terça-feira, 30 de novembro de 2010

OS PERIGOS DA CIDADE

SALVE LINDO PENDÃO...

Há mais de três meses enfeitando o cruzamento do Hemoce e o Hospital das Clínicas, na rua Alexandre Barauna - Bairro Bela Vista.



                                         foto tirada às 15 hs do dia 30 de Novembro de 2010
                                               Primeiro registro de uma longa série. Aguarde.

domingo, 28 de novembro de 2010

"Retome o caminho de antes!" (Ap 2,5)


Terminou ontem (domingo, 28/11/10), ao meio-dia, a assembléia anual das Comunidades Eclesiais de Base da Arquidiocese de Fortaleza que reuniu no Centro de Pastoral Maria, Mãe da Igreja, desde a noite de sexta, aproximadamente cem representantes de comunidades da periferia da capital, bem como de paróquias da região serrana. Sob o lema
O encontro foi iluminado, desde a noite de abertura, por leituras incisivas tiradas do livro do Apocalipse, coisas que "o Espírito diz às igrejas" de hoje (Ap 2-3). Dentre as frases mais refletidas e repetidas pel@s "cebian@s" estava essa: "Você abandonou o seu primeiro amor...[...] Converta-se e retome o caminho de antes!" A causa da "refundação" das CEBs logo começou a tomar conta da assembléia. Foi prestado um lindo tributo ao grande compositor litúrgico das CEBs e Pastorais Sociais, o mineiro Zé Martins, falecido há um ano: Vários dos seus mais célebres hinos foram entoados, com muita emoção, na sexta-feira à noite. O bingo de um violão, em benefício da sustentação do próprio evento, encerrou o momento de abertura.
Sábado foi dia de estudo e trabalho em grupos.
De manhã, tod@s se inteiraram do conteúdo do Documento Nº 92 da CNBB, intitulado "Mensagem ao Povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base". O clima de "refundação das CEBs" que já permeava a assembléia se intensificou ainda mais com a grande valorização das comunidades de base por parte de nossos bispos. Eis alguns trechos: "Reunindo pessoas humildes, as CEBs ajudam a Igreja a estar mais comprometida com a vida e o sofrimento dos pobres, como fez Jesus" (p.16); "São as relações de reciprocidade que, promovendo a solidariedade que é a força dos pobres e pequenos, permitem que se diga que ‘Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias" (p.8).
À tarde, o assessor Pe. Vileci, da diocese do Crato, expôs todo o plano de preparação do 13º Encontro Intereclesial de CEBs que acontecerá em 2013, em Juazeiro do Norte, e deverá receber milhares de delegad@s de CEBs do Brasil inteiro. Vai "chover cebian@s" em nosso Ceará! Vileci esclareceu a necessidade de um envolvimento de todas as dioceses do Regional neste processo de preparação. Prontamente foi formada, na Assembléia, uma comissão arquidiocesana de divulgação e arrecadação financeira do "XIIIº".
A resolução mais importante da manhã de domingo foi o prolongamento da Campanha das CEBs pela redução da Taxa de Esgoto, com sua coleta de assinaturas em todo o município de Fortaleza: ocorrerá até o dia 19 de março de 2011. No dia 10 de dezembro próximo as CEBs estarão na Praça do Ferreira, com um stand para colher assinaturas dos transeuntes. Uma manifestação pública que acompanhará a entrega das assinaturas à CAGECE está prevista para o dia 22 de março, Dia Mundial das Águas.
Uma celebração eucarística rica em depoimentos emocionantes dos participantes e em ações de graça ao Deus da Libertação – especialmente pelos quatro "anciãos" da caminhada que a concelebraram, a saber, Pe. Martinho, Pe. Marco Passerini, Pe. Eduardo e Pe. Lino – foi o ápice deste final de semana maravilhoso. O encontro se encerrou com um almoço comunitário, um verdadeiro "banquete do reino de Deus"!
Agora, é arregaçar as mangas e trabalhar nas comunidades para que tudo aconteça como foi planejado... Afinal, como diz o Credo das CEBs, "entrar na luta é pra já, aleluia é pra depois!"
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
"Toda essa gente organizada...", os participantes celebraram vivamente sua fé no Deus Libertador dos Pobres, como realizaram estudos e planejamentos importantes para a caminhada no ano que vem. A Assembléia foi viabilizada, inteiramente, através do esforço conjunto dos próprios agentes comunitários e de doações generosas de algumas apoiadoras – que Deus as abençoe!
                                                                                                    CarlosTursi da coord. arquidiocesana 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

penoso e ridículo

Continuo tendo minhas dúvidas e perplexidades toda vez que a mídia traz à tona  (e por vezes á toa)  o posicionamento oficial da Igreja Católica relativo a temas inerentes à questão do exercício da sexualidade dos filhos e filhas do bom Deus. Tema este que diz respeitos não só aos católicos mas a toda e qualquer criatura humana. De um lado, a pretensão de educar as novas e as velhas gerações repetindo argumentações desgastadas, às vezes porque inoportunas, outras vezes porque anacrônicas. Do outro lado, a cúmplice ridicularização de um assunto que, por ser de primordial importância nunca deveria ser tratado, pela mídia, de  forma debochada e irresponsável.
 Apesar do indiscutível papel histórico de educadora das consciências e dos comportamentos humanos, na minha pobre opinião, a Igreja católica continua pecando pela sua incapacidade  de aceitar a dialética da vida humana e,  trilhando o caminho do diálogo humilde e desarmado, buscar  respostas mais adequadas e menos dogmáticas e intolerantes. Me  pergunto, que  espaço os donos das verdades religiosas estão deixando à liberdade de consciência de seus fiéis adultos sem que paire sobre eles o medo do inferno, a exclusão dos sacramentosou algum outro anátema?
Mas pecam muito mais, por leviandade e descompromisso, certos comunicadores cuja habilidade continua sendo a de confundir e desviar à atenção da população dos verdadeiros problemas que ameaçam a humanidade e o planeta.  Todo este preâmbulo foi só para dizer que adorei a resposta tempestiva do jornalista alemão Peter Seewald  que qualificou de “penoso e ridículo o enfoque da mídia à questão do uso do preservativo, apesar da ampliação dos temas abordados no livro de entrevistas com o papa.  “Nosso livro aborda a sobrevivência do planeta ameaçado, o papa faz um apelo a toda a humanidade, nosso mundo desmorona e a metade dos jornalistas não se interessa senão pela questão do preservativo”, lamentou o jornalista na apresentação do livro "Luz do mundo".

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA? - José Comblin - (5)

Na América Latina apareceu algo

Conhecemos um novo franciscanismo, ou seja, uma nova etapa, mas radical, de vida evangélica. Quando nasceu? Falei dos bispos que participaram disso e que animaram Medellín e da opção pelos pobres, dos santos padres da América Latina. E vocês os conhecem. Se for preciso marcar a origem do novo evangelismo da Igreja latino-americana, eu diria – não se esqueçam – dia 16 de novembro de 1965. Nesse dia, em uma catacumba de Roma, 40 bispos, a maioria latino-americanos, incitados por Helder Câmara, se juntaram e assinaram o que se chamou de "Pacto das Catacumbas". Ali se comprometeram a viver pobres, na alimentação. Se comprometeram e, de fato o fizeram depois, uma vez que chegaram às suas dioceses. E depois, priorizar em todas as suas atividades o que é dos pobres, ou seja, deixando muitas coisas para se dedicar prioritariamente aos pobres e uma série de coisas que vão no mesmo sentido. Foram eles que animaram a Conferência de Medellín. Ou seja, nasceu aqui.

E tiveram um contexto favorável. O Espírito Santo já naquele tempo havia suscitado uma série de pessoas evangélicas. As Comunidades Eclesiais de Base já tinham nascido. Já havia religiosas inseridas nas comunidades populares. Mas, eram poucos e se sentiam um pouco marginalizados no meio dos outros. Medellín lhes deu como que legitimidade e ao mesmo tempo uma animação muito grande, e se expandiu. Foi toda a Igreja latino-americana? Claro que não. Sempre é uma minoria. Um dia, me lembro, um jornalista perguntou ao cardeal Arns – um santo, com quem vivemos muito boas relações de amizade: "você, senhor cardeal, aqui em São Paulo tem muita sorte, toda a Igreja se fez Igreja dos pobres, as monjas todas a serviço dos pobres, que coisa magnífica!". Aí, Dom Paulo disse: "Sim, pois, aqui em São Paulo 20% das religiosas foram às comunidades pobres; 80% ficaram com os ricos". Era muito. Atualmente, não há 20%.

