segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

FICHA LIMPA JÁ !

 Acabo de receber e passo adiante, mesmo sem conhecer o autor. 
O exagero do mapa é só para despertar nossa indignação.





 De olhos na ficha limpa!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Bote Fé e a Morte Jovem

Ainda não sei por que, ao ler o artigo do Dr. Mourão no Jornal O POVO de 25 de janeiro último, numa rápida associação de idéias  apesar dos meus quase 71 aninhos, logo veio na minha mente a mobilização do BOTE FÉ que pretende preparar a  juventude católica brasileira para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em 2013. A Cruz e o ícone de Nossa Senhora já estão peregrinando Brasil afora, parando em  Fortaleza nos três primeiros dias de março próximo. O artigo abaixo não deixa de ser, ao meu ver, uma contribuição para que o BOTE FÉ não passe de mais um mega evento que pouco ou nada vai contribuir para impedir que milhares e milhares de jovens continuem sendo crucificados neste Brasil da Santa Cruz.    
                                                        
 A MORTE JOVEM

A cena tornou-se rotina nos noticiários policiais. Um corpo jogado ao chão crivado de balas. Mais um jovem – entre 14 e 25 anos – usuário de drogas foi morto. Dizem que dois homens numa moto dispararam seis tiros de revólver. Na cara, no pescoço. Na cabeça. Estava concluída a prestação de contas.
Uma mãe aflita vem correndo pelos becos da favela. Em desespero, ela grita: “é meu filho! Oh, meu Deus!” Para a comunidade, uma cena que virou rotina. Não é o primeiro. Nem será o último. Acostumados, os outros garotos, como aquele estirado no chão, apenas riem e fazem graça diante das câmeras. Medo ou alívio?
A polícia, num ritual monótono e formal, trará o rabecão e fará algumas perguntas usuais. A família mais próxima jogará um lençol branco. Talvez do próprio morto.
Mas será que isso é normal? Será que uma vida só vale algumas pedras de crack? Será que traficantes têm o direito de ajustar contas dessa forma? Existe pena de morte no Brasil?
Num primeiro momento o sentimento é de alívio. Deus levou… Para a família, um problema a menos. Ele vinha dando muito trabalho. Torrando a paciência de todos. Para a polícia, uma dor de cabeça a menos. Para o traficante, a imposição implacável de sua lei: “não pagou, morre!” E, na comunidade, um silêncio de medo e aflição.
Eu penso que a conta não pode fechar dessa forma. Se a drogadicção é uma doença, um jovem não pode pagar com a vida a resolução de seu problema.
Falta o Estado. Faltam políticas públicas de assistência social e terapêutica. Excede a exclusão. Furta-se a possibilidade de transcender e sonhar. Imperam os desígnios da morte.
Um corpo jovem estendido, crivado de balas, resultado de uma justiça feita de forma covarde e sem apelo, não pode ter a conivência da sociedade, nem uma indiferença tão explicitada, quase cúmplice.
Nossos jovens não podem viver sem sonhos, sem projetos, sem educação, sem futuro. Morrendo à míngua. Esse comportamento não pode tornar-se comum, normal. Alguma coisa precisa ser feita. E já!


Antonio Mourão Cavalcante, médico e antropólogo. Professor Universitário.    

 ... eu também boto fé e muita,
por isso voltarei ao assunto nos próximos dias...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

PRESOS INTERNADOS

Blog do Eliomar   05/02/12

      concordo plenamente em gênero, número e... descaso (enquanto as algemas... depende)

   PMs são desviados de suas funções para cuidar de presos no maior hospital de emergência do Estado

Cerca de 35 viaturas da Polícia Militar estariam todos os dias circulando a mais nos bairros de Fortaleza, se soldados, cabos e sargentos não estivessem no serviço de escolta de presos no Instituto Doutor José Frota (IJF).
A indignação é dos próprios policiais militares, que reclamam que o serviço de escolta não é da competência da PM. Segundo alguns policiais que cumprem a função nas enfermarias do IJF, em escalas de 12 horas trabalhadas por 24 horas de folga ou 24 horas trabalhadas por 48 horas de folga, uma média mensal de 140 PMs são desviados de suas funções para cuidar de presos no maior hospital de emergência do Estado.
De acordo ainda com os PMs, a construção de um hospital-presídio regularizaria a função da guarda, além de proporcionar mais segurança aos pacientes que se encontram internados nas mesmas enfermarias que homicidas, traficantes e assaltantes de bancos.

