domingo, 26 de junho de 2011

Parabéns à Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará por seus 120 anos.

Terminaram as solenidades alusivas aos 120 anos de existência da  Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará. É inegável o esforço inteligente 
da Secretária Mariana Lobo Botelho de Albuquerque e de sua equipe, 
na tentativa de dar à SEJUS um novo rosto. 
Esforço titânico, pois vícios políticos, éticos e burocráticos precisam de um certo tempo 
e de uma sincera vontade política para serem expurgados.
Os meus amigos e companheiros, Edmar de Olicveira Santos e Ruth Leite Vieira,
profundos conhecedores das mazelas penitenciárias, deixam seu recado:

Em seus 120 anos de existência (16/06/1891) a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará mudou de nome por algumas vezes.  Em 1926 era denominada Secretaria de Negócios, Interior e Justiça,  quando passou por uma reestruturação denominando-se Secretaria do Interior e Justiça. Aos 8 de novembro de 1962 passou a ser Secretaria da Justiça e, por fim, aos 7 de março de 2003 obteve o nome atual de Secretaria da Justiça e Cidadania.[1] Em cada uma  dessas mudanças nominais foi alterado seu contexto de atuação no Estado. Na atualidade tem como áreas de atuação a cidadania e o sistema penal.

Uma das secretarias mais antigas do Estado do Ceará, a Sejus é também a mais pobre em condições estruturais (físicas, humanas e tecnológicas), não possuindo recursos suficientes para cumprir com seu mister. Para uma massa carcerária que se aproxima dos dezesseis mil presos, a SEJUS possui pouco mais de seiscentos agentes penitenciários, subdivididos em algumas das unidades carcerárias.  Este efetivo é responsável pelo montante de  quatro penitenciárias, dois presídios, duas colônias agrícolas, dois hospitais, quatro casa de custódia e cento e trinta e cinco cadeias públicas[2] . Há, portanto, uma desproporção gritante entre o número de unidades prisionais e extensão da massa carcerária versus o número dos responsáveis pela segurança dos presídios.

A pobreza da SEJUS está explicita nos uniformes de seus servidores, nas viaturas sucateadas que possui, nas práticas arcaicas do penitenciarismo, no rudimentar processo de segurança de seus presídios. No entanto,  a pobreza mais evidente está no descaso com seus servidores e com a massa carcerária, nesta ordem, relegados ao esquecimento do cárcere e ao ambiente degradante das prisões. Os primeiros desmotivados pela carência de um plano de cargos e salários, pela falta de capacitação continuada e pela desestrutura dos presídios que impossibilitam a realização de suas atividades com eficácia. A massa carcerária, tratada como seres acéfalos e inanimados, empilhados em celas abarrotadas, recebendo a mínima assistência e cerceada da maioria de seus direitos.

Superlotação, fugas, resgates, motins, rebeliões, têm sido os "presentes de grego" para a aniversariante SEJUS em seu cotidiano, como constatação de sua desestrutura e como protesto à sua ineficácia. Aniversariante desassistida pelo governo e desprivilegiada pela sociedade por tratar dos desprivilegiados de oportunidade de se repararem enquanto cidadãos. Desprivilegiada por ter em seus quadros funcionais servidores desprivilegiados de salários dignos, não condizentes com sua importante missão social; por trabalharem em locais que a sociedade quer manter distância e que o governo procura não lembrar que é de sua competência investir.

Parabéns à SEJUS por seus incansáveis servidores e funcionários, que lidam com a nação marginal mesmo diante de condições abaixo do mínimo imaginável. Parabéns pela permanência da voz baixa e da falta de altivez de seus gestores frente a outras instituições públicas que se manifestam enquanto cooperativas e se praticam como interferentes.

Parabéns à SEJUS por mendigar ações do governo por investimentos ao invés de apresentar suas reais necessidades para resolução de problemas carcerários históricos, contentando-se com parcas migalhas cedidas.

Comemoremos...É big! É big! É big! ... rá tim bum!.

Só não nos esqueçamos que "Bum" será o som da explosão do caos carcerário quando estourar nos braços da sociedade.


[1] dados retirados do site http://www.sejus.ce.gov.br/
[2] (fonte: Cosipe/Sejus)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

OS TAMBORES DA ILHA

Hoje é SÃO JOÃO... como não sentir saudade das noites de São João, lá na Ilha de São Luis do Maranhão. Saudade dos festejos no Largo  São João quando, antes da meia noite,  benzia os “brincantes” em nome do santo. A partir daí, não era mais possível resistir à batida dos tambores e das matracas. Até a lua mudava de cor. 