Isto foi uma época de criação, uma dessas épocas em que há, às vezes, na história com uma efusão muito grande do Espírito. Mas temos que viver essa herança. É uma herança que é preciso manter, conservar preciosamente porque isso não vai reaparecer. Às vezes me perguntam: Por que hoje os bispos não são como naquele tempo? Porque aquele tempo foi uma exceção, ou seja, na história da Igreja é exceção. De vez em quando o Espírito Santo manda exceções.

E quem vai evangelizar o mundo de hoje? Para mim, são os leigos. E já aparecem muitos grupinhos de jovens que justamente praticam uma vida muito mais pobre, livre de toda organização exterior, vivendo em contato permanente com o mundo dos pobres. Já existem. Haveria mais se se falasse mais, se fossem mais conhecidos. Pode ser uma tarefa também auxiliar da teologia: divulgar o que está realmente acontecendo, onde o Evangelho está sendo vivido neste momento, para dá-lo a conhecer, para que se conheçam mutuamente, porque do contrário podem perder ânimo ou não ter muitas perspectivas. Uma vez que se unam, formem associações, cada qual com sua tendência, seu modo de espiritualidade. Não espero muito do clero. Então é uma situação histórica nova.

Mas acontece que os leigos deixaram de ser analfabetos; isso já faz tempo. Eles têm uma formação humana, uma formação cultural, uma formação de sua personalidade que é muito superior ao que se ensina nos seminários. Ou seja, têm mais preparação para agir no mundo, mesmo que não tenham muita teologia. Se poderia dar mais teologia, mas isso é outro assunto. Agora, não vamos pensar que amanhã quem vai colocar em prática o programa de Aparecida serão os sacerdotes. Eu não conheço tudo, mas levando em conta os seminários que eu conheço, as dioceses que eu conheço, seriam necessários 30 anos para formar um clero novo. E quem vai formá-lo? Para os leigos é diferente. Há muitíssimas pessoas dispostas, e pessoas com formação humana, com capacidade de pensar, de refletir, de entrar em relação e contatos, de dirigir grupos, comunidades... Mas muitos ainda não se atrevem, não se atrevem. Mas aí está o futuro.
Para terminar, uma anedota: me chamaram para ir a Fortaleza, no nordeste do Brasil. Atualmente, Fortaleza é uma cidade muito grande – um milhão de habitantes (sic!). A Santa Sé havia afastado, marginalizado o cardeal Aloísio Lorscheider, mandando-o ao exílio em Aparecida, que é um lugar de castigo para os bispos que não agradam. Então, veio um sucessor, Dom Cláudio Hummes, que agora é cardeal em Roma. Cláudio Hummes suprimiu tudo o que havia de social na diocese, despediu todos: 300 pessoas com a longa trajetória de serviço, com capacidade humana. Um dia me chamaram: eram 300, chorando, lamentando: "e agora não podemos fazer nada. E agora, o que vai acontecer?". Eu lhes disse: "mas, vocês são pessoas perfeitamente humanizadas, desenvolvidas, com uma personalidade forte. Tiveram êxito em sua família, tiveram êxito em suas carreiras, em seus trabalhos profissionais. Do que agora se preocupam se o bispo quer ou não quer? Por que se preocupam se o pároco quer ou não quer? Vocês têm formação suficiente e a capacidade. Por que não agem, não formam uma associação, um grupo, de forma independente? Porque o Direito Canônico – o que muitos católicos não sabem – permite a formação de associações independentes do bispo, independentes do pároco. Isso não se ensina muito nas paróquias, mas é justamente algo que é importante. Então, vocês podem muito bem reunir 4, 5 pessoas para organizar um sistema de comunicação, um sistema de espiritualidade, um sistema de organização de presença na vida pública, na vida política, na vida social: 300 pessoas com esse valor. Se paga, tem que pagar a 5, cada um vai gastar nem sequer 2% do que ganha, ou seja, podem muito bem manter 5 pessoas dedicadas a isso. E vão escolhê-los entre 25 e 30 anos porque essa é a época criativa. Até os 25 o ser humano se busca. A partir deste momento termina seus estudos e já conseguiu um trabalho. Então já quer definir sua vida: estes são os que têm capacidade de inventar. Todas as grandes invenções se deram por gente com essa idade". Mas não o fizeram. Por quê? O que acontece? Por que tanta timidez? "Vocês que são tão capazes no mundo, na Igreja nada!" Não se sentiam capazes, necessitavam do bispo que lhes dissesse o que fazer, necessitam de sacerdotes que lhes digam o que fazer. Como é possível? Certamente, não se lhes ensinou. Podem ser adultos na vida civil e crianças na vida religiosa.

Mas nós podemos! Nós podemos fazê-lo e multiplicá-lo em todas as regiões que vamos conhecer. Então, o futuro depende de grupos de leigos semelhantes, que já existem mesmo que ainda estejam muito dispersos. O futuro está aí, é tarefa de todos, começando pelos jovens. No Brasil há neste momento seis milhões de estudantes universitários. Dois milhões, são de famílias pobres – são pobres os que ganham menos de três salários mínimos, porque com menos disso não se pode viver decentemente. Dois milhões. E qual é a presença do clero? Pouquíssima. Alguns religiosos. Das dioceses? Nada. E ali está o futuro. São jovens que estão descobrindo o mundo. Claro, há alguns que entram no mundo das drogas, que se corrompem, mas é uma minoria. Ou seja, o conjunto são pessoas que querem fazer algo na vida. Se não conhecem o Evangelho não vão viver como cristãos. É preciso explicar, mas não explicar com cursos de teologia, mas explicar fazendo, participando de atividades que de fato são realmente serviços aos pobres. Isso é possível fazer.
Tarefa da teologia. Então será preciso mudar um pouquinho: menos acadêmico, mais orientado para o mundo exterior... com todos os que não estão mais na rede de influxo da Igreja, que não recebem. Mas, presença nisso. E uma teologia que se possa ler, sem ter formação escolástica, porque anteriormente se não se tinha formação aristotélica não se podia entender nada dessa teologia tradicional. Bom, a filosofia aristotélica morreu, ou seja, os filósofos do século XX a enterraram. Agora temos liberdade para ver no mundo como nos abrimos.

Obrigado pela atenção de vocês!

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA? - José Comblin - (4)

Tarefa da teologia: no Evangelho e na religião

A partir disso, qual é a tarefa da teologia? É complexa, justamente porque tem uma tarefa no Evangelho e uma tarefa na religião. A teologia foi durante séculos a ideologia oficial da Igreja. Seu papel era justificar tudo o que a Igreja diz e faz com argumentos bíblicos, com argumentos da tradição, liturgia, e um monte de coisas que eu aprendi quando estava no seminário. Claro que não acreditava nisso (risos), mas a maioria ainda crê nisso. Então, o que acontece?

Primeira tarefa: o que diz o Evangelho?

Primeira tarefa: o que diz o Evangelho? O que é de Jesus? O que é penetração do judaísmo, de outra cultura, de outro tipo de religião? O que vem de Jesus segundo o Novo Testamento? Todo o Novo Testamento não vem de Jesus? Não, as Epístolas pastorais que falam, por exemplo, dos presbíteros, isso não vem de Jesus. Então, a tarefa da teologia consistirá em dizer o que é de Jesus, o que realmente quis, o que realmente fez e em que consiste realmente o seguimento de Jesus.