Tensão
Segundo relato dos PMs, a escolta de presos ficou tensa desde que a Prefeitura acabou com a enfermaria-xadrez e a Justiça determinou a retirada das algemas dos presos. Conforme os policiais, não há como a Polícia garantir a segurança de médicos, enfermeiros e pacientes, no caso de uma tentativa de resgate de traficantes ou assaltantes de bancos.

Outra grave situação é o bom relacionamento de familiares de traficantes com acompanhantes de outros pacientes e com os próprios pacientes. De acordo com os PMs, a direção do hospital não proíbe que esposas, mães e irmãs de traficantes levem televisão para as enfermarias, como também distribuam biscoitos, bolos e outros alimentos com os familiares de outros pacientes.

Como resultado, conforme os PMs, os policiais das escoltas passam a ser vistos como os vilões, sem direito sequer a cumprimentos de funcionários do hospital.

Blog do Eliomar   05/02/12


Que a saúde se difunda nos presídios também! C.F 2012

comemorar é preciso

Amigos,
 Recebemos a notícia agorinha mesmo de que a Juíza da 2ª VEP Dra. Luciana, concedeu o direito à reeducanda Cíntia Corvelo de cursar o Curso de História na UFC mediante monitoramente eletrônico, dispensando assim, a escolta policial. Esta decisão é muito importante pois representa uma mudança de paradigma, nunca havíamos tido uma decisão assim em nosso estado.
 Devo ressaltar que a petição foi elaborada pela DEFENSORIA PÚBLICA através do  NUDEP (dra. Marta), bem como o pedido de saída sem a escolta, mas com o monitoramento. Também acompanamos cada passo do processo, procurando imprimir-lhe a maior celeridade possível, para que desse tempo da inscrição presencial.
 Hoje é um dia para se comemorar.
 Fraterno abraço,

 Aline Miranda.

Esta vitória deve-se realmente ao incansável empenho do Núcleo da Dfensoria Pública  que, há anos, não mede esforços na defesa real da população carcerária. De parabéns, também,  a Juíza Dra. Luciana que, há poucos dias da instalação de mais duas Varas de Execuções Penais, está monstrando logo a que veio.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

que a saúde se difunda sobre a terra

     do blog: www.cenpah.blogspot.com

 No imaginário coletivo do Brasil inteiro, desde que os nossos antepassados foram trazidos ao Brasil feitos   escravos e tratados como animais, até o dia de hoje, nas novelas que dominam o horário nobre e nos programas que rebaixam e colocam a população negra num nível subalterno, como se fossemos ainda “escravos”, esta imagem vem definindo o “lugar destinado ao negro” pela sociedade brasileira.
O que esta imagem vai dizer para  a maioria dos brasileiros, 51% que se declara negros-as???? Vai reforçar a ideia que medico que preste tem que ser de descendência europeia e que lugar de negro é de coitadinho, doente, necessitado, pobre, dependente.
Nos perguntamos ainda, como é possível que um erro tão insensível e,  ao nosso ver, ignorante na escolha de uma imagem que fere profundamente a história do povo negro, a sua identidade e a suas lutas possa ter acontecido numa instituição, a CNBB, que oficialmente luta contra a discriminação e até inclui na sua ação pastoral de Justiça e Paz a Pastoral Afro????

Nós do CENPAH queremos divulgar essa reflexão para todas as pessoas, os movimentos, as organizações que se empenham na construção de um país mais justo e respeitoso de suas populações. Queremos convidar os agentes de Pastoral Afro, os APNs, os movimentos negros, as associações que trabalham na luta contra o racismo e  para a integração e o reconhecimento pleno da cidadania do povo negro para que divulguem, se expressem a fim de que a imagem da CF 2012 seja mudada ou pelo menos questionada!

E  para concluir, queremos mostrar como teríamos gostado de ver o cartaz desta campanha:

          que tal assim...                                   





   assim...    
                               ou assim?                 
   
                                                     
                               


                             

Cinzas na cabeça e água nós pés

Curta é a distância da cabeça aos pés.
Só pouco mais de quarenta dias separam a quarta-feira de cinzas do lava-pés da quinta-feira santa. 