Boi Da Lua (Papete)

Meu São João...
Meu São João, meu São João...
Eu vim pagar a promessa
De trazer esse boizinho
Para alegrar sua festa
Olhos de papel de seda
Com uma estrela na testa...
Olhos de papel de seda
Com uma estrela na testa...


Chora, chora...                             

Chora Boi da Lua
Vem pedir uma esmola
Praquela boneca de anil
Mamãe eu vi Boi da Lua dançar no planeta do Brasil...
Mamãe eu vi Boi da Lua dançar no planeta do Brasil...

de volta

Peço desculpa aos milhares de potenciais leitores  do meu blog por esta longa pausa. 
Andei metido em tantas coisas e quebrei o ritmo das postagens. 
Não foi por falta de assuntos relevantes.
Umas coisas ainda vou contar nos próximos dias.

terça-feira, 14 de junho de 2011

filosofia

Alguém disse que a era dos filósofos acabou. Foi substituída pela era dos professores de filosofia, que ensinam o que os outros pensaram. “O dedo aponta para a Lua, mas ai daquele que confunde o dedo com a Lua”. “É glória bastante feia a daquele que estudou, formou-se em filosofia mas nunca filosofou”.Assim disse o filósofo Patativa do Assaré. (Rubem Alves em: Ostra Feliz não faz pérola) .

Digo eu: "Não estará acontecendo a mesma coisa com os professores de teologia"?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

como transformar bandido em herói nacional...cap. 3

Alhos e bugalhos são bastante parecidos. Por isso, o ditado alerta a ter cuidado para não trocar uma coisa pela outra. No affaire Cesare Battisti, só o total desconhecimento da história, pode conduzir, ingenuamente, à misturas sem tamanho. Confundir a legítima resistência à ditadura militar no Brasil com o terrorismo de ultra-esquerda ou de ultra-direita dos vários países da Europa na época de ´70 e '80 é, no mínimo, um erro histórico e político imperdoável. Aqui no Brasil, como em outros países da América Latina, estava em jogo o enfrentamento de ditaduras contrárias à existência de qualquer Estado Democrático de Direito. Na Europa, e   é o caso da Itália,  as ultra-direita e ultra-esquerda tinham o mesmo objetivo: subverter Estados de Direito.
Passo agora a palavra a Giuseppe Staccone, italiano, filósofo, teólogo e cientista político, foi padre durante vários anos no interior do Maranhão, Professor de Filosofia Política na Universidade Católica de Pernambuco, especialista em Gramsci. Atualmente reside na Itália.


“Na Itália os cidadãos viviam num Estado democrático que se viu atacado por bandos de criminais facínoras, que em nome da “revolução proletária e comunista”, praticaram crimes violentos guiando-se, como escreveu o italiano Maquiavel, pelos “os desvarios da sua imaginação” mais que pelo entendimento da “verdade efetiva da realidade”. Foi um período de tensões e de inseguranças sociais. A revolta veleitária de grupos armados alastrou-se pela Alemanha, França e outros países da Europa. Mas, mesmo diante de um ataque cruel e contínuo, o Estado italiano não recorreu à instituição de tribunais especiais, como foi feito na França. Todos os acusados foram julgados pelos tribunais ordinários, apesar das ameaças que os mesmos facínoras levantavam contra os juízes togados e os jurados dos júris populares.
Outro aspecto importante da história daqueles “anos de chumbo”, como nós os lembramos aqui, foi a “unidade nacional de todas as forças políticas constitucionais” - da Democracia Cristã, então no Governo, ao Partido Comunista Italiano, na oposição - contra o terrorismo e contra todas as facções terroristas.
A “memória” ainda viva daqueles anos une, ainda hoje, todas as forças políticas italianas a exigir dos governantes brasileiros a extradição do Battisti, para que pague, pelo menos, uma parte da pena pelos crimes praticados. Hoje mesmo, 18/1/2011, o Senado italiano acaba de aprovar, por unanimidade, uma moção que pede a extradição de Battisti".


pastorais socias apoiam a greve dos professores

Carta Aberta de Apoio aos Profissionais da Educação Básica do Município de Fortaleza
Como forças vivas de uma Igreja que se pauta pela prática de Jesus Cristo, nós Pastorais Sociais e Organismos da Arquidiocese de Fortaleza, vimos nos pronunciar na fraternidade e solidariedade aos Educadores de Fortaleza.