Vendo a história, quais foram as manifestações, onde, em formas diferentes – porque as situações culturais eram diferente –, onde podemos reconhecer a continuidade dessa linha Evangélica? Porque se quisermos penetrar no mundo de hoje e apresentar o cristianismo ao mundo de hoje, tudo o que é religioso não interessa. O que pode interessar é justamente o Evangelho e o testemunho evangélico. Ninguém vai se converter pela teologia. Você pode fazer todas as melhores aulas, ninguém vai se fazer cristão por causa da teologia. Por isso, me pergunto: por que nos seminários se crê que a formação sacerdotal é ensinar a teologia? Eu não entendo, não entendo. Não há outra coisa necessária para evangelizar? Não é muito mais complexo? Por isso faz 30 anos que decidi, na presença de Deus, nunca mais trabalhar em seminários (risos).

Então, a linha evangélica é essa – São Francisco. São Francisco era um extremista. Não queria que seus irmãos tivessem livros: nada de livros. Com o Evangelho basta, não se necessita nada mais. Ele próprio dizia: "Eu, o que ensino, não aprendi de ninguém, nem do papa; o aprendi de Jesus diretamente, por seu Evangelho". Bom, isso é o que pode convencer o mundo de hoje que está em uma perturbação completa e que se afasta sempre mais das Igrejas institucionais antigas, tradicionais. Quase todas as grandes religiões nasceram entre os anos 1.000 e 500 antes de Cristo, salvo o Islã que apareceu depois, mas que é um ramo da tradição judeu-cristã.

O que fazer com a religião?

Segundo, a religião. O que fazer com a religião? É preciso examinar em todo o sistema de religião, o que ajuda, o que realmente ajuda a entender, a compreender, a agir segundo o Evangelho. Isso terá nascido por inspiração do Espírito em monges, por exemplo? Se você olha a vida dos monges do deserto no Egito, isso não é uma mensagem. Não é uma mensagem e também não vem do Evangelho. Ou seja, muitas coisas vêm não se sabe de que tradição, talvez pode ter sido do budismo ou outras coisas assim. Então, examinar o que é o que ainda vale hoje, e sinceramente.

Jesus não instituiu 7 sacramentos. Até o século XII se discutia se eram 10, 7, 5, 9, 4. Não havia acordo. Finalmente, decidiram que havia 7. Bom, por motivos dos 7 dias do Gênesis, 7 planetas, o número 7... mas há coisas que visivelmente já não falam para as pessoas de hoje. Por exemplo, o sacramento da penitência com confissão a um sacerdote. Quantos se confessam atualmente? Há 20 anos, eu atendia na Semana Santa, em uma paróquia popular, 2.000 confissões, e o pároco outras tantas. Atualmente, 20, 30, ou seja, as pessoas já não respondem mais. Isso foi definido no século XII, XIII. Por que manter algo que já não tem nenhum significado e, ao contrário, provoca muita recusa? Ou seja, que alguém necessite falar com alguém, que o pecador goste de falar com alguém, mas não justamente ao sacerdote. Há muitas pessoas, muitas mulheres, que podem exercer esse ofício muito melhor, com mais equilíbrio, sem atemorizar como fazem os sacerdotes. Isso é uma coisa.

Mas há um monte de coisas que é necessário revisar porque não têm futuro. É inútil querer defender ou manter algo que já é obstáculo para a evangelização e que não ajuda absolutamente em nada. Nas liturgias há muitas coisas que mudar. A teoria do sacrifício foi introduzida pelos judeus, naturalmente. No templo se oferece sacrifícios, os sacerdotes são pessoas sagradas que oferecem o sacrifício. Toda essa teoria, atualmente não significa absolutamente nada. Que o padre seja dedicado ao sagrado para oferecer o sacrifício e que a Eucaristia seja um sacrifício, tudo isto vem de Jesus? Ah, não vem de Jesus. Então, é preciso ver se isso vale ou não vale. Para que manter algo que não vale?

E depois há também a outra parte: o que não ajuda, o que tem sido infiltração de outras tendências, outras correntes. Por exemplo, a vida ascética dos monges irlandeses. A Irlanda foi a ilha dos monges. Ali os bispos não tinham autoridade. Serviam apenas para ordenar sacerdotes, mas para as outras coisas podiam descansar. Quem mandava eram os monges. Os mosteiros eram os centros, o que é a diocese atualmente. Esses monges irlandeses viviam uma vida ascética, mas tão extraordinariamente desumana para nós que isso é impossível que venha de Jesus, é impossível que isso ajude, porque esses homens ali eram super-homens, mas não existem mais homens assim hoje. Um exercício de penitência que faziam, por exemplo, era entrar no rio – na Irlanda os rios são frios – e ficar nu para rezar todos os salmos (risos)... Essa maneira de entender a vida, não, não devemos considerar que isso seja cristão. Também não é marca de santidade. Não é assim que a santidade se manifesta. Examinar tudo o que vem de lá.

Todas as congregações femininas sabem o quanto é preciso lutar para mudar costumes, tradições que não são evangélicos. Quantos debates! Eu conheço uma série de congregações femininas e quanto tempo se gasta em discussões, disputas entre aquelas que querem conservar tudo e aquelas que querem abandonar o que não serve mais e encontrar outro modo de viver mais adaptado à situação atual! Então, a tarefa da teologia, claro que é mudar, isso muda a tradição, deixa de ser a ideologia de todo o sistema romano, mas essa não tem futuro. Esse tipo de teologia já faz tempo que foi progressivamente abandonado.

                                                                                                                                        continua...

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA? - José Comblin - (3)

A religião: distinção entre o sagrado e o profano

Progressivamente, aparece a partir dos primeiros Concílios um distanciamento entre a religião que se forma. Com Niceia e Constantinopla já há um núcleo de ensinamento e de teologia e a Igreja vai se dedicar a defender, promover, aumentar essa teologia. Já se organizaram as grandes liturgias de Basílio e outros, e já se organizou um clero. O clero como classe separada é uma invenção de Constantino. Até Constantino não havia distinção entre pessoas sagradas e pessoas profanas. Eram todos leigos. Porque Jesus apartou a classe sacerdotal e não tinha previsto nenhuma maneira que aparecesse outra classe sacerdotal, porque todos são iguais. E não há pessoas sagradas e pessoas não sagradas, porque para Jesus não há diferença entre sagrado e profano. Tudo é sagrado ou tudo é profano.

Agora, na religião há uma distinção básica entre sagrado e profano. Em todas as religiões. E há um clero que se dedica ao que é sagrado. E os outros que estão no profano, na religião são receptores, não são atores. Não têm nenhum papel ativo. Para ter um papel ativo é preciso ser realmente consagrado. Isso começa no tempo de Constantino.

E a partir daquilo vão aparecer duas linhas na história cristã. Os que, como o Evangelho de Marcos quer recordar: Não, Jesus veio para mostrar o caminho, para que o sigamos. Isso é o básico, o fundamental. Uma linha que vai renovar, aplicar em diversas épocas históricas o que foi a vida de Jesus e como ele o ensinou. E em toda a história podemos seguir. Claro que não sabemos tudo, porque a grande maioria dos que seguiu o caminho de Jesus foram pobres, dos quais nunca se falou nos livros de história e, portanto, não deixaram nenhum documento. Mas há pessoas que deixaram documentos e com isso podemos acompanhar onde, na história da Igreja cristã, aparece o Evangelho. Onde se buscou primeiramente a vivência do Evangelho. Os que buscaram radicalmente o caminho do Evangelho foram sempre minorias, como dizia Helder Câmara, “minorias abraãmicas”.

