segunda-feira, 30 de abril de 2012
1º de Maio
“VIVER PARA TRABALHAR OU TRABALHAR PARA VIVER?”
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que proveito tira o homem de todo o trabalho
com que se afadiga debaixo do sol? (Eclesiastes 1, 2-3)
Pastoral Operária da Arquidiocese de Fortaleza
"Vivemos momentos difíceis para a classe trabalhadora. A aparente abundância com que a mídia, o governo e o empresariado em geral pregam, esconde a real situação em que vive a classe trabalhadora. Se por um lado temos uma diminuição do índice de desemprego, este ainda está alto, 10,5% (DIEESE), em números são em torno de 10,5 milhões de trabalhadores. O índice de trabalhadores informais também é alto 44%, ou seja, 44,5 milhões de trabalhadores. Isto quer dizer que cerca de 55 milhões de trabalhadores no Brasil estão sem acesso aos direitos trabalhistas. O índice de desemprego cresce ainda mais quando falamos das juventudes, chega a 22,9%. Outro fator que joga contra a classe trabalhadora é a alta rotatividade no emprego no Brasil, é a mais alta do mundo. Se em 2011 foram criados 20 milhões de empregos, porém foram 18 milhões demitidos. Com esta arma o empresariado diminui os direitos trabalhistas e a capacidade de organização dos trabalhadores (hoje os trabalhadores ficam no máximo 2 anos numa empresa).
O salário mínimo é ainda um forte referencial para os trabalhadores (47 milhões deles recebem este valor). Apesar dos aumentos conquistados nos últimos anos, ele ainda esta muito longe do que prevê a constituição federal. Seu valor atual é de R$ 622,00, enquanto o DIEESE prevê o valor de R$ 2.323,21 ou seja, quatro vezes menor do que deveria ser.
Outro agravante é a retirada lenta e sistemática dos direitos trabalhistas, ressaltamos aqui o veto da Presidenta Dilma ao aumento dos trabalhadores aposentados. Estes pagam por 30 anos ou mais para ter seus direitos desrespeitados no fim da vida.
As taxas de juros são um caso a parte, mesmo estando em crise econômica a Comunidade Europeia, paga de 1% a 6% de juros ao ano, no Brasil a taxa está em 9,75%. Se for taxa bancária chega a 230% ao ano, isto dificulta a vida da classe trabalhadora aumentando o preço das mercadorias essenciais. Para as grandes empresas e para microempreendedor individual há créditos subsidiados, para os trabalhadores e associações de trabalhadores não.
Outro fator são os acidentes de trabalho. As taxas no Brasil ultrapassam os 500 mil acidentados anuais, chegando a 2.500 mortos, uma verdadeira calamidade pública. Além disso, a quantidade de doenças ocupacionais continuam aumentando no país, fruto do excesso e precarização do trabalho.
Mas nem tudo é desalento, percebemos um avanço na organização da classe trabalhadora, frente a toda esta situação. Vemos um aumento das greves e outras formas de organização exigindo melhores condições de salários e trabalho. Os movimentos sociais aos poucos começam a se agruparem e buscam pontos em comum em suas lutas. O nível de conscientização aumenta dia a dia, ainda que de forma lenta. Estas ações ligadas a outras que já se fazem vivas, nos dá a certeza que no horizonte a luta pela vida ainda está forte.
Assim, nós da Pastoral Operária chamamos a todas e todos os trabalhadores formais e informais, desempregados, aposentados e da economia popular solidária a somarmos força no sentido de termos uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sinal da presença do Reino de Deus aqui na terra, onde a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras esteja acima do lucro de uns poucos. Vamos trabalhar para viver em vez de viver para trabalhar!"
VIVA A CLASSE TRABALHADORA
“VIVER PARA TRABALHAR OU TRABALHAR PARA VIVER?”
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.
Que proveito tira o homem de todo o trabalho
com que se afadiga debaixo do sol? (Eclesiastes 1, 2-3)
Pastoral Operária da Arquidiocese de Fortaleza
"Vivemos momentos difíceis para a classe trabalhadora. A aparente abundância com que a mídia, o governo e o empresariado em geral pregam, esconde a real situação em que vive a classe trabalhadora. Se por um lado temos uma diminuição do índice de desemprego, este ainda está alto, 10,5% (DIEESE), em números são em torno de 10,5 milhões de trabalhadores. O índice de trabalhadores informais também é alto 44%, ou seja, 44,5 milhões de trabalhadores. Isto quer dizer que cerca de 55 milhões de trabalhadores no Brasil estão sem acesso aos direitos trabalhistas. O índice de desemprego cresce ainda mais quando falamos das juventudes, chega a 22,9%. Outro fator que joga contra a classe trabalhadora é a alta rotatividade no emprego no Brasil, é a mais alta do mundo. Se em 2011 foram criados 20 milhões de empregos, porém foram 18 milhões demitidos. Com esta arma o empresariado diminui os direitos trabalhistas e a capacidade de organização dos trabalhadores (hoje os trabalhadores ficam no máximo 2 anos numa empresa).
O salário mínimo é ainda um forte referencial para os trabalhadores (47 milhões deles recebem este valor). Apesar dos aumentos conquistados nos últimos anos, ele ainda esta muito longe do que prevê a constituição federal. Seu valor atual é de R$ 622,00, enquanto o DIEESE prevê o valor de R$ 2.323,21 ou seja, quatro vezes menor do que deveria ser.
Outro agravante é a retirada lenta e sistemática dos direitos trabalhistas, ressaltamos aqui o veto da Presidenta Dilma ao aumento dos trabalhadores aposentados. Estes pagam por 30 anos ou mais para ter seus direitos desrespeitados no fim da vida.
As taxas de juros são um caso a parte, mesmo estando em crise econômica a Comunidade Europeia, paga de 1% a 6% de juros ao ano, no Brasil a taxa está em 9,75%. Se for taxa bancária chega a 230% ao ano, isto dificulta a vida da classe trabalhadora aumentando o preço das mercadorias essenciais. Para as grandes empresas e para microempreendedor individual há créditos subsidiados, para os trabalhadores e associações de trabalhadores não.
Outro fator são os acidentes de trabalho. As taxas no Brasil ultrapassam os 500 mil acidentados anuais, chegando a 2.500 mortos, uma verdadeira calamidade pública. Além disso, a quantidade de doenças ocupacionais continuam aumentando no país, fruto do excesso e precarização do trabalho.