Bem mais longa, porém, é a distância que separa a nossa cabeça dos pés dos outros.
E haja cinzas,  quaresmas e desertos
para desconstruir nossas rígidas convicções,
posturas e práticas encrustadas
que nos afastam cada vez mais 

das feridas do próximo
e da força libertária 

do Evangelho de Jesus de Nazaré.
O mesmo Espírito 
que conduziu Jesus ao deserto 
“para ser tentado”,
nos empurre para lá também,
onde contemplarmos 

a tenacidade de Jesus
e nos fortalecermos 

no embate quotidiano contra as tentações
dos demônios pós-modernos.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

a Grécia não é aqui

Do lado de lá... na Grécia, o ministro da Cultura, Pavlos Geroulanos, renunciou ao de cargo após o assalto ao Muséu Arqueológico de Olímpia onde dois larápios carregaram entre 60 e 70 objetos em bronze e cerâmica da coleção histórica dos Jogos Olímpicos de antigamente. No momento do roubo, um só guarda fazia a sgurança do Muséu.

Do lado de cá... milhões de reais somem dos cofres públicos nos  Ministérios, nos Estados  e nos Municípios mimetizados em mensalões e mensalinhos pra bandido nenhum botar defeito. E tem mais! Do lado de cá, o dinheiro do roubo aindá dá uma ajudazinha nas campanhas eleitorais.


 Dizem que desta vez a FICHA LIMPA 
veio prá valer.

   DEPENDE DE NÓS!

Alô Ministério Público, CNJ, OAB, Direitos Humanos e o escambal...

 Recebi do coordenador da Pastoral Carcerária Nacional, 
Pe. Valdir e passo adiante...

"A viagem aos presídios da Amazonas, foram 40 dias, visitando 16 unidades prisionais.
Vi situações que muito me surpreenderam, com 4 unidades onde não chega alimentação para os presos, é a família, os funcionários e a Igreja local, que diariamente tem que providenciar. Cadeia onde a policia diariamente pega os presos põem no camburão para irem busca água no rio para tomar e para outras necessidades. Unidades prisionais onde se encontram homens, mulheres e menores todos presos nas mesmas cadeias. Presídios sem funcionários, somente o diretor e o secretário sem nenhum funcionários a mais. Cadeia onde a chuva faz transbordar nas celas todo o que esta nos esgotos. A sujeira, o mal cheiro os insetos, ratos, baratas convivem disputando o espaço com os presos isto tudo sem falar das torturas e maus tratos".
Distrito Policial                                           foto O POVO








                enquanto isso,
               em Fortaleza...
                     

sábado, 18 de fevereiro de 2012

MUITA COINCIDÊNCIA OU QUADRILHA (lembrando Drummond)

Do Blog do Mourão           
17 Feb 2012 12:04 PM PST


"O Ministro das Comunicações, Sr. Paulo Bernardo, é marido da Senadora Gleisi Hoffmann que é a Chefe da Casa Civil da Presidência da República.
O Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, é irmão de Mirian Belchior, Ministra do Planejamento.
E, essa senhora, Mirian Belchior, foi casada com Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, que morreu assassinado de forma ainda não esclarecida.
A doutora Elizabete Sato, delegada que foi escalada para investigar o processo sobre o assassinato do Prefeito de Santo André, Celso Daniel, é tia de Marcelo Sato. Este é marido da Lurian, filha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Exatamente: Marcelo Sato, o genro do ex presidente da República, é sobrinho da Delegada Elisabete Sato, Titular do 78º DP, que demorou anos para concluir que o caso Celso Daniel foi um “crime comum”, sem motivação política.
Também, por coincidência, Marcelo Sato é dono de uma empresa de assessoria que presta serviços ao BESC – Banco de Santa Catarina (federalizado). Esse banco é dirigido por Jorge Lorenzetti (lembram-se?o churrasqueiro oficial do presidente Lula e um dos petistas envolvidos no escândalo da compra de dossiês).
E ainda, por incrível coincidência, esse senhor é o marido da senadora Ideli Salvatti (PT), ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Lembrei-me de Carlos Drummond de Andrade em uma poesia chamada QUADRILHA:


João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história".   



qualquer coincidência é mesmo semelhança

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Liberdade Ainda Que Tardia


 Tomo a liberdade de apresentar o  IPPOO I ((Instituo Penal Professor Olavo Oliveira I)...
                                                                                      

  









... hoje com o nome pomposo de Colônia Urbana Industrial do Itaperi...