A maioria está no outro pólo, na religião. Ou seja, dedicando-se à doutrina. Ensinando a doutrina, defendendo a doutrina contra os hereges e as heresias... Essa foi uma das grandes tarefas, praticar os ritos e formar a classe sagrada, a classe sacerdotal. Isso nos leva a uma distinção que vai se manifestar em toda a história. O pólo “Evangelho” está em luta com o pólo “religião” e “religião” com o pólo “Evangelho”. Em toda a história. Toda a história cristã é uma contradição permanente e constante entre aqueles que se dedicam à religião e aqueles que se dedicam ao Evangelho. Claro que há intermediários e assim não há pólos totais. Mas na história há visivelmente duas histórias, dois grupos que se manifestam. A história oficial: quando eu era jovem nos davam aulas de História da Igreja que era “história da instituição eclesiástica” e ali só se falava da religião, supondo que a religião era a introdução ao Evangelho. Mas isso é uma suposição: que tudo o que nasceu no sistema católico vem de Jesus, como se dizia na teologia tradicional em tempos da cristandade, que tudo o que existe na Igreja Católica Romana, ao final, vem de Jesus. Com muitos malabarismos teológicos se consegue mostrar que tudo tem finalmente sua raiz em Jesus. Não têm sua raiz em outras religiões, em outras culturas. Como se os cristãos que se convertem à Igreja fossem totalmente puros de toda cultura e toda religião. Todos trazem sua cultura e sua religião, e introduzem em sua vida cristã elementos que são de sua religião e cultura anterior e por isso resulta uma religião que é sempre ambígua, complexa. É inevitável, porque os seres humanos que entram na Igreja não são anjos. Eles estão carregados de séculos e séculos de história e de transmissão cultural e tudo isso entra, naturalmente, na Igreja. Daí uma oposição que em matéria política, por exemplo, se mostra claramente. Se diz: o Evangelho procede de Deus e, portanto, não pode mudar. A religião é criação humana, portanto, pode e deve mudar segundo a evolução da cultura, das condições de vida dos povos em geral. Se a religião fica apegada ao seu passado, ela é pouco a pouco abandonada a favor de outra religião mais adaptada. O que é muito compreensível.
O Evangelho é vivido na vida concreta, material, social. A religião vive em um mundo simbólico. Tudo é simbólico – doutrina, ritos, sacerdotes... –, todos são entidades simbólicas, que não entram na realidade material. O Evangelho é universal, porque não traz nenhuma cultura e não está associado a nenhuma cultura, a nenhuma religião. As religiões estão sempre associadas a uma cultura. Por exemplo, a religião católica atual está ligada à subcultura clerical romana que a modernidade marginalizou, que está em plena decadência porque seus membros não quiseram entrar na cultura moderna. O Evangelho é renúncia ao poder e a todos os poderes que existem na sociedade. A religião busca o poder e o apoio do poder em todas as formas de poder. E são tão visíveis!

O poder... Lembro que na época da prisão dos bispos em Riobamba o núncio dizia: “se a Igreja não tem o apoio dos governantes, não pode evangelizar” (risos). Pode-se pensar o contrário: que caso se tenha o apoio dos poderes será difícil evangelizar. Mas essa é uma mentalidade que ainda é remanescente na cristandade entre a Igreja fundida em uma realidade político-religiosa e então naturalmente estavam unidas todas as autoridades: o clero e o governo; o clero e o Exército – tudo unido. Renunciar a isso é muito difícil. Renunciar à associação com o poder é muito difícil. Vou dar um exemplo. Meu atual bispo na Bahia é um franciscano, se chama Luis Flavio Cappio. Ficou famoso no Brasil por duas greves de fome que fez para protestar contra um projeto faraônico do governo, baseado em uma imensa mentira. Não há tempo para contar toda a história, mas se tornou conhecido e foi convidado para o Kirchentag da Igreja alemã. Depois do convite falou em várias cidades da Alemanha. Um grupo se aproximou dizendo que vinham para entregar-lhe uma doação, uma ajuda para as suas obras. E era bastante: cerca de 100 mil dólares. Ele perguntou: “De onde vem esse dinheiro?” Disseram-lhe que são algumas empresas, alguns executivos que o recolheram. Então disse: “Não aceito. Não quero aceitar o dinheiro que foi roubado dos trabalhadores, dos compradores de material”. Não aceitou nenhuma aliança com o poder econômico. Eu não sei quantos no clero não aceitariam (aplausos). Esse bispo é um franciscano igual a São Francisco. Toda a sua vida foi assim. Por isso fui morar ali para santificar-me um pouquinho em contato com uma pessoa tão evangélica...

Então, como nasceu a Igreja? A Igreja de que se fala: essa realidade histórica, concreta de que temos experiência. Para o povo em geral a Igreja é o Papa, os bispos, os padres, as religiosas, religiosos... esse conjunto institucional de que se fala e que provoca também tanta incerteza, como vimos. Como nasceu a Igreja? Jesus não fundou nenhuma igreja. O próprio Jesus se considerava um judeu. Era o povo de Israel renovado e os primeiros discípulos também; Os doze apóstolos são os patriarcas da Igreja do Israel renovado. A primeira consciência era da continuação de Israel, a perfeição, a correção de Israel. Mas uma vez que o Evangelho penetrou no mundo grego, aí Israel não significava muitas coisas para eles e então Paulo inventa outro nome. Dá às comunidades que funda nas cidades o nome de “ekklesia”, o que se traduziu por “igreja”. O que é a ekklesia? O único sentido que tem no grego é “a assembleia do povo reunido que governa a cidade”. Na prática eram as pessoas mais poderosas, mas enfim é que na cidade grega o povo se governa a si mesmo e o faz em reuniões que são “ecclesias”. Paulo não dá nenhum nome religioso às comunidades; os vê como um grupo destinado a ser a animação. A mensagem de transformação de todas as cidades, de tal maneira que estão constituindo o começo de uma humanidade nova. E é uma humanidade onde todos são iguais, todos governam a todos. Depois vem a Carta aos Efésios em que se fala da Igreja como tradução de “kahal” dos judeus, ou seja, é o novo Israel. E a ecclesia é aí também o novo Israel. Ou seja, todos os discípulos de Jesus unidos em muitas comunidades, mas não unidos institucionalmente, mas unidos pela mesma fé. Todos constituem a “ecclesia”, a grande Igreja que é o corpo de Cristo. Ainda não existem instituições.

Mas, naturalmente, não podia continuar assim. Os judeus que aceitaram o cristianismo não abandonaram todos o judaísmo. E quando o número de cristãos cresceu, o número de comunidades, ali começaram a penetrar algumas estruturas. No tempo de Paulo ainda não há presbíteros, mesmo que São Lucas diga o contrário. Mas São Lucas não tem nenhum valor histórico; isso todo o mundo já sabe. Atribui a Paulo o que se fazia em seu tempo. Então imagina que Paulo fundou presbíteros, conselhos presbiterais. Como se justificaria um bispo sem ordenar sacerdotes? Então, parece evidente um começo de separação ainda muito simples, porque ainda não há sacralidade, não há nada sagrado. Os presbíteros não são sagrados, assim como os presbíteros das sinagogas não eram sagrados. Eles tinham uma função, uma missão de governo, de administração, mas não uma função ritual, ou uma função de ensino de uma doutrina.

Depois apareceram os bispos. No final do século II se estima que o esquema episcopal esteja generalizado, mas demorou bastante. Clemente de Roma, quando publica e escreve sua Carta aos Coríntios, diz “presbíteros”, o que não é bispo. Ainda em Roma não há bispo, só presbíteros. Mas se organizou o esquema episcopal. É provável que para as lutas contra as heresias, contra o gnosticismo, se necessitasse de uma autoridade mais forte, para poder enfrentar o gnosticismo e todas as novas religiões sincréticas que aparecem naquele tempo.


E a Igreja como instituição universal, quando aparece? Houve, no século III, Concílios regionais: bispos de várias cidades que se reuniam. Mas uma entidade para institucionalizar tudo não existia. Quem inventou esta Igreja universal foi o imperador Constantino. Ele reuniu todos os bispos que havia no mundo com viagens pagas por ele, alimentação também paga por ele, e toda a organização do Concílio foi dirigida pelo imperador e os delegados do imperador. Isto constitui um precedente histórico. Até hoje não estamos livres disso: que a Igreja universal como instituição tenha nascido com o imperador.

Depois, na história ocidental caiu o imperador romano e então progressivamente o papa conseguiu chegar à função imperial. Houve muitas lutas na Idade Média entre o papa e o imperador, mas sempre o papa se estimava superior ao imperador. Nas cruzadas, o papa era generalíssimo de todos os exércitos cristãos. Era uma personalidade militar – comandante em chefe do exército cristão. E dentro da linha dos Estados pontifícios, isto ainda se mantém.