Mas nem tudo é desalento, percebemos um avanço na organização da classe trabalhadora, frente a toda esta situação. Vemos um aumento das greves e outras formas de organização exigindo melhores condições de salários e trabalho. Os movimentos sociais aos poucos começam a se agruparem e buscam pontos em comum em suas lutas. O nível de conscientização aumenta dia a dia, ainda que de forma lenta. Estas ações ligadas a outras que já se fazem vivas, nos dá a certeza que no horizonte a luta pela vida ainda está forte.
Assim, nós da Pastoral Operária chamamos a todas e todos os trabalhadores formais e informais, desempregados, aposentados e da economia popular solidária a somarmos força no sentido de termos uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sinal da presença do Reino de Deus aqui na terra, onde a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras esteja acima do lucro de uns poucos. Vamos trabalhar para viver em vez de viver para trabalhar!"
VIVA A CLASSE TRABALHADORA
sábado, 28 de abril de 2012
Carta aberta dos Missionários Combonianos do Brasil Nordeste em favor do Povo Awá-Guajá do Maranhão
Os Missionários Combonianos do Brasil Nordeste, ao tomar conhecimento de mais uma campanha internacional em favor do povo indígena Awá-Guajá (Maranhão), encabeçada pela ONG inglesa Survival, vêm a público reafirmar seu apoio irrestrito a tudo o que vem salvaguardar a integridade física, cultural e territorial dessa nação indígena. Há exatos 20 anos foi publicada a portaria ministerial de demarcação (Nº 373/92), mas a lentidão dos procedimentos processuais, os inúmeros recursos e prazos legais interpostos e, principalmente, as pressões políticas e econômicas regionais permitiram que o território Awá fosse progressiva e dramaticamente invadido em níveis gigantescos. Em que pesem as sucessivas decisões da Justiça Federal que vêm reconhecendo sistematicamente a constitucionalidade do território ocupado pelo povo Awá (118.000 ha.), a situação atual é literalmente caótica. Madeireiros da região de Buriticupu, Bom Jardim, São João do Caru, invadem e saqueiam à luz do dia. A Agropecuária Alto Turiaçu, que ocupa ilegalmente 85% do território Awá, associada a povoados e pequenos centros rurais que se instalaram após a portaria de demarcação, vem deixando um rasto de destruição e de ‘terra queimada’. Criminosa foi à época da publicação da portaria de demarcação a omissão do governo federal que não interveio tempestivamente permitindo que se consumasse a invasão do território Awá por numerosos não índios e que a situação assumisse as proporções incontroláveis de hoje. Estradas vicinais vêm sendo percorridas por veículos de passageiros e de cargas bem no coração da terra Awá sem nenhum tipo de fiscalização e/ou inibição oficial. Denúncias não têm faltado, campanhas foram flagradas, reportagens e serviços jornalísticos têm sido publicados. O drama dos Awá não tem conhecido pausas e nem alívio. Tudo parece ter assumido uma configuração de impotência e de derrota. A recente sentença emitida unanimemente pela 6ª Turma do Tribunal Regional Federal em Brasília determinando que a UNIÃO e a FUNAI promovam o registro da área demarcada, e que no prazo de um ano removam as pessoas não-índias que se encontram no interior da terra demarcada, bem como que se proceda ao desfazimento das construções edificadas no perímetro da Portaria 373/92, nos dão um novo alento. Perguntamo-nos, no entanto, se o Governo Federal nessa atual conjuntura tem interesse e vontade em colocar como prioridade a situação dos Awá do Maranhão. Afinal, eles são uma das inúmeras vítimas da cobiça insana e incontrolável de ruralistas, madeireiros, e de seus tentáculos e aliados políticos que legislam em causa própria nesse País!
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| Crianças Awá- Guajá foto: Claudio Bombieri |
Hoje, na proximidade da festa do ‘Bom Pastor’, como missionários nessa terra tão duramente provada queremos alertar a sociedade em geral e aqueles que são chamados a administrar o País como o fez Jesus de Nazaré diante do poder avassalador do Império. Não obstante tantos mercenários que se aliam a lobos famintos e insaciáveis é preciso acolher o desafio de conhecer as angústias e os sonhos das ‘ovelhas’. E colocar a própria vida à disposição delas, a fim de que a sua própria vida seja garantida e protegida num redil/reino onde, longe de toda ameaça, vivam a unidade e a fraternidade. E àqueles pastores civis e religiosos que apascentam somente a si mesmos, que fogem, que não cuidam das ovelhas feridas e abatidas, deixando-as se dispersar, que venha o julgamento divino expressado pelo profeta Ezequiel: ‘Impedirei esses pastores de apascentarem o meu rebanho. Deste modo eles não tornarão a apascentar-se a si mesmos. Livrarei minhas ovelhas da sua boca e não continuarão a servir-lhes de presa (Ez. 34,10)
São Luis, 29 de abril, 2012 – Festa do Bom Pastor
Falta o bobo na corte do papa
Eduardo Hoornaert
Padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, mais de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens do cristianismo
Adital
Na maioria das culturas, desde tempos imemoráveis, existe a figura do palhaço, que pode ter os mais diversos nomes: bobo, bufão, clown, tolo, idiota, ignorante, e muitos outros. Ao lado do rei, do imperador, do faraó, do sultão ou do presidente, esse bobo faz figura de ingênuo e ignorante. Mas não é bem assim, pois a figura sisuda, demasiadamente séria, do homem que representa a suprema autoridade e vive rodeado de um cerimonial repetitivo e enfadonho, necessita a seu lado a figura brincalhona que significa o limite, a fragilidade e a provisoriedade do poder. Um bom governo é composto de um rei e de um bobo: seriedade e senso de limite, sisudez e humor. A conjunção resulta em sabedoria e arte de governar.
