos empobrecidos e injustiçados, estando sempre do
lado deles e vivendo em condições verdadeiramente franciscanas. Ao
mesmo tempo, e justo por causa desta sua opção clara de vida, foi um
exímio interrogador da Igreja oficial que tanto se distancia da
realidade da vida das pessoas, ofuscando os principais valores
evangélicos, nos deixados por Jesus. Padre Comblin acreditava
profundamente na força dos leigos, como podemos ler num de seus
últimos pronunciamentos, proferido em San Salvador no dia 18 de março
de 2010, por ocasião da celebração dos trinta anos de morte do Dom
Oscar Romero (assassinado em 24-03-1980):

“Mas, nós podemos! Podemos multiplicar em todas as regiões grupos de leigos engajados. Esta é a nossa tarefa. Eu digo: Os leigos são
pessoas perfeitamente humanizadas, desenvolvidas. Têm êxito em sua
família, em suas carreiras e seus trabalhos profissionais. Porque
esperar o bispo ou o pároco? Porque não atuar, formar uma associação, um grupo, em forma independente? O próprio Direito Canônico permite a formação de associações independentes do bispo, do pároco. Pode-se muito bem juntar quatro ou cinco pessoas para organizar um sistema de comunicação, de espiritualidade, de organização de presença na vida pública, na vida política, na vida social. Porque tanta timidez? Os leigos são tão capacitadas no mundo, e na Igreja ..... nada! Como é possível ser adultos na vida civil e crianças na vida religiosa?!”
Obrigado Padre Comblin pela coragem que nos tem dado.
Agora a peteca está conosco de “não deixarmos cair o profetismo!”

Geraldo Frencken

domingo, 27 de março de 2011

FALECEU, ESTA MANHÃ JOSE COMBLIN


   não duvidamos da ressureição dos mortos...só lamentamos profundamente que ele nos tenha deixado órfãos logo agora, quando a teologia autêntica - aquela que está "presa" só ao Deus da História - está em falta.


É com tristeza que comunico a vocês que, na manhã de hoje, domingo, dia 27 de março, depois de completar 88 anos, nesta semana, faleceu no interior da Bahia, onde estava assessorando grupos de base, o amigo e mestre de todos nós, José Comblin.
 Levantou-se cedo, tomou banho, aprontou-se, mas não apareceu para a oração da manhã. Procuram-no e o encontraram-no sentado no quarto e já morto.
Rezemos por ele que dedicou praticamente toda sua vida ao povo e à Igreja da América Latina, no Brasil, no Chile e no Equador e em centenas de assessorias por todos os países. Ele veio para o Brasil em 1958, junto com o Pe. Michel Schooyans e o Pe. Laga, todos doutores por Lovaina, mas que foram dar aulas no seminário menor, para onde os mandou o Bispo Paulo de Tarso!
 Esteve conosco antes da Conferência de Aparecida, analizando a situação e dando-nos todo apoio, para as iniciativas do Fórum. 

 Perdemos um mestre e um guia inquieto e exigente como os velhos profetas, denunciando sempre nossas incoerências na fidelidade aos preferidos de Deus: o pobre, o órfão, a viúva, o estrangeiro. Trabalhou por uma Igreja profética a serviço destes últimos nas nossas sociedades.
 Que ele siga nos inspirando e acompanhando.
 Sentiremos e muita sua falta.
 Um abraço fraterno para todos vocês. Rezemos pelo Comblin, sua família e as igrejas e comunidades que o acolheram, em especial, Talca de Dom Larrain, no Chile, Dom Proaño em Riobamba, no Equador e, no Brasil, Recife do Dom Helder, Paraíba do Dom José Maria Pires e agora Dom Cappio, em Barra, no sertão da Bahia, onde estava residindo.

Pe. José Oscar Beozzo

sábado, 26 de março de 2011

semana da mulher presidiária

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
do planeta


Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta



Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria   



Mas é preciso ter manha
   É preciso ter graça
      É preciso ter sonho sempre
        Quem traz na pele esta marca
             Possui a estranha mania
                         De ter fé na vida


Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah!
Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!...





  





SEMANA PRA NINGUÉM  BOTAR DEFEITO!

                 ......mutirão de defensores

                                                               palestras sobre saude, educação sexual, DST, autoestima.......

                                dia da beleza....corte de cabelos, maquiagem, etc...                                                                                                      oração ecumênica.... 



são tantas emoções....