Quando o papa perdeu o poder temporal, reforçou seu poder sobre as Igrejas: e governa as igrejas como um imperador, ou seja, todos os poderes são centralizados em uma única mão e com todas as vantagens de uma corte. Por que se não há nada de democracia na Igreja, quem são aqueles que orientam o papa? A corte! Os cortesãos, os que estão ali próximos. Claro que ele não pode fazer tudo, mas enfim uma corte separada do povo cristão. Ainda estamos sofrendo as consequências daquilo. O Papa Paulo VI disse em alguns momentos que realmente teria que mudar a função atual do Papa, ou seja, o que o Papa faz. João Paulo II na “Unum sint” disse também que é preciso dar-se conta de que o grande obstáculo no mundo de hoje é essa concentração de todos os poderes no Papa. Seria preciso encontrar outra maneira de exercer isso. Isso para dizer que tudo isto pertence à religião. 

                                                                                                                                        continua...

domingo, 21 de novembro de 2010

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA? - José Comblin - (2)

O Evangelho vem de Jesus Cristo. A religião não vem de Jesus Cristo

É preciso partir de uma distinção básica que agora vários teólogos já propuseram entre o Evangelho e a religião. O Evangelho vem de Jesus Cristo. A religião não vem de Jesus Cristo. O Evangelho não é religioso. Jesus não fundou nenhuma religião. Não fundou ritos, não ensinou doutrinas, não organizou um sistema de governo. Nada disso. Ele se dedicou a anunciar, a promover o Reino de Deus. Ou seja, uma mudança radical de toda a humanidade em todos os seus aspectos. Uma mudança, e uma mudança cujos autores serão os pobres. Dirige-se aos pobres pensando que somente eles são capazes de agir com essa sinceridade, com essa autenticidade para promover um mundo novo. Seria essa uma mensagem política? Não é política no sentido de que propõe um plano, uma maneira... não, para isso a inteligência humana é suficiente; mas como meta política, porque isto é uma orientação dada a toda a humanidade.



E a religião? Aah! Jesus não fundou uma religião, mas seus discípulos criaram uma religião a partir dEle. Por quê? Porque a religião é algo indispensável aos seres humanos. Não se pode viver sem religião. Se a religião atual aqui se desintegra... Há 38.000 religiões registradas nos Estados Unidos! Ou seja, não faltam religiões, elas aparecem constantemente. O ser humano não pode viver sem religião, mesmo que se afaste das grandes religiões tradicionais. Então, a religião é uma criação humana. Entre a religião cristã e as demais religiões, a estrutura é igual. É uma mitologia. Assim como há uma mitologia cristã, há uma mitologia hinduísta, xintoísta, confucionista. Isso é parte indispensável para a humanidade. Ou seja, como interpretar todo o incompreensível da humanidade pela intervenção de seres com entidades sobrenaturais, fora deste mundo, que estão dirigindo esta realidade.

Em segundo lugar, uma religião é feita de ritos. Ritos para afastar as ameaças e para acercar-se dos benefícios. Todas as religiões têm ritos. E todas têm pessoas separadas, preparadas, para administrar os ritos, para ensinar a mitologia. Isto é comum a todas. Então, isto devia acontecer com os cristãos também. Devia acontecer. Como poderiam viver sem religião?

Como começou essa religião? Deve ter começado quando Jesus se transformou em objeto de culto. O que aconteceu bastante cedo, sobretudo entre os discípulos que não o conheceram, que não haviam vivido com ele, que não haviam estado próximos dele. Então, a geração seguinte ou aqueles que viviam mais distantes, mais afastados, para eles Jesus se transformou em objeto de culto. Com isso se desumanizou progressivamente. O culto de Jesus vai substituindo o seguimento de Jesus. Jesus nunca havia pedido aos discípulos um ato de culto. Nunca havia pedido que lhe oferecessem um rito... nunca. Mas queria o seguimento, seu seguimento. Essa dualidade começa a aparecer cedo. 30 anos, 40 anos depois da morte de Jesus, já aparece com força suficiente para que Marcos escrevesse em seu Evangelho precisamente para protestar contra essas tendências de desumanização, ou seja, de fazer de Jesus um objeto de culto. Este Evangelho é precisamente para recordar uma palavra de profeta: Não! Jesus era isso. Jesus fez isso, viveu aqui neste mundo! Viveu aqui nesta terra.

Com o desenvolvimento da religião cristã que se fez – aqui problema para os teólogos –, progressivamente essa tentação reapareceu. Nasceu um começo de doutrina, o Símbolo dos Apóstolos. E o que diz o Símbolo dos Apóstolos sobre Jesus? Aah... diz que nasceu e morreu. Nada mais. Como se as outras coisas não tivessem importância, como se a revelação de Deus não fosse justamente a própria vida de Jesus, seus atos, seus projetos, todo o seu destino terrestre. Essa é a revelação, mas isso já vai se perdendo de vista. Os Símbolos de Niceia e Constantinopla, da mesma maneira: Cristo nasceu e morreu. O Concílio de Calcedônia define que Jesus tem uma natureza divina e uma natureza humana. Mas, o que é uma natureza? Um ser humano não é uma natureza. Um ser humano é uma vida, é um projeto, é um desafio, é uma luta, é uma convivência em meio a muitos outros. Isso é o fundamental se queremos fazer o seguimento de Jesus.

                                                                                                                                         continua...

sábado, 20 de novembro de 2010

O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA IGREJA? (1)

Tomo a liberdade de oferecer aos leitores do meu modesto blog a conferência do Pe. José Comblin na Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), de San Salvador, em 18 de março de 2010. Levando em conta a capacidade "digestiva" de cada um, vou reproduzí-la em doses homeopáticas. Quem desejar ler o texto original de uma só vez, pode procurá-lo no sítio: http://www.consciencia.net/o-que-estas-acontecendo-na-igreja/ publicado em 14-11-2010. Com seus 87 anos de idade, o teólogo José Comblin dispensa qualquer apresentação. Acredite quem quiser. Eu acredito!  
 
 
"Boa tarde a todas e todos.
Não é a primeira vez que falo neste lugar, mas agradeço muito a amizade de Jon Sobrino. Nós nos conhecemos há muito tempo e eu o estimo como uma das cabeças mais lúcidas deste tempo que renovou completamente a Cristologia.

Bom... As perguntas de ontem me deram a impressão de que em muitas pessoas há certo desconcerto em relação à situação atual da Igreja. Ou seja, uma sensação de insegurança. Como dizia Santa Teresa, por "não saber nada a respeito, que nada provoque temor". Quando era jovem eu conheci algo semelhante e, talvez, pior. Era o pontificado de Pio XII. Ele havia condenado todos os teólogos importantes, havia condenado todos os movimentos sociais importantes, por exemplo, a experiência dos padres operários na França, Bélgica e outros países. Aí nós, jovens seminaristas e depois jovens sacerdotes, estávamos mais que desconcertados, perguntando-nos: mas, ainda há futuro? Eu me lembro que naquela época tinha lido uma biografia de um autor austríaco do papa Pio XII. E aí contava algumas palavras que havia escrito o Pe. Liber, jesuíta, professor de História da Igreja na Gregoriana. O Pe. Liber era confessor do Papa. Sabia tudo o que passava na cabeça de Pio XII e então dizia: "Hoje a situação da Igreja católica é igual a um castelo medieval, cercado de água, levantaram a ponte e jogaram as chaves na água. Já não há como sair (risos). Ou seja, a Igreja está cortada do mundo, não tem mais nenhuma possibilidade de entrar". Isso foi dito pelo confessor do Papa, que tinha motivos para saber essas coisas. Depois disso veio João XXIII e aí, todos os que haviam sido perseguidos, de repente são as luzes no Concílio e de repente todas as proibições são levantadas. Aí renasceu a esperança. Digo isto para que não se perturbem. Algo virá. Algo virá que não se sabe o que, mas algo sempre acontece.
Como explicar essas situações que ainda podem recomeçar? Porque estamos nos aproximando da fase final da cristandade. Já faz muitos séculos que anunciaram a morte da cristandade... que está agonizando já faz cerca de 200 anos, mas ainda pode continuar sua agonia durante algumas décadas ou alguns anos. Ou seja, deixou de ser a consciência do mundo ocidental. Deixou de ser a força que anima, estimula, esclarece, explica a fonte da cultura, da economia, de tudo o que foi durante o tempo da cristandade. Tudo isso foi sendo destruído progressivamente desde a Revolução Francesa e aqui desde a independência, desde a separação do império espanhol. Então, pouco a pouco, apareceram muitos profetas que disseram que a cristandade morreu... já faz 200 anos. Mas agora creio que a cristandade está entrando em suas fases finais. Querem um sinal? A Encíclica Caritas et Veritate. Não sei quantas pessoas aqui leram a Encíclica. Se se vê a repercussão que teve no mundo: impressionante silêncio... Talvez silêncio respeitoso, mas mais provavelmente silêncio de indiferença. A doutrina social da Igreja não importa mais a ninguém, que também deixou de se interessar pelo que acontece na realidade concreta.