Nos tempos do império romano, quando o imperador passava pelo arco do triunfo e recebia as supremas honras, o cerimonial exigia que houvesse a seu lado uma pessoa que lhe sussurrava continuamente no ouvido as seguintes palavras: ‘memento mori’ (lembre-se: você também é mortal). E na corte dos reis medievais, em meio às mais solenes sessões, o bobo da corte agitava de vez em quando, rindo e dançando, um espelho diante da face do rei, como para dizer: ‘veja as besteiras que você está fazendo!’. Na literatura não falta a figura do bobo. Dom Quixote sempre sonha com os mais elevados ideais, mas ele vai acompanhado de Sancho Pança que só pensa em ‘sombra e água fresca’. Reis e rainhas das comédias de Shakespeare, Corneille e Racine, sempre têm seus (suas) ‘confidentes’, que lhes dizem a verdade. E Dostoievski, quando quer contar a história de um homem realmente bom, o chama de ‘idiota’. O bom governo necessita de idiotas. Eles são fundamentais para o bom andamento da sociedade, pois, ao mesmo tempo em que incomodam, mostram os limites de tudo que se quer realizar na vida. Eles apontam para a sabedoria. Só um rei, imperador, sultão ou papa que se mostra capaz de escutar o bobo conquista a sabedoria e faz um bom governo. A bobagem é o caminho da sabedoria, a ironia o contrapeso da autoridade.
Os padres desobedientes da Áustria e da Irlanda bem que poderiam ser hoje os bobos da corte do Vaticano a lembrar que a boa vontade do papa não pode fazer com que ele feche os olhos diante da precariedade e dos limites de seu projeto. Da mesma forma os teólogos da libertação na América Latina ou os teólogos desobedientes da Espanha. Mas parece que o papa atual não vê as coisas desse modo e isso constitui uma ameaça ao bom andamento da igreja. Em vez de procurar alguma centelha de verdade nas ideias desses padres, o papa fala em ‘desobediência’. A impressão que algumas de suas declarações recentes deixam é que ele anda enxergando, em seu redor, sombras que assustam; armadilhas e armações, conciliábulos, sussurros nos cantos do palácio e nos imensos corredores.
O psicólogo Jung nos ensina que essas impressões ameaçadoras bem poderiam ser expressões de desejos não confessáveis e sentimentos reprimidos.
É nesse momento que se sente a falta do saudável bobo da corte a trazer a realidade como ela é e lembrar que as coisas nem sempre são como a gente quer. Tudo, afinal, pode ser diferente.
Quando alguns cardeais foram aconselhar o papa João XXIII a não convocar um Concílio, pois tudo corria normalmente na igreja e seria uma despesa inútil, ele simplesmente se levantou e abriu uma janela da sala. Uma lufada de ar fresco penetrou nos sagrados recintos do Vaticano (que cheiram a mofo).
Em plena sessão do Concílio Vaticano II, Dom Helder sonhou que, de repente, o imperador Constantino irrompia de cavalo na nave central da imensa basílica de São Pedro. Num outro sonho, igualmente saudável, ele se imaginou que o papa tinha ficado louco, jogou sua tiara no rio Tibre e dançava cantando pelas ruas de Roma.
Hoje, penso que, para ser um bom católico, há de se cultivar um pouco de saudável ironia. Ao me aproximar de teólogos da libertação da primeira geração, como Gustavo Gutiérrez, José Comblin e Juan Luís Segundo, sempre me impressionou seu espírito de humor. Eles sabiam relativizar e manter a esperança, eles cultivavam a ironia. Mas hoje estamos vivendo numa igreja à qual se aplica a palavra de Millôr Fernandes: ‘para que ser o bobo da corte se o rei não tem espírito de humor?’.
Eduardo Hoornaert
Padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, mais de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens do cristianismo
Adital
Na maioria das culturas, desde tempos imemoráveis, existe a figura do palhaço, que pode ter os mais diversos nomes: bobo, bufão, clown, tolo, idiota, ignorante, e muitos outros. Ao lado do rei, do imperador, do faraó, do sultão ou do presidente, esse bobo faz figura de ingênuo e ignorante. Mas não é bem assim, pois a figura sisuda, demasiadamente séria, do homem que representa a suprema autoridade e vive rodeado de um cerimonial repetitivo e enfadonho, necessita a seu lado a figura brincalhona que significa o limite, a fragilidade e a provisoriedade do poder. Um bom governo é composto de um rei e de um bobo: seriedade e senso de limite, sisudez e humor. A conjunção resulta em sabedoria e arte de governar.
Nos tempos do império romano, quando o imperador passava pelo arco do triunfo e recebia as supremas honras, o cerimonial exigia que houvesse a seu lado uma pessoa que lhe sussurrava continuamente no ouvido as seguintes palavras: ‘memento mori’ (lembre-se: você também é mortal). E na corte dos reis medievais, em meio às mais solenes sessões, o bobo da corte agitava de vez em quando, rindo e dançando, um espelho diante da face do rei, como para dizer: ‘veja as besteiras que você está fazendo!’. Na literatura não falta a figura do bobo. Dom Quixote sempre sonha com os mais elevados ideais, mas ele vai acompanhado de Sancho Pança que só pensa em ‘sombra e água fresca’. Reis e rainhas das comédias de Shakespeare, Corneille e Racine, sempre têm seus (suas) ‘confidentes’, que lhes dizem a verdade. E Dostoievski, quando quer contar a história de um homem realmente bom, o chama de ‘idiota’. O bom governo necessita de idiotas. Eles são fundamentais para o bom andamento da sociedade, pois, ao mesmo tempo em que incomodam, mostram os limites de tudo que se quer realizar na vida. Eles apontam para a sabedoria. Só um rei, imperador, sultão ou papa que se mostra capaz de escutar o bobo conquista a sabedoria e faz um bom governo. A bobagem é o caminho da sabedoria, a ironia o contrapeso da autoridade.
Os padres desobedientes da Áustria e da Irlanda bem que poderiam ser hoje os bobos da corte do Vaticano a lembrar que a boa vontade do papa não pode fazer com que ele feche os olhos diante da precariedade e dos limites de seu projeto. Da mesma forma os teólogos da libertação na América Latina ou os teólogos desobedientes da Espanha. Mas parece que o papa atual não vê as coisas desse modo e isso constitui uma ameaça ao bom andamento da igreja. Em vez de procurar alguma centelha de verdade nas ideias desses padres, o papa fala em ‘desobediência’. A impressão que algumas de suas declarações recentes deixam é que ele anda enxergando, em seu redor, sombras que assustam; armadilhas e armações, conciliábulos, sussurros nos cantos do palácio e nos imensos corredores.
O psicólogo Jung nos ensina que essas impressões ameaçadoras bem poderiam ser expressões de desejos não confessáveis e sentimentos reprimidos.
É nesse momento que se sente a falta do saudável bobo da corte a trazer a realidade como ela é e lembrar que as coisas nem sempre são como a gente quer. Tudo, afinal, pode ser diferente.