Como mulheres e homens de nosso tempo, temos acompanhado durante semanas as manifestações dos (as) trabalhadores (as) em educação do Município de Fortaleza que reivindicam o cumprimento da Lei do Piso Nacional do Magistério Lei Nº 11.738 , bem como processo democrático para eleição de Diretores, entre melhorias na qualidade de vida e ensino. Referida norma institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica.

Assistimos com grande pesar à situação tensa e violenta que se configurou na Câmara Municipal, nos exigindo uma reflexão sobre práticas que ferem profundamente os princípios democráticos de um Estado de Direito, distanciam-se do diálogo,  impossibilitando a busca de uma sociedade justa, fraterna e solidária, onde homens e mulheres, independente de suas condições objetivas e subjetivas, sejam capazes de exercer seu protagonismo e desejar, desde aqui e agora, a implantação do Reino de Deus na prática libertadora de Jesus Cristo.

Nesse sentido, as Pastorais Sociais, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e Organismos da Arquidiocese de Fortaleza querem expressar através desta Carta Aberta seu apoio e solidariedade a todos os profissionais da Educação que têm buscado melhores condições de vida e trabalho para bem desenvolver suas tarefas docentes no ambiente escolar e exigir que sejam atendidas suas justas reivindicações. o

E assim assinamos na força e na coragem! No desejo de ver e realizar os Sinais do Reino de Deus aqui no chão de nossa realidade, alimentada por sonhos mais pela certeza de que quem sonha junto, sonha em mutirão, sonha melhor e torna a realidade mais bela, sendo ela uma dádiva do Deus da Vida!

Pastoral Operária - Pastoral do Menor - Pastoral da Criança
Pastoral Carcerária - Pastoral do Povo da Rua - Pastoral do Migrante
Pastoral da Juventude - Pastoral da Mulher Marginalizada
Pastoral da Sobriedade - Pastoral da Aids - CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base de Fortaleza) - Cáritas Arquidiocesana
Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza - Centro de Formação na Terra do Sol (Curso de Verão)
ESPAC (Escola de Pastoral Catequética) - Articulação do Grito dos Excluídos
Sociedade da Redenção (Projeto em Defesa da Vida)
Instituto das Irmãs da Redenção no Brasil

domingo, 12 de junho de 2011

inconfidência já

O "QUINTO DOS INFERNOS":

Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal.
Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção.
Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto". Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.
O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam ... "O Quinto dos Infernos". E isso virou sinônimo de tudo que é ruim.
A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2010 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção.
Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...

Para que? Para sustentar a corrupção?? os mensaleiros??
o Senado com sua legião de "diretores", a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar nos 3 poderes (executivo/legislativo e judiciário).
Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as
atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.

E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!

como transformar bandido em herói nacional ...cap.2


Prometi e estou de volta. 
Quem sou eu, pobre mortal, para peitar os “deuses do Olimpo”  do Supremo Tribunal Federal? Pelo sim pelo não, me surpreende o ministro Marco Aurélio Mello, que chegou ao STF graças ao primo Collor de Mello, ao dizer ter recebido com surpresa a decisão do governo italiano de recorrer ao Tribunal de Haia. “Fiquei um pouco perplexo porque o acolhimento de um estrangeiro pelo Estado brasileiro e por qualquer outro Estado está no campo da normalidade. É um ato de soberania do Executivo do próprio Estado e deve ser respeitado”.
É público e notório que é o Presidente da República quem encarna a soberania do Estado. Lula e Tarso Genro, um tanto defasados a respeito da história italiana contemporânea (pudera: o caso em questão pertence ao outro milênio!), sentenciaram ideologicamente  que não poderia haver extradição, por se tratar de perseguido político. Possuidores de informações privilegiadas (quais?!), ultrapassaram a soleira dos tribunais italianos anistiando, de uma só canetada, todos os veredictos da Justiça de um País de democracia consolidada, apesar das travessuras do seu premier Berlusconi.  
E o STF? Data vênia, apesar de toda a logorréia de seus integrantes, estes entraram mudos e saíram calados. À Suprema Corte cabia tão somente acatar a decisão do ex-presidente Lula. E assim foi feito.
Neste caso, estou com o ex-presidente do STF, Gilmar Mendes que justificou seu voto vencido desabafando:  “Nós viramos um clube ´lítero-poético-recreativo´...  Melhor confiar logo a decisão ao Executivo, criando um modelo de presidencialismo imperial.”  