Há alguns anos, um sociólogo jesuíta muito importante, o Pe. Calvez, que teve um papel importantíssimo na criação e manutenção da Doutrina Social da Igreja, publicou um livro intitulado: "Os silêncios da Doutrina Social da Igreja". Ainda está em silêncio. Deixa de entrar com força nos problemas do mundo atual. Fica com teorias tão vagas, tão abstratas, tão genéricas... A carta Caritas in Veritate poderia ser assinada pelo Fundo Monetário Internacional (risos), pelo Banco Mundial... sem nenhum problema. Não há absolutamente nada que incomode esse pessoal. Então, para quê? Esse é o sinal.

Querem outro sinal? A Conferência de Aparecida disse muitíssimas coisas muito boas. Quer transformar a Igreja em uma missão, passar de uma Igreja de "conservação" a uma Igreja de "missão". Só que pensa que isso será feito pelas mesmas instituições que não são de missão, mas de conservação. Isso será feito pelas dioceses, pela paróquia, pelos seminários, pelas Congregações Religiosas. Estes aqui, de repente e por milagre, vão se transformar em missionários. Já se passaram três anos e o que aconteceu em sua diocese? Como se aplicou a opção pelos pobres? Não sei como é aqui, mas no Brasil não vejo muita transformação. Ou seja, a cristandade está se dissolvendo progressivamente, mas o problema é o depois. O que vem depois? Como? Daí a insegurança porque não sabemos o que vem depois. Isto aconteceu muitas vezes na história e ainda vai acontecer provavelmente muitas vezes. É preciso aprender a resistir, a suportar, a não se deixar desanimar ou perder a esperança pelo que vem acontecendo.

O que acontece é que em Roma não estão convencidos de que a cristandade está morta. Acreditam que as Encíclicas iluminam o mundo, que as instituições eclesiásticas iluminam e conduzem o mundo. Ou seja, é um mundo fechado, que de fato vive em um castelo medieval, cercado de água. E então, o que acontece? Vamos ver como interpretar, como ver o que está acontecendo. E então ver qual é o "método teológico" que convém para isso"...
                                                                                    próximo capítulo amanhã...
 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

o boicote continua

Suspeitos de atirar em morador de rua passarão por acareação com a vítima 
Enquanto a vítima aponta o empresário Marcos Venícius Araújo Silveira como o autor do disparo; Marcos Venícius diz que o responável pelo tiro é seu primo
O empresário Marcos Venícius Araújo Silveira, seu primo Leandro Silva Lima e o morador de rua José Valdelor da Silva, 36, passarão por uma acareação, nesta quarta-feira, 17, no 2º Distrito Policial. Marcos Venícius e Leandro são apontados como responsáveis pelo disparo que atingiu o morador de rua, no último domingo, em Fortaleza.

De acordo com o delegado Francisco Porto, responsável pelo caso, a vítima reconheceu o empresário Marcos Venícius como o autor do tiro que atingiu seu rosto, deixando a bala alojada no globo ocular do morador de rua. No entanto, em depoimento, o empresário negou a autoria do crime e apontou o próprio primo Leandro Silva Lima como o responsável pelo disparo.

Por conta da indefinição quanto ao real responsável pelo tiro, os três envolvidos – suspeitos e vítima - serão ouvidos simultaneamente pelo delegado Francisco Porto, que deverá concluir em 10 dias o inquérito que investiga o caso.

Os dois suspeitos permanecem presos em celas comuns do 2º DP. Ainda segundo o delegado, durante todo o dia, advogados dos envolvidos tentaram sem sucesso conseguir a soltura de seus clientes.

16.11.2010

Redação O POVO Online

no mínimo vamos boicotar

Recebi por parte de João Alfredo (vereador do PSOL)

Companheir@s e amig@s,
Nos chegou a informação, pelo tuitosfera, de que o empresário que, de forma cruel e desumana, atirou no flanelinha morador de rua da Praia de Iracema, seria proprietário do Restaurante Docentes e Decentes. A informação veio por um tweet e confirmado por outros.
Por isso, já corre ali - e devemos amplificar ao máximo - a proposta de BOICOTE àquele estabelecimento (que é o mínimo que se poderia fazer agora, além de lutar por justiça, óbvio).

Abs. indignados,
João Alfredo

Morador de rua é internado após ser baleado no olho

Jornal O POVO
16.11.2010

José Valdelor da Silva, 36, conta que estava acocorado quando o carro preto, modelo Stilo, parou na esquina e o rapaz o chamou: "Olha aqui pra mim. Virei e vi ele apoiando a espingarda na janela do carro. Pensei: ele não vai atirar. Foi na hora que disparou". O projétil de chumbo atingiu o olho direito e ficou alojado no globo ocular. José caminhou alguns metros e caiu na rua Dragão do Mar, a poucos quarteirões do Centro Cultural Dragão do Mar, ponto de trabalho do flanelinha.
A viatura 1.032 do Ronda do Quarteirão, que atende a Varjota, foi comunicada. Pouco tempo depois, às 5h15min da manhã, os policiais flagraram um carro do mesmo modelo da denúncia trafegando em alta velocidade na avenida Barão de Studart. Pararam o veículo e encontraram uma espingarda de pressão no porta-malas. O flanelinha atingido pelo disparo reconheceu Marcos Vinícius Araújo, 32, como autor do tiro. O empresário cuida de um dos restaurantes da família e estava com dois manobristas do estabelecimento no carro.
Um deles, Leandro Silva Lima - primo de Marcos -diz ter sido ele o autor do disparo. "Mas a vítima reconheceu o Marcos. O Leandro pode estar tentando assumir o ato para livrar o outro rapaz. Por esse motivo, os dois foram autuados em flagrante por delito de lesão corporal de natureza grave", explica o delegado César Wagner que cumpria o plantão no 2º Distrito Policial, na Aldeota, para onde os acusados foram levados. O terceiro homem que estava no carro foi liberado porque a vítima não o viu no momento do crime. Em depoimento, Leandro disse ter atirado depois que o flanelinha arremessou uma pedra contra o carro. No fim da tarde, o delegado já havia acionado um perito para vistoriar o veículo. "Preliminarmente, não vi nenhum dano no carro compatível com uma pedra atirada", diz César Wagner. Na delegacia, o irmão de Marcos Vinícius disse que a família "só vai falar na Justiça" e reclamou da exposição da foto do RG de Marcos nos programas policiais exibidos pela manhã. José, a vítima, deixou a delegacia de pés descalços, com a blusa suja de sangue, um tampão no olho direito e um soro que ele mesmo segurava. Ele saiu do Instituto Dr. José Frota (IJF) para fazer o reconhecimento no 2º DP e retornou para o hospital por volta de 15 horas.
O POVO


E agora

ENTENDA A NOTÍCIA
A Polícia tem dez dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo à Justiça. Os dois detidos podem ser condenados por lesão corporal grave, com pena prevista de um a cinco anos de prisão. A vítima pode perder a visão do olho direito


SAIBA MAIS
No último dia 15 de agosto, um morador de rua foi queimado na localidade de Sítios Novos, no município de Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza)

O acusado do crime foi autuado por crime de tentativa de homicídio qualificado por meio de crueldade O acusado disse em depoimento, conforme a Polícia, que o caso ocorreu de maneira acidental. Contou que estava acendendo fogo usando uma garrafa de álcool com a ajuda de um isqueiro. A intenção, como ele contou à Polícia, era tirar as penas de alguns frangos.