Quando alguns cardeais foram aconselhar o papa João XXIII a não convocar um Concílio, pois tudo corria normalmente na igreja e seria uma despesa inútil, ele simplesmente se levantou e abriu uma janela da sala. Uma lufada de ar fresco penetrou nos sagrados recintos do Vaticano (que cheiram a mofo).
Em plena sessão do Concílio Vaticano II, Dom Helder sonhou que, de repente, o imperador Constantino irrompia de cavalo na nave central da imensa basílica de São Pedro. Num outro sonho, igualmente saudável, ele se imaginou que o papa tinha ficado louco, jogou sua tiara no rio Tibre e dançava cantando pelas ruas de Roma.
Hoje, penso que, para ser um bom católico, há de se cultivar um pouco de saudável ironia. Ao me aproximar de teólogos da libertação da primeira geração, como Gustavo Gutiérrez, José Comblin e Juan Luís Segundo, sempre me impressionou seu espírito de humor. Eles sabiam relativizar e manter a esperança, eles cultivavam a ironia. Mas hoje estamos vivendo numa igreja à qual se aplica a palavra de Millôr Fernandes: ‘para que ser o bobo da corte se o rei não tem espírito de humor?’.
... espírito de humor é o que não faltava
no Filho do homem....
já percebeu?
segunda-feira, 23 de abril de 2012
A comissão de juristas que elabora o anteprojeto do Código Penal decidiu nesta segunda-feira incluir no texto a criminalização do enriquecimento ilícito. Para a comissão, quem não comprovar a origem de recursos ou bens obtidos pode sofrer pena de um a cinco anos de prisão.
O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Gilson Dipp, que preside a comissão, disse que a medida está prevista em acordos internacionais assinados pelo governo brasileiro. “Esse é um tipo penal previsto na convenção da ONU contra a corrupção, que foi assinada pelo Brasil e ainda não foi tipificado em nosso ordenamento”, afirmou.
Palmas para eles! Mas...
... já dizia o poeta Juvenal da antiga Roma:
“Quis custodiet ipsos custodes?”
ou, em tradução livre:
"Quem fiscaliza os fiscais?"
Tortura
Sem resposta, Conectas reitera pedido ao governo por divulgação de diagnóstico da ONU sobre tortura no Brasil. Documento foi entregue a Brasília em fevereiro e permanece guardado em segredo.
Quarenta e dois dias depois de haver enviado ao governo brasileiro a primeira carta cobrando publicidade ao relatório do Subcomitê de Prevenção à Tortura da ONU (SPT), a Conectas e as ONGs parceiras Justiça Global e Pastoral Carcerária voltaram a questionar o governo essa semana sobre a publicação deste documento, que pode ser um dos mais fiéis retratos da prática da tortura nas prisões brasileiras (leia carta enviada em 17/04).
O relatório foi produzido durante a visita do SPT a centros de detenção, prisões e unidades de internação para adolescentes em conflito com a lei no Brasil, em setembro de 2011, e enviada oficialmente ao Brasil no dia 8 de fevereiro.
"O governo vem dando sinais de que pretende publicar o conteúdo do relatório, cujo alguns supostos pontos já teriam até mesmo vazado de forma anônima para a imprensa. O que nós cobramos é transparência e respeito ao espírito da Lei de Acesso à Informação. Não há motivo algum para o que o documento não possa ser tornado público agora", disse a diretora executiva da Conectas, Lucia Nader, que assina a carta enviada à ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes.
Indefinição
Quase um mês depois de recebido, o documento da ONU permanecia secreto para os brasileiros. No dia 6 de março, a Conectas enviou, então, uma primeira carta aos Ministérios das Relações Exteriores e Justiça, além da Secretaria de Direitos Humanos, cobrando publicidade. Poucos dias depois da primeira interpelação feita pela Conectas, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse à imprensa (ouça a entrevista) que o governo pretendia tornar público o conteúdo do relatório. Mas, quando questionado diretamente pela Conectas sobre o assunto, em 26 de março, respondeu que "a competência específica dentro do Estado brasileiro para o tema" é da Secretaria de Direitos Humanos.
No dia 29 de março, entretanto, a representante da Secretaria de Direitos Humanos, Michelle Moraes de Sá e Silva, disse em Audiência Pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal que o governo só publicaria o referido relatório quando tivesse medidas concretas para anunciar, em resposta ao conteúdo do diagnóstico feito pela ONU.
Conectas diz na nova carta enviada essa semana ao governo que embora respostas concretas devam ser anunciadas, elas não devem ser usadas como impeditivo para a publicidade do documento original.
Fonte: Conectas Direitos Humanos 20/04/2012
Uma organização não governamental internacional, sem fins lucrativos, fundada em outubro de 2001 em São Paulo – Brasil. Sua missão é promover a efetivação dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito, especialmente no Sul Global - África, América Latina e Ásia.
Sem resposta, Conectas reitera pedido ao governo por divulgação de diagnóstico da ONU sobre tortura no Brasil. Documento foi entregue a Brasília em fevereiro e permanece guardado em segredo.
O relatório foi produzido durante a visita do SPT a centros de detenção, prisões e unidades de internação para adolescentes em conflito com a lei no Brasil, em setembro de 2011, e enviada oficialmente ao Brasil no dia 8 de fevereiro.
"O governo vem dando sinais de que pretende publicar o conteúdo do relatório, cujo alguns supostos pontos já teriam até mesmo vazado de forma anônima para a imprensa. O que nós cobramos é transparência e respeito ao espírito da Lei de Acesso à Informação. Não há motivo algum para o que o documento não possa ser tornado público agora", disse a diretora executiva da Conectas, Lucia Nader, que assina a carta enviada à ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes.
Indefinição
Quase um mês depois de recebido, o documento da ONU permanecia secreto para os brasileiros. No dia 6 de março, a Conectas enviou, então, uma primeira carta aos Ministérios das Relações Exteriores e Justiça, além da Secretaria de Direitos Humanos, cobrando publicidade. Poucos dias depois da primeira interpelação feita pela Conectas, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse à imprensa (ouça a entrevista) que o governo pretendia tornar público o conteúdo do relatório. Mas, quando questionado diretamente pela Conectas sobre o assunto, em 26 de março, respondeu que "a competência específica dentro do Estado brasileiro para o tema" é da Secretaria de Direitos Humanos.