 Mudando de conversa, mas nem tanto. Hoje: dia de Pentecostes para a igreja católica. Tenho orado e celebrado pedindo ao bom Deus, entre outros, o dom da “inteligência”. Do latim: inter-legere. Ler nas entrelinhas, em bom português.  
Sobre mim e sobre nós, desça um pouco da tua INTELIGÊNCIA, Senhor para aprendermos a ler "nas entrelinhas" tudo pertence ao Reino de Deus ao qual pertence, também, o reino dos homens.

sábado, 11 de junho de 2011

como transformar bandido em herói nacional ...cap.1

O "affaire" Cesare Battisti ainda vai dar muito pano pra manga. Só lamento ficar por conta do vergonhoso premier Berlusconi assumir as dores do povo italiano nas telinhas internacionais. Mesmo assim, vale a pena lembrar que a Soberania de qualquer Estado Democrático de Direito é sempre maior que seus representantes, quaisquer que sejam.  E é aqui que a porca torce o rabo. O Brasil é um Estado Democrático de Direito. A Itália, também.
 E foi em nome da Soberania do Estado brasileiro que o Supremo Tribunal Federal, acabou transformando Cesare Battisti num mártir da Justiça italiana, justificando como crime político o que não passa de assassinato de quatro cidadãos italianos em 1978/´79.
                                             Cesare Battisti na prisão italiana de Frosinone em 1981                                                                                             
 Acompanhei pela TV, altas horas da noite, o posicionamento dos ministros da Suprema Corte brasileira e, como leigo que sou nos meandros da jurisprudência do STF, fiquei um tanto confuso:  “To be or not to be”. Afinal, Cesare Battisti é um criminoso comum com sentença transitada em julgado pela Justiça italiana ou, como uns preferem, é um perseguido político que poderá correr risco de vida (ou de morte) ao ser extraditado para o País requerente? Bandido para a Itália e herói nacional (adotado!) para o Brasil? Terrível choque de Soberanias! Lula, Lula, te quero muito bem... mas olha o último abacaxi que você deixou, graças aos bons conselhos do teu ex-ministro da Justiça Tarso Genro. 
Só sei uma coisa: Soberania e Ideologia, em comum, só tem a rima.
Por hoje é só... mas chumbo grosso vem aí.


todo o apoio à greve dos professores municipais de fortaleza


Professores,
Protetores,
Das crianças do meu país,
Eu queria,
Gostaria,
De um discurso bem mais feliz.

Por que tudo é educação,
É matéria de um novo tempo,
Ensinem a quem que sabe de tudo,
A entregar o conhecimento,
Ensinem a quem pensa que sabe de tudo,
A entregar o conhecimento.

Na sala de aula
é que se forma o cidadão
na sala de aula é que se muda uma nação
na sala de aula não há idade, nem cor
por isso aceite e respeite o meu professor.

Batam palmas pra eles
Batam palmas pra eles
Batam palmas pra eles
Que eles merecem!!!


Leci Brandão

Lamentável e vergonhosa a postura dos velhos companheiros petistas!!!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

padres e quilombolas em greve de fome



 Dois padres da CPT (Comissão Pastoral da Terra) no Maranhão e 17 quilombolas entraram em greve de fome ontem. O protesto é uma forma de pressionar pela presença da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) para tratar sobre a questão da violência contra líderes quilombolas no Estado.
Desde a sexta-feira passada cerca de 40 comunidades de remanescente de quilombo do Maranhão ocupam a sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em São Luís.
“Estamos há dois dias tentando falar com a ministra dos Direitos Humanos e não conseguimos. Perdemos a paciência”, disse o padre Inaldo Serejo, coordenador da CPT no Estado e quem lidera o movimento. O outro padre que aderiu ao protesto é Clemir Batista da Silva.
Segundo a CPT, a lista de quilombolas ameaçados de morte no Maranhão aumentou de 52 para 59 nesta semana. A entidade diz que “nos últimos dias pelo menos duas lideranças quilombolas no estado sofreram tentativas de assassinato”.
O padre Serejo ressalta ainda que as últimas reuniões realizadas com representantes do Incra não avançaram. “Estamos reunidos há dois dias e nada é resolvido. A presidente Dilma deveria dar ordem à ministra para vir discutir a questão da segurança aqui, que piora a cada dia”, disse. (O POVO 10/06/2011)

terça-feira, 7 de junho de 2011

verguenza, verguenza


Chávez, de bom humor, recomenda a Palocci: ‘Força, Força’