A grande atração de encerramento, na manhã de sexta-feira, foi a apresentação da Orquestra Filarmônica do Ceará, sob a regência do maestro Gladson Lima que, desde as primeiras notas de "Noites Traiçoeiras" conseguiu interagir entre a orquestra e as vozes das mais de 400 internas.  Música classica, MPB, Ópera, pout pourri dos Beatles, Luis Gozaga... fechando com a música "Maria Maria" e a Oração de São Francisco. Muitos aplusos, risos e lágrimas!



Após a peça, a recuperanda Cyntia Corvello, responsável pelo grupo, falou da alegria de poder trabalhar a arte com as demais colegas e ressaltou que os momentos de ensaio fazem com que elas esqueçam um pouco da realidade em que vivem.


sexta-feira, 25 de março de 2011

Venha participar do BATISMO POPULAR
em homenagem a Dom Hélder Câmara

   Enquanto Prefeita fala em Praça do Futuro, Projeto de Lei que pede mudança de nome da Praça 31 de março para Dom Hélder se arrasta há mais de 2 anos na Câmara

 
Vereador João Alfredo (Psol) convida para ato de Batismo da Praça Dom Hélder Câmara, antiga 31 de março, na Praia do Futuro. O evento acontecerá no próximo dia 31, a partir das 16h, na própria Praça. 
Um Projeto de Decreto de Lei 0015/2009 do vereador João Alfredo do Psol, em tramitação na Câmara Municipal há dois anos, sugere a mudança em menção honrosa ao bispo que lutou pela dignidade humana e contra os crimes da ditadura. Anunciando ontem a licitação para reforma do logradouro e de um novo nome - Praça do Futuro - a Prefeitura de Fortaleza parece desconsiderar o PL já existente. Nos últimos dois anos, o projeto sofreu todo tipo de manobra protelatória, como sucessivos pedidos de vistas, até o "desaparecimento" do processo.

uma lei que incomoda

 Quase ao apagar das luzes do mês da mulher, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pretende alertar as autoridades e a sociedade sobre as artimanhas jurídicas  que podem, sorrateiramente, esvaziar o grande avanço ocorrido com a implementação da Lei Maria da Penha no combate à violência contra a mulher.




NOTA DA CNBB EM DEFESA DA LEI MARIA DA PENHA
“Deus os criou homem e mulher”(Gn1,27).

Nós, Bispos do Conselho Episcopal de Pastoral, reunidos em Brasília, nos dias 21 e 22 de março de 2011, manifestamos apoio à mobilização nacional em defesa da Lei Maria da Penha, sancionada pelo Presidente da República no dia 07 de agosto de 2006. Após cinco anos de vigência, a lei recebeu grande apoio da sociedade e merece ampliar seu alcance, assegurando todos os mecanismos e instrumentos nela previstos de modo que todas as mulheres vítimas de violência tenham seus direitos e sua cidadania garantidos.
A Lei representa uma grande conquista para as mulheres brasileiras, pois incorporou o avanço legislativo internacional e se transformou no principal instrumento legal no enfrentamento da violência doméstica contra a mulher no Brasil, inclusive com reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), como uma das melhores legislações do mundo.
As estatísticas, no entanto, revelam que o país ocupa a 12ª posição no ranking mundial de homicídios femininos (Mapa da violência - 2010, Datasus). No período de 1997 a 2007, 10 mulheres foram assassinadas por dia no Brasil. Isso merece nosso repúdio e indignação.
São, portanto, motivo de preocupação as interpretações restritivas e as tentativas de revisão dos artigos 16 e 41 da lei que diminuem sua eficácia e representam um significativo retrocesso na sua implementação e aplicabilidade.  Tais restrições acarretam menor punição aos agressores, aumento do arquivamento dos processos, o desestímulo das mulheres em denunciar e exigir prosseguimento das investigações.
A Lei Maria da Penha é instrumento que levou a sociedade a realizar ações positivas no enfrentamento dos atos de violência contra a mulher. Cabe aos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo cuidar pela sua manutenção tal como aprovada, não permitindo nenhum tipo de retrocesso ou omissão.
A Igreja, comprometida na defesa dos Direitos Humanos, manifesta-se, mais uma vez, a favor do respeito à dignidade da mulher, incentiva os esforços de instituições e da sociedade na luta pela superação de todo e qualquer tipo de violência, possibilitando a construção de uma cultura de paz no ambiente familiar e social.
  Brasília, DF, 22 de março de 2011.


Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB    Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
      

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB   

quinta-feira, 24 de março de 2011

uma praça para d. helder


                                   Os meios de comunicação de Fortaleza anunciaram hoje que a prefeita Luizianne Lins acaba de assinar ordem de serviço de R$ 5 milhões para a reforma da Praça 31 de março, na Praia do Futuro, esclarecendo que a obra atende a demandas do Orçamento Participativo de Fortaleza. Tudo deixa crer que projeto de reforma, assinado pelo arquiteto Elton Timbó, irá oferecer ao povo de Fortaleza e aos próprios turistas uma área bonita de se ver e com inúmeras opções de lazer. Não mais Praça 31 de março.
Praça do Futuro será seu novo nome. Louvável é a intenção de apagar de vez a lembrança do famigerado golpe de ’64. Mais louvável ainda se a prefeita Luizianne, fazendo jus à sua militância passada, for capaz de acatar o desejo das comunidades e dos movimentos populares que querem “rebatizar” a praça com o nome: “Praça d. Helder Câmara”. 
Ninguém melhor do que d. Helder para exorcizar qualquer ditadura passada ou futura. E por que não sonhar, também, na possibilidade de incluir no projeto da reforma um modesto memorial, para que pessoas e fatos de um passado ainda muito recente não se percam nas noites do esquecimento? Pelo sim, pelo não,  quinta-feira próxima dias 31 de março, às 16 hs ,estaremos lá “batizando” antecipadamente a Praça Dom Helder Câmara. Esteja lá você também.

“Nesta luta, o inimigo pode estar mais perto do que você imagina”

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus) lançou nesta quinta-feira (24) uma campanha para coibir o tráfico de pessoas e reabrindo, em Fortaleza,  o Posto Avançado de Atendimento Humanizado aos Migrantes no Aeroporto Internacional Pinto Martins.  Com o tema “Nesta luta, o inimigo pode estar mais perto do que você imagina”, a Sejus está distribuindo cartazes, cartilha e panfletos em pontos estratégicos como aeroportos, rodoviárias, conselho tutelar e pontos de grande circulação de turistas, além de promover capacitações de agentes públicos e privados para coibir e impedir o tráfico de pessoas.
 O Posto Avançado de Atendimento Humanizado aos Migrantes funcionará de segunda a domingo, das  8 horas às 17 horas, e tem o objetivo acolher as vítimas que chegam de vôos internacionais e nacionais, bem como de apurar denuncias recebidas pela Polícia Federal em embarques internacionais. A solenidade de abertura do Posto e lançamento da campanha contou com a presença da secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo, e autoridades da Polícia Federal e do Ministério da Justiça. Entre os convidados estava também  a Pastoral do Migrante e Carcerária do Ceará.
 Dados oficias apontam que, nos últimos três anos (2008 a 2010), 1.171 denúncias e mais de 530 atendimentos às vítimas cearenses foram realizados.  Os dados mostram a importância da participação da sociedade civil como denunciante de possíveis vítimas, já que o número de denuncias tem crescido em mais de 100% por ano. Em 2008, foram 200 denuncias, em 2009, 460 denuncias e em 2010, foram 511 denuncias. O que denota que a colaboração da sociedade cearense é de suma importância para que nenhuma vítima seja negociada. “Os casos mais comuns estão relacionados a mulheres que, ludibriadas com promessas de falso casamento, são obrigadas a praticar trabalho escravo ou sexual. Mas um dos fatos mais alarmantes é que tem crescido o número de denúncias também relacionado a travestis”, afirma a secretária da Justiça e Cidadania (Sejus).

domingo, 20 de março de 2011

SANTO JÁ É... e faz tempo!

 "Se Oscar Romero não for beatificado, será difícil encontrar outro bispo que possa ser martir"

 Aos 30 anos do assassinato de Dom Romero, José María Tojeira, reitor da Universidade Centro-Americana do El Salvador, afirma que "o martírio sempre tem uma dimensão política". O artigo foi publicado no sítio Religión Digital, 24-02-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Nos tempos duros da guerra, acusava-se Dom Romero de ser uma pessoa débil de caráter, que havia dividido o país e que tinha erros doutrinais. As próprias Forças Armadas publicaram um folheto intitulado "A Igreja do povo nasce no El Salvador", dedicado a expôr esse tipo de acusações.
Hoje, ninguém mais presta atenção nessas bobagens. Mas quando a causa de beatificação do arcebispo mártir avança, mesmo que seja a passos excessivamente lentos, começa-se a dizer que a politização de sua figura impede o avanço do processo vaticano. E curiosamente quem mais difunde essa ideia é o jornal que, em seu tempo, dava espaço aos ataques mais inflamados contra Dom Romero, a quem chamava sem inibição de bispo vermelho e todas essas sandices que são usadas por aqueles que, no passado, justificavam o assassinato daqueles que pensavam diferentemente a eles.
Sobre os processos de beatificação na Igreja, aproveitando esse tempo "romeriano", é bom fazer alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, qualquer comunidade cristã tem direito de pedir a beatificação daquelas pessoas que foram exemplares e despertaram proximidade com  o Evangelho de Jesus Cristo.
Posteriormente, o serviço da autoridade na Igreja deve investigar e analisar se a petição procede. Mas, independentemente da ideologia que tivermos, se formos cristão, temos o pleno direito de desejar e pedir que seja colocado nos altares aquele que, para nós, é exemplar em sua radicalidade evangélica. O fato de pessoas de esquerda pedirem beatificações não é nem pode ser um obstáculo para beatificar alguém.
Assim como não é quando pessoas de direita o pedem. Chamar alguém de santo, ou dizer a partir da livre opção cristã que alguém é mártir, nunca é culto público, se não for utilizado dentro da liturgia formal da Igreja. Se podemos dizer de alguém, inclusive estando vivo, que é um santo homem, como não podemos dizer de Dom Romero, ou de Dom [Arturo] Rivera, que foi um arcebispo santo. Embora não possamos nem devamos incluir na liturgia eclesial invocações não autorizadas para o culto público, o direito de opinar sobre a santidade ou o martírio é um direito claro de qualquer cristão.