No dia 29 de março, entretanto, a representante da Secretaria de Direitos Humanos, Michelle Moraes de Sá e Silva, disse em Audiência Pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal que o governo só publicaria o referido relatório quando tivesse medidas concretas para anunciar, em resposta ao conteúdo do diagnóstico feito pela ONU.
Conectas diz na nova carta enviada essa semana ao governo que embora respostas concretas devam ser anunciadas, elas não devem ser usadas como impeditivo para a publicidade do documento original.
Fonte: Conectas Direitos Humanos 20/04/2012
Uma organização não governamental internacional, sem fins lucrativos, fundada em outubro de 2001 em São Paulo – Brasil. Sua missão é promover a efetivação dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito, especialmente no Sul Global - África, América Latina e Ásia.
domingo, 22 de abril de 2012
Pe. José Batista Libânio em Fortaleza
As palestras são gratuitos, mas com vagas limitadas.
Seria uma excelente oportunidade de fazer contato com Libânio, enquanto Movimento FCL, além dos temas trabalhados por ele serem palpitantes onde nossa intervenção poderia desencadear uma bom debate.
Programação:
Dia 13 de junho: Palestra: Qual o futuro do Cristianismo?
Local: Colégio Santo Inácio
Hora: 19:30 h
Inscrições gratuitas: 3252-4201
Dia 14 de junho: Bate-papo: As linguagens sobre Jesus e outras questões
Local: Auditório da livraria Paulua
Hora: 9:00 h
Inscrições gratuitas: 3252-4201
Palestra: O perfil do jovem pós-moderno (O aluno que temos e o aluno que queremos)
Local: Colégio Santo Inácio
Hora: 19:30 h
Inscrições gratuitas: 3252-4201
quinta-feira, 19 de abril de 2012
classificados
PROCURA-SE CASAS... à venda em área valorizada de Fortaleza c/2 quartos, banheiro, sala, cozinha, varanda, área de serviço e quintal, próximo a escolas,creches, terminal de ônibus, posto de saúde e hospital.
Com esgotamento sanitário,coleta de lixo, iluminação e segurança pública ... pelo valor de 16 mil reais.
Quem souber de uma casa nestas condições, favor informar a d.Marianinha e as 1.700 famílias (ou mais) que moram nas comunidades do Trilho e estão sendo expulsas pelo o governador e pela prefeita, em vista da construção de um trenzinho (VLT) para os turistas que virão para a Copa 2014.
Agradece: o Movimento de Luta em Defesa da Moradia.
terça-feira, 17 de abril de 2012
memória de eldorado dos carajás
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| massacre em quadrinhos |
Há 16 anos, 21 trabalhadores do campo foram assassinados na cidade de Eldorado dos Carajás, no Pará. Na tarde do dia 17 de abril de 1996, cerca de 1100 sem-terra interditavam a rodovia PA-150 em marcha rumo à capital para exigir a desapropriação da fazenda Macaxeira, em Curionópolis (PA), ocupada por 1.500 famílias havia 11 dias.
Do gabinete do então governador Almir Gabriel saiu a ordem de “desobstrução da via”, encaminhada pelo secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, e executada com truculência pela polícia militar do estado do Pará, em ação comandada pelo Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira.
A perícia judicial divulgou laudo onde concluiu que os sem-terra foram executados com tiros à queima-roupa, pelas costas ou na cabeça, com golpes de machado e facão no momento em que já estavam rendidos pela polícia.
Dos 155 acusados, 142 foram absolvidos, 11 foram retirados do processo e apenas dois - o Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira - foram condenados. O então Governador e o Secretário de Segurança Pública, responsáveis políticos pela chacina, não foram sequer indiciados.
Em 2002, o Coronel Mário Colares pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira foram condenados a 228 e 154 anos de prisão. No entanto, apesar da sentença, os dois respondem ao processo em liberdade, sem previsão para execução da pena.
Em 2002, o Coronel Mário Colares pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira foram condenados a 228 e 154 anos de prisão. No entanto, apesar da sentença, os dois respondem ao processo em liberdade, sem previsão para execução da pena.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Petição Pública
...recebi e assinei esta petição «contra a aprovação da ADI 3239 no Supremo Tribunal Federal» e ... convido você a fazer o mesmo...
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23370
Assina o abaixo-assinado aqui e divulga-o por teus contatos.
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23370
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23370
Assina o abaixo-assinado aqui e divulga-o por teus contatos.
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23370
Jornalismo investigativo ou cumplicidade?
Por Venício Lima
Artigo publicado originalmente na revista Teoria e Debate
Jornalismo investigativo e cumplicidade com práticas criminosas podem estar sendo confundidos. Vale lembrar a afirmação de Paul Virilio: “A mídia é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra”.
Algo de muito errado está acontecendo com a grande mídia no Brasil.
Enquanto empresários da mídia impressa ou concessionários do serviço público de radiodifusão – e seus porta-vozes – reafirmam, com certa arrogância, seu insubstituível papel de fiscalizadores da coisa (res) pública, o país toma conhecimento, através do trabalho da Polícia Federal, de evidências do envolvimento direto da própria mídia com os crimes que ela está a divulgar.
E mais: a solidariedade corporativa se manifesta de forma explícita. Por parte de empresas de mídia, quando se recusam a colocar setores de seu negócio entre os suspeitos da prática de crimes, violando assim o direito à informação do cidadão e o seu dever (dela, mídia) de informar. Por parte de jornalistas, que alegam estarem sujeitos a eventuais relacionamentos “de boa fé” com “fontes” criminosas no exercício profissional do chamado jornalismo investigativo.
Será que – na nossa história política recente – o recurso retórico ao papel de fiscalizadora da coisa (res) pública não estaria servindo de blindagem (para usar um termo de agrado da grande mídia) à indisfarçável partidarização da grande mídia e também, mais do que isso, de disfarce para crimes praticados em nome do jornalismo investigativo?
Imprensa partidária
Historiadores da imprensa periódica nos países onde ela primeiro floresceu, sobretudo Inglaterra, França e Estados Unidos, concordam que ela – ou o de mais parecido com aquilo que hoje entendemos como tal – nasceu vinculada à política e aos partidos políticos. Numa segunda fase, transformou-se em empresa comercial, financiada por anunciantes e leitores. No Brasil, as circunstâncias históricas, certamente nos diferenciam dos países citados, mas não há distinção em relação às origens políticas e partidárias da imprensa nativa.