Ainda com dores no joelho esquerdo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, evitou subir a rampa do Palácio do Planalto, nesta segunda-feira, optando pela entrada privativa do edifício. No salão principal, onde foi recebido pela presidenta Dilma Rousseff, e por ministros e diplomatas brasileiros e venezuelanos, Chávez, que está usando uma bengala, esbanjou simpatia e bom-humor.

 Na fila de cumprimentos, o presidente venezuelano demorou bastante tempo. O primeiro a ser cumprimentado foi o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Cobrado pela oposição a prestar esclarecimentos sobre sua atuação antes de assumir o cargo, Palocci recebeu palavras de apoio do venezuelano.
– Fuerza, Fuerza - exclamou Chaves em espanhol.

6/6/2011  ABr - de Brasília

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Brasil rural: matar e desmatar

Aproveito este artigo de Frei Beto para ajudar os milhões de potenciais leitores do meu blog  ficarem mais por dentro da polémica questão do desmatamento.
 
Nos últimos dias, cinco líderes rurais foram assassinados no Brasil. No Pará, mataram Herenilton Pereira dos Santos e o casal de ambientalistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva, do projeto agroextrativista Praialta-Piranheira.
Os três viviam no mesmo assentamento rural, em Nova Ipixuna. José Cláudio teve uma orelha arrancada. Isso prova ter sido seu assassinato encomendado. É praxe o mandante exigir do pistoleiro a orelha da vítima como “recibo” do pagamento pelo “serviço” prestado.
Em Rondônia assassinaram Adelino Ramos, presidente do Movimento Camponeses Corumbiara. E em Eldorado dos Carajás, mataram Marcos Gomes da Silva.
O governo federal tomou providências para prender os mandantes e pistoleiros e convocou uma reunião ministerial de emergência para analisar a relação dos crimes com a recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, do novo Código Florestal.
A ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, repassou às autoridades do Pará denúncias da Federação de Trabalhadores da Agricultura Familiar, que relatam 17 assassinatos ocorridos no estado nos últimos anos, sem que a polícia paraense tenha aberto inquérito.
“O Pará é o lugar de maior atuação dos grupos de extermínio hoje no Brasil” – declarou a ministra dos Direitos Humanos. “Há uma impunidade muito forte. E isso é incompatível com a democracia, o Estado de direito e os direitos humanos.”
As quatro vítimas lideravam lutas contra a desmatamento da Amazônia, causando a ira de madeireiros e latifundiários. O projeto Praialta-Piranheira é modelo de assentamento sustentável de reforma agrária, adotado pelo Incra na Amazônia. Seu objetivo é assegurar o sustento de famílias de pequenos agricultores sem devastar a floresta.
Adelino Ramos, em Rondônia, liderava o projeto de assentamento agroflorestal. Os dois projetos, segundo o Ministério do Meio Ambiente, são obstáculos ao desmatamento (que transforma a floresta em pasto) e à extração ilegal de madeira na Amazônia.
O novo Código Florestal, tal como aprovado por deputados federais, deverá sofrer modificações no Senado e suas cláusulas mais nocivas serão, com certeza, vetadas pela presidente Dilma.
Ao transferir para estados e municípios o controle ao desmatamento e anistiar o agronegócio de pesadas multas aplicadas a crimes de degradação ambiental, o novo Código dá sinal verde à ocupação descontrolada de terras e agrava as tensões fundiárias.
 