Mariana Toniatti
marianatoniatti@opovo.com.br
entrou em contato com o IJF, mas não conseguiu contato com a assessoria de imprensa nem com o médico responsável pelo plantão. José poderia perder o olho direito na remoção do projétil. Na madrugada de sexta e de sábado, a mesma viatura 1032 do Ronda já havia recebido chamados denunciando a ação de um veículo preto, modelo Stilo, atirando com chumbinho contra vigilantes e moradores de rua. A Polícia não confirmou que já fosse Marcos e Leandro. Os dois negam.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ENCONTRO DAS FAMILIAS DOS APENADOS DE IMPERATRIZ COM A JUIZA


Enquanto no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luis do Maranhão, se repetiam as tristes cenas do velho Carandiru, na cidade de Imperatriz, no mesmo Estado, graças à vontade política da Juíza Dra. Samira Barros Heluy e da Pastoral Carcerária daquela Diocese, algo novo está sendo tentado para humanizar o tão corroído sistema penitenciário. Recebi e publico com muito gosto.

"No ultimo sábado dia 13 dezembro de 2010, no auditório da Catedral de Fátima, das 8 ás 12 horas, aconteceu o primeiro encontro das famílias dos apenados de Imperatriz com a Juíza da 5ª. Vara Criminal desta Comarca de Imperatriz, Dra. Samira Barros Heluy.

O encontro foi uma iniciativa da Magistrada com a Pastoral Carcerária da Diocese de Imperatriz, que nas visitas às famílias dos apenados levou o convite as mesmas. Foram 38 famílias visitadas e convidadas, das quais 21 acolheram e vieram participar.
O objetivo desse encontro foi aproximar o judiciário das famílias que sofrem por ter um de seus filhos(as) na prisão e mostrar que os juízes são gente como a gente, cumpridores da lei e servidores do povo e também orientar as mesmas quanto aos direitos e obrigações dos apenados e seus familiares..
Padre Agenor acolheu a todos em nome da Pastoral Carcerária e após um momento de oração passou a palavra a Dra Samira.
A meritíssima apresentou e explanou o Projeto Cidadania Também se Aprende na Prisão, adaptado para as famílias ali presentes, projeto este que vem sendo trabalho com os apenados CCPJ-Central de Custódia de Preso de Justiça, pela mesma, há dois anos. Após as devidas explanações foi aberto espaço para perguntas e desabafos. Pacientemente Samira ouviu o clamor das famílias e procurou responder as perguntas e esclarecer as dúvidas.
O diferencial é que neste encontro todos tiveram voz e vez, o que não aconteceu na maioria das audiências públicas aqui em imperatriz, onde as autoridades falam demais e quando é a vez do povo falar não há mais tempo, ou a assembléia esvaziou-se, ou o povo não foi adequadamente informado da audiência.
Após os devidos esclarecimentos foi entregue para todos os presentes a Cartilha do Reeducando, do CNJ - Conselho Nacional de Justiça, que discorre sobre os deveres, direitos e garantias dos apenados e presos provisórios e a Revista Justiça em Quadrinhos, carro chefe do Projeto Brasilzinho Escolar, da AMB-Associação dos Magistrados Brasileiros, dirigidas aos alunos do ensino fundamental.
Ao final o assessor da Pastoral Carcerária falou da importância e da necessidade da busca da oração e da leitura da Palavra de Deus, diariamente, nas famílias para educar os filhos nos verdadeiros valores. Todos os presentes receberam uma Bíblia da Editora Ave Maria.
Na avaliação de todas as famílias presentes, dos membros da Pastoral Carcerária o encontro foi muito bom, superando as expectativas. Com certeza, nos próximos, mais famílias participarão".

Pe. Agenor Mendonça, scj
Assessor da Pastoral Carcerária da Diocese de Imperatriz
 
14 dezembro de 2010.
 

Nunca se viu algo semelhante no Maranhão e talvez no Brasil.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

quem são os bandidos?

Francisco Junior
Especial para o UOL Notícias

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão confirmou nesta terça-feira (9) o fim da rebelião no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA). O motim, iniciado na segunda-feira (8), terminou por volta de meio-dia de hoje. Ao todo, 18 pessoas morreram --todos eram presos e três deles foram decapitados. Os cinco agentes penitenciários mantidos reféns foram liberados. Os líderes da rebelião podem ser transferidos para presídios federais.



Leia maisDurante a rebelião o governo confirmava apenas nove mortos, mas assim que o motim terminou, e os agentes entraram no complexo, outros nove corpos foram encontrados. Quinze mortes foram registradas no anexo 3, conhecido como presídio São Luís, e três na penitenciária de Pedrinhas.

A falta de água no presídio e disputas entre grupos rivais foram alguns dos motivos apontados como as causas da rebelião --a maior já ocorrida no complexo Penitenciário de Pedrinhas, situado na BR 135, próximo à entrada da capital maranhense.
O tumulto começou por volta das 9h da segunda-feira (8), quando presos do anexo 3 renderam um agente, tomaram sua arma e o alvejaram com dois tiros. O agente foi transferido para um hospital da capital. Seu estado de saúde é grave, mas ele não corre risco de morte.
Depois disso, detentos da cidade de Imperatriz e da região da baixada maranhense começaram a brigar com presos da cidade de São Luís que dividiam o mesmo espaço. O anexo 3 tem capacidade para aproximadamente 100 detentos, mas cerca de 200 estavam no local.
Um dos pedidos feitos pelos presos era a saída do cargo do diretor geral da penitenciária, Luis Henrique Sena de Freitas. Os detentos também exigiram a transferência dos detentos de Imperatriz para sua cidade natal, além de melhorias no fornecimento de água e comida.
As negociações eram mediadas pela Polícia Militar, Ordem dos Advogados do Brasil seccional Maranhão
(OAB-MA) e Sociedade Maranhense de Direitos Humanos desde ontem. No início da manhã de hoje, elas foram reiniciadas e os detentos resolveram liberar dois dos cinco reféns. Por volta do meio-dia, os demais reféns foram soltos e a PM entrou no presídio. Com o fim da rebelião, os presos foram levados para o pátio enquanto as equipes vistoriavam as celas na busca de objetos e armas.
Há uma semana, programas policiais, veiculados em rádios de São Luís, alertavam para o risco de uma rebelião em Pedrinhas e retratavam um clima de inquietação dentro do complexo.
O presídio tem um longo histórico de rebeliões. Em janeiro de 2001, foi realizado aquele que era tido como o pior dos motins no local: na ocasião, três presos foram mortos --um deles, decapitado.

*Com informações da Agência Estado

Como sempre, daqui a uns dias, outros dados poderão resgatar a verdade dos fatos. Quem conhece o Sistema Penitenciário do Brasil sabe muito bem que, nestes casos, as primeiras informações sempre são de "mão única". Vamos aguardar e torcer pela verdade.
 

TEM BOI NA LINHA

Faça de conta que não conhece o jornalista que assina embaixo e me diga se não não tem boi na linha! 

O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres.  PiG (Partido da Imprensa Golpista)Publicado em 08/11/2010
"O
Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.
Uma desmoralização arrasadora. É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta. ,04% !
Que horror! Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a "inépcia" do ENEM. A Folha (**), se entende. Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano. O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM. Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha  e o Serra são contra o ENEM ? Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o "fracasso" do Governo Lula. Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora. O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.
Antes – como em São Paulo, hoje – cada "coronel" faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes ! 30 vezes, amigo navegante. Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.
É sempre assim. O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias. O do Lula, que virou "Bolsa Esmola", segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ? É o passaporte do pobre à universidade pública. É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM. Porque esse negócio de pobre estudar é um problema. Fica com mania de grandeza, de autonomia. Pensa que pode mandar no seu destino. E não acredita mais na fita adesiva do "perito" Molina. Isso é um perigo. Pobre é para ficar na senzala.

 Paulo Henrique Amorim 

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM. Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM. Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM. Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a "faculdade de pobre burro"). Sabe o que aconteceu, amigo navegante ? O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos. Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES. Vai ser outro horror ! Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público. Um horror ! Tudo público. ENEM, faculdade, financiamento …"Público" quer dizer "de todos".