Foi Antonio Gramsci, referindo-se à imprensa italiana do início do século 20, quem primeiro chamou a atenção para o fato de que os jornais se transformaram nos verdadeiros partidos políticos. Muitos anos depois, entre nós, Octavio Ianni chamou a mídia de “o Príncipe eletrônico”.
Apesar disso, a imprensa que passa a se autodenominar de “independente” é aquela que é financiada, sobretudo, pelos anunciantes e, ao longo do tempo, reivindica sua legitimação no princípio liberal do “mercado livre de ideias”, externo e/ou interno à própria imprensa.
No Brasil dos nossos dias, até mesmo os empresários da grande mídia admitem seu caráter partidário como, aliás, já afirmou publicamente a presidente da ANJ.
Jornalismo investigativo
O chamado “jornalismo investigativo” acabou levando a grande mídia a disputar diretamente a legitimidade da representação do interesse público, tanto em relação ao papel da Justiça – investigar, denunciar, julgar, condenar e, eventualmente, perdoar – como em relação à política institucionalizada de expressão da “opinião pública” pelos políticos profissionais eleitos e com cargo nos executivos e nos parlamentos.
Ademais, o assumido papel de oposição partidária parece estar levando setores da grande mídia a não diferenciar “jornalismo investigativo” – e/ou relação com “fontes” – e o exercício de uma prática profissional que escorrega perigosamente para o crime, sem qualquer limite ético e/ou legal.
Jornalismo investigativo e cumplicidade com práticas criminosas podem estar sendo confundidos. Vale, portanto, lembrar a afirmação de Paul Virilio: “A mídia é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra”.
Parece que, lamentavelmente, atingimos a esse perigoso e assustador limite no Brasil.
Venício Lima é Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
os incomodados que se retirem
A pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, divulgada antes da semana santa, confirma que a popularidade da presidenta Dilma Rousseff aumentou cinco pontos percentuais, passando de 72%, em dezembro de 2011, para 77%, em março de 2012.
O percentual de pessoas que confiam em Dilma subiu de 68% para 72%, no mesmo período. Manteve-se estável em 56% a parcela da população que considera o governo ótimo ou bom.
Enquanto isso, o IBGE divulgou nesta semana que a inflação do primeiro trimestre de 2012 é a mais a mais baixa dos últimos 12 anos.
Os dados do IBGE desmoralizam alguns “calunistas” da mídia, os tais especialistas em economia, que mais se parecem com agentes dos banqueiros. Desde que o Banco Central iniciou a gradual redução da taxa básica de juros, em meados no ano passado, eles profetizaram que ainflaçaõ iria explodir e que a economia brasileira entraria em parafuso. Cadê a “explosão inflacionária”?
Há muito o que fazer para incluir milhões de brasileiros nas benesses da “Pátria amada Brasil”, mas que a presidenta Dilma está chegando lá não resta dúvida.
Que os incomodados e saudosistas dos FHCs do passado não esqueçam de onde viemos e onde chegamos.
domingo, 8 de abril de 2012
pedras no caminho?
![]() |
| Fernando Pessoa 1888-1935 |
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
a vida de pedro casaldaliga em minissérie
- publico porque gosto dele e da notícia também-
A vida de dom Pedro Casaldáliga, 84 anos, bispo emérito de São Felix de Araguaia (Mato Grosso), vai virar minissérie de TVs espanhola e brasileira.
O missionário catalão chegou ao Brasil em 1968, como conta o jornalista Francesc Escribano no livro “Descalço na terra roxa”, no qual se baseia a minissérie. A minissérie será produzida pela TV Brasil, TVc, TVe e Raiz Produções Cinematográficas. “Terra Roxa” terá 13 episódios de 22 minutos cada. Na Espanha, irá ao ar em dois episódios de 85 minutos.
O papel do religioso, que defendeu a democracia em plena ditadura militar brasileira (1964-1985) e enfrentou latifundiários e posseiros de terras, ficou com o premiado ator espanhol Eduard Fernández, que veio até o Araguaia conhecer dom Pedro Casaldáliga.
Desde que foi nomeado bispo da Prelazia de São Felix de Araguaia, em 23 de outubro de 1971, nunca deixou o Mato Grosso, com exceção de uma visita a Nicarágua em 1985 e algumas audiências na Santa Sé.
fonte: Focando a Notícia
A vida de dom Pedro Casaldáliga, 84 anos, bispo emérito de São Felix de Araguaia (Mato Grosso), vai virar minissérie de TVs espanhola e brasileira.
O missionário catalão chegou ao Brasil em 1968, como conta o jornalista Francesc Escribano no livro “Descalço na terra roxa”, no qual se baseia a minissérie. A minissérie será produzida pela TV Brasil, TVc, TVe e Raiz Produções Cinematográficas. “Terra Roxa” terá 13 episódios de 22 minutos cada. Na Espanha, irá ao ar em dois episódios de 85 minutos.
O papel do religioso, que defendeu a democracia em plena ditadura militar brasileira (1964-1985) e enfrentou latifundiários e posseiros de terras, ficou com o premiado ator espanhol Eduard Fernández, que veio até o Araguaia conhecer dom Pedro Casaldáliga.
Desde que foi nomeado bispo da Prelazia de São Felix de Araguaia, em 23 de outubro de 1971, nunca deixou o Mato Grosso, com exceção de uma visita a Nicarágua em 1985 e algumas audiências na Santa Sé.
fonte: Focando a Notícia
a páscoa e a menina morta...
Sexta-Feira Santa 2012....
A Ressurreição depende da mudança de atitude diante da vida
recebi e passo adiante
Amig@s, hoje estou particularmente triste com a noticia da morte de uma criança de 11 anos, do sexo feminino, brutalmente violentada, estuprada e assassinada no parque ecológico da timbaúbas, em Juazeiro. As circunstâncias nas quais a menina foi encontrada são terríveis, e os motivos do crime, pelo que se comenta, envolve uma teia de negociações hediondas.