                                                                                                                        Rio Xingu
Tal como aprovado na Câmara dos Deputados, o novo Código retira a referência à lei de crimes ambientais (Lei 9.605/98). No art. 130, que isenta propriedades de até quatro módulos fiscais da obrigatoriedade de manter a Reserva Legal nos limites da lei, permite o desmate direto de 69. 245.404 hectares de florestas nativas (cf. Potenciais Impactos das Alterações do Código Florestal Brasileiro na Meta Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa, Observatório do Clima, 2010).
Apenas nos estados do Norte do Brasil, esse dispositivo proporcionaria desmatamento de até 71 milhões de hectares de florestas nativas (cf. Nota Técnica para a Câmara de Negociação do Código Florestal do Ministério Público Federal)
Mais do que um Código Florestal, o Brasil necessita, urgente, de uma reforma agrária. É lamentável que este tema esteja ausente da pauta do Congresso Nacional. Somos uma nação de dimensões continentais, com recursos naturais inestimáveis e inigualáveis e, no entanto, convivemos com a tragédia de cerca de 4 milhões de famílias expulsas de suas terras. Um por cento dos proprietários rurais é dono de 50% do território brasileiro!
A Comissão Pastoral da Terra, que acompanha os conflitos fundiários desde 1985, registra que, daquele ano até 2010, 1.580 pessoas foram assassinadas no campo. Dos assassinos, apenas 94 foram julgados e condenados: 21 mandantes e 73 executores (pistoleiros). E, dos mandantes, somente um se encontra preso, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, responsável pela morte da irmã Dorothy Stang, baleada no Pará em 2005.
Atualmente a lista de ameaçados inclui 1.855 pessoas. Personagens de uma crônica das mortes anunciadas? Sim, se o governo não der um basta à nefasta estratégia amazônica de matar para desmatar.
Outras mortes por assassinato ocorrerão se a presidente Dilma não tomar providências enérgicas para qualificar os assentamentos rurais, impedir o desmatamento e puni-lo com rigor, cobrar as multas aplicadas, federalizar os crimes contra os direitos humanos e, sobretudo, vetar o Código Florestal aprovado pelos deputados federais e promover a reforma agrária.

Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

viva são joão

Esta oração já está se espalhando por aí, enquanto as quadrilhas juninas ensaiam os últimos passos. Elas são, hoje, um luxo só! Deixaram o calor das fogueiras das ruas e dos becos dos bairros populares para fazer bonito nos festivais competitivos das Secretarias de Cultura municipais e estaduais. Difícil achar um espaço para a singeleza da oração do caboclo.É uma pena.Mas eu, sou mais essa!





Oração do Caboclo



Ói Deus...
Nóis tá sempre pedindo as coisas pro Sinhô.
Nóis pede dinhero,
Nóis pede trabaio
Nóis pede pra chovê
E se chove demais
Nóis pede pra pará
Mode a coiêta num afetá.

Nóis pede amô,
Nóis pede pra casá
Pede casa pra morá
Nóis pede saúde
Nóis pede proteção
Nóis pede paiz,
Nóis pede pra dislindá os nó
Quando as coisa cumprica
Mode a vida corrê mió.

Quano a coisa aperta nóis reza
Pedindo tudo que farta
É uma pedição sem fim
E quano as coisa dá certo,
Nóis vai na igreja mais perto
E no pé de argum santo
Que seja de devoção
Nóis deixa sempre uns merréis
E lá no cofre da frente
Nóis coloca mais uns tostão.

Mais hoje Meu Sinhô
Bateu uma coisa isquisita
E eu me puis a matutá
Nóis pede, pede e pede
Mais nóis nunca pregunta
Comé que o Sinhô tá
Se tá triste ou tá contente
Se percisa darguma coisa
Que a gente possa ajudá
E por esse esquecimentp
O sinhô tem que nos adiscurpá.

Ói Deus, nóis sempre pensa
Que o Sinhô num percisa de nada
Mas tarvez num seja assim
Tarvez o Sinhô percisa de mim
Sim, o Sinhô percisa, sim
Percisa da minha bondade
Percisa da minha alegria
Percisa da minha caridade
No trato c’os meus irmão.

Nóis semo seu espêio
Nóis semo a Sua Criação
Nóis num pode fazê feio
Nem ficá fazendo rodeio
Nem desapontá o Sinhô
Nem amargá o seu sonho
Que foi um sonho de amô
Quando essa terra todinha criô.

Ói Deus, eu prometo
Vo rezá de ôtro jeito
Vo pará com a pedição
E trocá milagre por tostão
Tarvez eu inté peça uma graça
Mas antes vo vê direitinho
O que é que andei fazendo de bão.
E se nada de bão eu encontrá
Muito vo me envergonhá
E ainda vo pedi perdão.

 Fátima Irene Pinto