A santidade, e principalmente o martírio, sempre tem sua dimensão política, entendida esta no sentido amplo da palavra. Para os cristãos, os santos produzem melhorias na "polis", constroem "cidade de Deus" na terra e tornam os homens e as mulheres com quem se relacionam mais humanos. O martírio, por sua parte, não pode ser explicado plenamente sem vê-lo como uma oposição claramente política, em seu sentido amplo de novo, à idolatria do poder.
A palavra mártir em seu sentido atual no cristianismo nasce a partir daqueles que derramaram seu sangue por se negar a reconhecer os imperadores romanos como senhores da história. Bastava dizer diante da estátua do imperador a simples e curta frase que diz: "O César é o Senhor" para que o cristão ficasse livre da morte. A Igreja não pode esquecer essa dimensão política do martírio. Porque é real, em primeiro lugar, e porque, ao esquecê-la, correria o perigo de justificar aqueles que hoje ainda continuam idolatrando o poder ou algumas de suas dimensões.
Dom Romero foi enormemente crítico e firme diante da idolatria do poder (e obviamente diante da idolatria do dinheiro), e, em grande parte, o mataram por causa disso. Ele jamais justificou a violência de ninguém como mecanismo de acesso e/ou permanência no poder e, nesse sentido, contrastava com o meio ambiente político de sua época, que confiava excessivamente nos mecanismos violentos na hora de fazer política. Nesse sentido, é preciso reconhecer que a dimensão política do martírio de Dom Romero é muito clara e evidente. Nosso arcebispo mártir propiciava uma política do bem comum arraigada na Doutrina Social da Igreja, pacifista e partidária de enfrentar a partir da conversão e o diálogo as injustiças estruturais e as violações sistemáticas dos Direitos Humanos.


A figura de Dom Romero foi conquistando cada vez mais luz e força com a passagem dos anos. Ela não só ilumina novas dimensões que devem estar presentes na figura do bispo na Igreja Católica, mas também se tornou amplamente ecumênica. A confissão anglicana, tão próxima da católica, o considera um mártir do século XX. E algo parecido pensam os luteranos, os batistas e outras confissões de longa tradição e raiz cristã. Na Igreja Católica, João Paulo II insistiu que o bispo, em meio à crise mundial caracterizada por "uma guerra dos poderosos contra os fracos", tivesse atitudes e características muito semelhantes às que teve o nosso santo arcebispo.
Na realidade, ele recuperou, no texto que citamos, a dimensão política ampla que tantos bons bispos tiveram na América Latina. E a dimensão política do martírio, porque, sim, são assassinados por serem voz dos pobres. Com efeito, o Papa insiste que, diante dos desafios do nosso mundo atual, o bispo deve estar "afiançado no radicalismo evangélico", está chamado a uma enorme liberdade para pregar a Palavra ("parresia"), pede-se que ele seja "profeta de justiça", "defensor e pai dos pobres, é zeloso da justiça e dos direitos humanos", e lembra que "se não houver esperança para os pobres, não a haverá para ninguém, nem mesmo para os chamados ricos".
E, finalmente, para que a semelhança seja maior com Dom Romero, o bispo "toma a peito a defesa de quem é débil, dando voz a quem a não tem para fazer valer os seus direitos". Se Dom Romero não merece a beatificação como mártir depois dessas palavras de João Paulo II em sua Exortação Apostólica Pastores Gregis, será difícil encontrar no futuro um bispo que possa ser beatificado como mártir".