Não quero aqui julgar ninguém, mas sim, suscitar algumas questões passíveis de reflexões por parte de tod@s nós:
1. Os personagens dessa terrível história estão inseridos no contexto de uma comunidade violenta, no sentido mais amplo da palavra, largados à própria sorte, desassistidos de politicas públicas (e aqui falo de politicas publicas eficazes, que venham atender às demandas sociais. Postos de saúde e escolas sem qualidade de educação não podem se encaixar nessa configuracão, pois sabemos que representam muito mais a inoperância e a ineficácia do poder publico frente aos problemas sociais);
2. O índice de natalidade nessa comunidade é altíssimo: é comum meninas de 15 anos já serem mães, e já estarem grávidas novamente;
3. Essas crianças crescem absorvendo toda a falta de estrutura da família e da comunidade em seu entorno, presenciando, muitas vezes, situações de extrema violência familiar;
4. Que futuro nos aguarda diante desse quadro, no qual estamos tod@s inserid@s?
5. Por meio das nossas ações, ou pela falta delas, produzimos diariamente a miséria social. Extratificamos as populações por níveis de renda, segregamos as populações de baixa renda e delas são subtraídos os direitos que lhe são legítimos, e assim contribuímos para a producão de comunidades violentas, com baixíssimos índices de desenvolvimento humano e altíssimos índices de exclusão;
6. A miséria social é uma questão de ética, ou da falta dela;
7. Assim como não cuidamos da natureza, também não cuidamos das pessoas, e assim como a natureza se revolta e traz à cena catástrofes ambientais, a revolta do social também provoca terríveis catástrofes, como essa que aconteceu agora em Juazeiro;
8. Se não quisermos nos transformar em mais uma megalópole caótica, constituída pelos centros urbanos CRA-JU-BAR, precisamos começar a tomar providências urgentes. A primeira delas é sabermos que estamos em processo de desenvolvimento e que essa é a hora de planejarmos esse desenvolvimento. Participarmos da vida política da região de forma mais atuante, dizendo não aos "ratos" e "urubus" pode ser um bom começo;
9. Assistir passivamente à desgraça social é, no minimo, uma atitude de egoismo e individualismo;
10. Pedir a Deus que ele abençoe à nossa família é uma atitude muito cômoda, simplesmente porque é muito fácil ser abençoado quando se tem condições financeiras de erguer abrigos anti-nucleares para proteger os seus nessa guerra de classes;
11. Não há desenvolvimento sem equidade social, liberdade de escolha, politicas publicas integradas e abrangentes, ética social. Crescimento econômico sem crescimento das oportunidades sociais, sem o devido atendimento às demandas sociais, sem considerar as demais dimensões do processo social , não é desenvolvimento, e sim o fermento do grande bolo do caos;
12. As comunidades desassistidas são problemas nossos...nós contribuimos para as suas existências, e não é com acoes assistencialistas e clientelistas que podemos ajuda-las. Precisamos pensar maneiras de exercer a nossa cidadania de forma realmente comprometida. Cada um de nós é sujeito politico, atuante no processo...
13. A morte dessa menina é um problema nosso...
Mano Granjeiro
postado no blog: www.emoutrohemisferio.blogspot.com
A Ressurreição depende da mudança de atitude diante da vida
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| foto: Sebastião Salgado |
Amig@s, hoje estou particularmente triste com a noticia da morte de uma criança de 11 anos, do sexo feminino, brutalmente violentada, estuprada e assassinada no parque ecológico da timbaúbas, em Juazeiro. As circunstâncias nas quais a menina foi encontrada são terríveis, e os motivos do crime, pelo que se comenta, envolve uma teia de negociações hediondas.
Não quero aqui julgar ninguém, mas sim, suscitar algumas questões passíveis de reflexões por parte de tod@s nós:
1. Os personagens dessa terrível história estão inseridos no contexto de uma comunidade violenta, no sentido mais amplo da palavra, largados à própria sorte, desassistidos de politicas públicas (e aqui falo de politicas publicas eficazes, que venham atender às demandas sociais. Postos de saúde e escolas sem qualidade de educação não podem se encaixar nessa configuracão, pois sabemos que representam muito mais a inoperância e a ineficácia do poder publico frente aos problemas sociais);
2. O índice de natalidade nessa comunidade é altíssimo: é comum meninas de 15 anos já serem mães, e já estarem grávidas novamente;
3. Essas crianças crescem absorvendo toda a falta de estrutura da família e da comunidade em seu entorno, presenciando, muitas vezes, situações de extrema violência familiar;
4. Que futuro nos aguarda diante desse quadro, no qual estamos tod@s inserid@s?
5. Por meio das nossas ações, ou pela falta delas, produzimos diariamente a miséria social. Extratificamos as populações por níveis de renda, segregamos as populações de baixa renda e delas são subtraídos os direitos que lhe são legítimos, e assim contribuímos para a producão de comunidades violentas, com baixíssimos índices de desenvolvimento humano e altíssimos índices de exclusão;
6. A miséria social é uma questão de ética, ou da falta dela;
7. Assim como não cuidamos da natureza, também não cuidamos das pessoas, e assim como a natureza se revolta e traz à cena catástrofes ambientais, a revolta do social também provoca terríveis catástrofes, como essa que aconteceu agora em Juazeiro;
8. Se não quisermos nos transformar em mais uma megalópole caótica, constituída pelos centros urbanos CRA-JU-BAR, precisamos começar a tomar providências urgentes. A primeira delas é sabermos que estamos em processo de desenvolvimento e que essa é a hora de planejarmos esse desenvolvimento. Participarmos da vida política da região de forma mais atuante, dizendo não aos "ratos" e "urubus" pode ser um bom começo;
9. Assistir passivamente à desgraça social é, no minimo, uma atitude de egoismo e individualismo;
10. Pedir a Deus que ele abençoe à nossa família é uma atitude muito cômoda, simplesmente porque é muito fácil ser abençoado quando se tem condições financeiras de erguer abrigos anti-nucleares para proteger os seus nessa guerra de classes;
11. Não há desenvolvimento sem equidade social, liberdade de escolha, politicas publicas integradas e abrangentes, ética social. Crescimento econômico sem crescimento das oportunidades sociais, sem o devido atendimento às demandas sociais, sem considerar as demais dimensões do processo social , não é desenvolvimento, e sim o fermento do grande bolo do caos;
12. As comunidades desassistidas são problemas nossos...nós contribuimos para as suas existências, e não é com acoes assistencialistas e clientelistas que podemos ajuda-las. Precisamos pensar maneiras de exercer a nossa cidadania de forma realmente comprometida. Cada um de nós é sujeito politico, atuante no processo...