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ? Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar. Foi o Nordeste !
Que horror ! Já imaginou, amigo navegante ? Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?
Nordestina pobre com diploma de médica ? Vai faltar pedreiro. Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo" .

Paulo Henrique Amorim

domingo, 7 de novembro de 2010

santos e finados

Hoje a liturgia catolica celebra o dia de TODOS OS SANTOS. Dias atrás foi a celebração de todos os Finados. O que seremos... o que tentamos ser...o que ainda não somos.... Pois, totalmente finados e perfeitamente santos ainda o seremos. Não dizem que nós morremos aos poucos e que é aos poucos que nos santificamos?
Nos púlpitos das sinagogas e templos de nossas cidades secularizadas - neste domingo - muitos falarão em "santidade" e de todo o jeito. Eu também o faço, e do meu jeito. Aliás, achei um texto bem ao gosto da pós-modernidade que, à primeira vista, nada tem a ver com a "santidade canônica". Mas, me digam qual é o lugar do corpo nessa história toda? Não é pecado cuidar do nosso corpo e tem mais: santidade é cuidar um pouco mais dos corpos alheios. Ah! Quantos corpos feridos. Querendo mais, convido os leitores do meu blog a procurar na coluna direita aqui do lado, a letra da música "CARNE e OSSO". Uma mão lava a outra.
 


"Deus nos fez corpos. Deus fez-se corpo. Encarnou-se.
Corpo: imagem de Deus.
Corpo: nosso destino, destino de Deus.
Isto é bom.
Eterna divina solidariedade com a carne humana.
Nada mais digno.
O corpo não está destinado a elevar-se a espírito.
É o Espírito que escolhe fazer-se visível, no corpo.
Corpo, realização do Espírito: suas mãos, seus olhos,
suas palavras, seus gestos de amor...
Corpo: ventre onde Deus se forma.
Maria, grávida, Jesus, feto silencioso,
À espera, protegido, no calor das entranhas de uma mulher.
Jesus: corpo de Deus entre nós,
Corpo que se dá aos homens,
Corpo para os corpos, como carne e sangue, pão e vinho".
 - "Creio na ressurreiçao do Corpo" - Edit. Paulus
Rubem Alves

sábado, 6 de novembro de 2010

chamem a polícia

Diário do Norseste 06/11/2010
São Paulo. Além da estudante de direito Mayara Petruso, acusada pela OAB-PE de racismo contra nordestinos no Twitter, a polícia de São Paulo vai investigar de quem é a responsabilidade por um manifesto virtual intitulado "São Paulo para os paulistas". No texto apócrifo, que circula há meses na internet, há a reivindicação do "fim da repressão ao paulista sobre o tema da migração em sua própria terra".

O manifesto foi assinado por quase 1.500 pessoas, que também podem vir a responder pelo crime de incitação ao racismo. O texto relaciona a "alta criminalidade" e os "hospitais superlotados" à migração nordestina.

"Migrantes pretensiosamente julgam-se os responsáveis pela construção de S. Paulo. Julgam-se coproprietários e não subordinados na terra alheia", diz um dos trechos. Outra parte diz que "Foi o Nordeste o berço da sociedade colonial patriarcal e São Paulo a região que tirou o Brasil do atraso. Isso ninguém reconhece".Se condenados por incitação ao racismo, os investigados poderiam pegar de dois a cinco anos de prisão.

De acordo com a delegada Margarette Barreto, os usuários das redes sociais podem contribuir com a polícia encaminhando imagens de frases de outros usuários que incitem o preconceito ou o crime.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

os abestados

O que andaram espalhando pela internet em postagens preconeituosas, racistas, xenófobas contra os nordestinos, deveria ser tratado, pelo menos, como caso de polícia. Mandar deletar é muito pouco. Aliás, muitos já se anteciparam prevendo medidas judiciais. Até aqueles sermões inflamados de bispos, padres e pastores muito pouco evangélicos estão sumindo de fininho das redes.
Pois bem! Quer dizer que o Serra perdeu, mais uma vez, só porque os nordestinos não sabem votar?

Diante da avalanche de votos que elegeram o palhaço Tiririca, um reporter chegou a pergunar por que não se candidatara no Nordeste. O recém eleito deputado federal respondeu sem titubear: "É, que lá, na minha terra, eles não são abestados". No comment.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

má vontade




  


A futura representante brasileira no Subcomitê de Prevenção à Tortura do Alto Comissariado de Direitos Umanos das Nações Unidas (ONU), Maria Margarida Ellenbogen Pressburger, disse que "existe  má vontade da população contra os presos" e que "há a provação popular a quem desrespeita os direitos humanos".                                                                                                                                             
  
 Faltou acrescentar que, infelizmente, fazer chacota dos Direitos Humanos e criminalizar os seus defensores rende votos em todo o País. Só no Ceará já são quatro os deputados-comunicadores, a chamada "turma da bala", reeleitos graças aos programas policiais.
 

  Margarida é presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro e foi indicada recentemente pelo secretáio de Direits Humanos Paiulo Vannuchi, a fazer p-arter do subcomitê da ONU, formado por 25 pessoas dos 57 países que assinaram o Convênio conytrta Tortura e outros Tratamentos ou Penas Crueis, Desumanas ou Degradantes (de 1984 e ratificada pelo Brasil em 1989).

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ajoelhou, tem que rezar

Confesso que, domingo à noite, estava torcendo por um discurso bem carregado de emoção e embevecido pela tão suada vitória. Acabei estranhando, mesmo sem ficar decepcionado com o primeiro discurso de Dilma Presidenta à Nação. Palavras comedidas, tom sério, quase frio. Não é costume nos palanques vitóriosos, no meio tanta militância exaltada. Acabei me rendendo. Afinal, Dilma Roussdeff, a primeira mulher a governar o Brasil após a princeza Isabel - lá vãos uns  duzentos anos - tem cosciência consciência de que a vitória nas urnas não garante, por si só, o sucesso do mandato.Uns trechos bem significativos:

“Registro aqui outro compromisso com meu país: valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
 Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
 Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto...
Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da Presidência da República...
É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo.
Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo.
Ela é um chamado à Nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem”.

A bola é sua Presidenta. O Brasil tem que continuar ganhando. Um beijo. Por que não!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

a voz do povo é a voz do povo ...e nada mais

Notas igrejeiras

* De tanto uso e abuso do nome de Deus ao longo da mais estúpida campanha eleitoral da história, quase viro atéu. Hije não tenho dúvidas: a Voz do Povo é somente a voz do povo e nada mais. Palmas par o povo!
* Ainda bem que nos discursos de ontem à noite, Serra e Dilma deixaram o bom Deus de fora.  Tanto ele que perdeu quanto ela que ganhou acharam por bem "não tomar o santo nome de Deus em vão". Nem para agradecer. Até que podiam ter pedido perdão a Ele.
* Andaram mexendo demais com São Francisco das Chagas de Canindé: viu no que deu? Dizem que praga de padre pega. Imagine se for de frade.
* Será que todo o católico que votou na Dilma vai ser escomungado mesmo? Cruzcredo! Sobraria muito pouco para dar conta do dízimo nas igrejas. .
*  Depois que muitos ilustres representantes da igreja, católica e evangélica andaram metendo os pés pelas mãos, alguém tem que  tirar a limpo "o que é de Cesar e o que é de Deus". Quem se candidata?
* Dá para entender o radicalismo do Plínio e da Marina. Afinal, ainda não se libertaram do DNA de  antigos petistas igrejeiros.
* Fiquei feliz. Ontem a Marina fez questão de recomendar à Dilma que, para governar é preciso "a simplicidade das pombas e a sagacidade das serpentes". Pena que a Marina, no disse-me-disse do primeiro turno, não acessou  o meu blog do dia 7 de outubro. Bem que eu queria lembrar à candidata do PV que enquanto à "simplicidade das  pombas" ela tinha de sobra. Mas, para chegar à presidência, o que lhe faltava e - ainda lhe falta, - é a "sagacidade das serpentes". Quem sabe quatro anos bastem para fundar o PPP - Partido dos Políticos Puros. Não tá mais aqui quem falou!
* Ninguém perde por esperar....aguarde!