13. A morte dessa menina é um problema nosso...
Mano Granjeiro
postado no blog: www.emoutrohemisferio.blogspot.com
quinta-feira, 5 de abril de 2012
a igreja do avental
Daqui a uma hora estarei celebrando, mais uma vez, a Ceia do Senhor com as mulheres do Presídio Feminino. Não faltará o lava-pés. Por enquanto, prefiro postar novamente a reflexão da Quinta-Feira Santa do ano passado. Só para resfrescar a memória. Ainda mais que, na época, alguém comentou minha postagem no site da Canção Nova com ar de deboche. São alguns trechos da homilia do bispo italiano Tonino Bello. Foi defensor dos migrantes perseguidos pelos governos da Europa e promotor da Justiça e Paz e da integridade da Criação. Assumiu posturas intransigentes contra a fabricação e o tráfico de armas. Faleceu em 1993.
Jesus levantou-se da mesa, tirou as suas vestes, pegou uma toalha e em amarrou-a na cintura
Se não começamos daqui, a partir do altar, de uma vida de oração, é inútil falar de evangelho, de reino e de paz. Não basta, no entanto, permanecer na Igreja: a Missa é uma força que empurra para fora! A Missa nos força a deixar a mesa, nos impele para a ação. Ela nos incentiva a investir o fogo que temos recebido em gestos e dinâmicas e missionárias...
Que vestes?As vestes do lucro, do cálculo, do interesse pessoal, do domínio e do poder... Se sonhamos de ficar ricos, de ter carreiras de sucesso, de prevalecer sobre o outro, se desejamos dobrar, triplicar o salário, deixamos essa igreja! Se em nossa casa cultuamos a lógica da acumulação, do luxo, do desperdício, da mentalidade burguesa, deixamos essa igreja!
Amarrou na cintura o avental
Falo muitas vezes da Igreja do avental. O avental é a toalha, a única veste sacra mencionada no Evangelho. Jesus não colocou a casula, a estola... Amarrou na cintura uma toalha... Só se tivermos servido pdemos falar, anunciar o Evangelho com credibilidade. A única porta que nos leva para a casa de credibilidade é a porta de serviço.
Depois de lavar os pés dos discípulos, tomou as suas vestes, sentou-se novamente e falou
Jesus fala após ter servido. Se nossas palavras não são alicerçadas em uma ação forte e exemplar, nada produzem. É por isso que gostaria de inflamar o vosso coração e o vosso compromisso para o serviço em suas comunidades em favor dos mais pobres. Hoje, especialmente, a serviço dos excluídos, dos últimos da sociedade. Eles também são nossos irmãos, com direitos que devem ser defendidos. Só no serviço aos últimos entramos na lógica da Eucaristia.
Jesus levantou-se da mesa, tirou as suas vestes, pegou uma toalha e em amarrou-a na cintura
Se não começamos daqui, a partir do altar, de uma vida de oração, é inútil falar de evangelho, de reino e de paz. Não basta, no entanto, permanecer na Igreja: a Missa é uma força que empurra para fora! A Missa nos força a deixar a mesa, nos impele para a ação. Ela nos incentiva a investir o fogo que temos recebido em gestos e dinâmicas e missionárias...
Que vestes?As vestes do lucro, do cálculo, do interesse pessoal, do domínio e do poder... Se sonhamos de ficar ricos, de ter carreiras de sucesso, de prevalecer sobre o outro, se desejamos dobrar, triplicar o salário, deixamos essa igreja! Se em nossa casa cultuamos a lógica da acumulação, do luxo, do desperdício, da mentalidade burguesa, deixamos essa igreja!
Amarrou na cintura o avental
Falo muitas vezes da Igreja do avental. O avental é a toalha, a única veste sacra mencionada no Evangelho. Jesus não colocou a casula, a estola... Amarrou na cintura uma toalha... Só se tivermos servido pdemos falar, anunciar o Evangelho com credibilidade. A única porta que nos leva para a casa de credibilidade é a porta de serviço.
Depois de lavar os pés dos discípulos, tomou as suas vestes, sentou-se novamente e falou
Jesus fala após ter servido. Se nossas palavras não são alicerçadas em uma ação forte e exemplar, nada produzem. É por isso que gostaria de inflamar o vosso coração e o vosso compromisso para o serviço em suas comunidades em favor dos mais pobres. Hoje, especialmente, a serviço dos excluídos, dos últimos da sociedade. Eles também são nossos irmãos, com direitos que devem ser defendidos. Só no serviço aos últimos entramos na lógica da Eucaristia.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
quem avisa...amigo é
Não foi por falta de aviso e de paciência. O acordo firmado entre a Secretaria de Justiça e Cidadania (SEJUS) e a categoria dos Agentes Penitenciário do Estado do Ceará (Sindasp) fixava para o dia 30 de março o prazo limite para o Governo do Estado enviar para a Assembléia Legislativa a mensagem autorizando reajuste salarial retroativo a janeiro de 2012 e aumento da Gratificação por Atividade de Risco, de 40% a 60%.
Na manhã do dia 29 de março muitos agentes penitenciários ocupavam a galeria do Plenário da Assembléia Legislativa onde deputados de diferentes partidos se pronunciaram em favor das reivindicações dos agentes petenciários, enquanto aguardavam a chegada da mensagem do goverdador Cid Gomes. A greve anunciada caso descumprimento do acordo, foi deflagrada no fim de tarde do dia 30. Na mesma noite, a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindasp-CE) Socorro Marques foi detida por ordem do major Plauto, diretor do IPPOO II. A partir daí, "ordens superiores" deram o aval à pior repressão militar jamais vista, diante dos portões de várias Penitenciárias da Comarca de Fortaleza. Mais 20 agentes penitenciários foram de tidos e liberados em seguida.
As imagens abaixo são do Tuno Veira do Diário do Nordeste.
Na manhã do dia 29 de março muitos agentes penitenciários ocupavam a galeria do Plenário da Assembléia Legislativa onde deputados de diferentes partidos se pronunciaram em favor das reivindicações dos agentes petenciários, enquanto aguardavam a chegada da mensagem do goverdador Cid Gomes. A greve anunciada caso descumprimento do acordo, foi deflagrada no fim de tarde do dia 30. Na mesma noite, a presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindasp-CE) Socorro Marques foi detida por ordem do major Plauto, diretor do IPPOO II. A partir daí, "ordens superiores" deram o aval à pior repressão militar jamais vista, diante dos portões de várias Penitenciárias da Comarca de Fortaleza. Mais 20 agentes penitenciários foram de tidos e liberados em seguida.
As imagens abaixo são do Tuno Veira do Diário do Nordeste.
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