 






... mais de 440 homens, em regime semi-aberto, na total ociosidade, à espera de uma carta de emprego...






                     ...na realidade vivem em regime fechado ...          
                                                                             
                                                                                                        









...  entocados em cubículos...
                                                                                                                                 

                 
                                                    



         
  ... entre ruinas...
       
            mato... 
        
                          
                                                     
                                                         



escobros...

                     sujeira...
                                 

                              
                                                                         .. um fantasmagórico banheiro...



        
 

 esconderijo de ratazanas...

           
                        

        
                   de   mosquitos da dengue....




                                                                            
                                                                                   


  





e de túneis para fugas...                

    esconderijo de armas... 


              

                 celulares...




                                e drogas...


... resultado de uma busca no dia 19 de setembro de 2011
                  

                36 celulares                        
                                                             33 chips
              8 carregadores
                                                                                                              

       10 fones
            

 09 baterias
                                                      01 alicate
          23 trouxas médias de maconha
                                                                              05 trouxas grandes de maconha
   09 barras de ferro
                                        03 cachimbos
                                                             05 trouxas de crack
                                                                         02 pedras pó branco (provavelmente cocaína)
      01 tijolo de maconha prensada
                                                                        07 facas de mesa
                                     38 cossocos


                                                Quem procura acha...quase toda a semana!

média na mídia

 1. Em nome de Jesus

Acabo de assistir o programa ROTA 22 da TV Diário onde foram veiculadas duas matérias  relacionadas ao Sistema Penitenciário. Na primeira reportagem, duas mulheres de internos da CPPL II (Casa de Privação Provisória de Liberdade II Clodoaldo Pinto) denunciam com detalhes o tratamento diferenciado que beneficia a comunidade evangélica liderada por um  interno que exerce a função de pastor. De costas para o público televisivo, as mesmas relatam pressões e tentativas de suborno. De imediato, o reporter informa que a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado  desmente qualquer denúncia.
Como sempre, é a palavra de mulher de preso versus palavra da Instituição. Sempre assim: palavra de preso, de mulher de preso e de quem gosta de preso nunca tem peso e c´est fini. Não vai ser difícil para o Núcleo de Inteligência da SEJUS identificar as denunciantes e adotar as "medidas cabíveis" bem conhecidas..Enquanto isso, criam-se dentro das unidades alas exclusivamente evangélicas funcionais ao Sistema Penitenciário, deturpando desta forma a missão evangelizadora das igrejas dentro das unidades penitenciárias.


2. Casa de ferreiro, espeto de pau

Na segunda reportagem, o diretor do IPPOO II (Instituo Penal Professor Olavo Oliveira) fala das oportunidades de ressocialização oferecidas aos internos através de múltiplas  atividades. Enquanto isso são exibidas imagens de arquivo da Emissora, referentes à atividades de mais de quatro anos atrás. Prova disso é o  fardamento dos internos  exibindo  ainda a logo da CONAP. A confusão, talvez, seja de responsabilidade da Secretaria de Justiça e Cidadania mas da TV Diário que, por não ter conseguido imagens atualizadas, optou por imagens de arquivo. Imagino o constrangimento moral de um certo número de egressos e e seus familiares "vendo-se ainda" atrás das grades. Quem tomou consciência disso que levante o braço.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

virou coqueluche

Evangelizar é preciso 
Finalizando mais um domingo...

Se a expressão “virar coqueluche” já não estivesse em desuso, me atreveria em dizer que o mote acima citado está se tornando a coqueluche da mídia católica pós moderna. Nada contra. Só muitas reservas.
Foi o que me passou pela mente ao contemplar Jesus que cura o leproso com tanta compaixão e ternura. Interessante. Mal a lepra desapareceu, logo Jesus o mandou embora, impondo com firmeza de não contar nada a ninguém. O miraculado desobedeceu, criando assim um mal estar para Jesus que terá de se esconder em lugares desertos. (Mc 1,40-45).
Em sua progressiva aprendizagem evangelizadora, Jesus percebe o perigo (a mídia ainda não fora inventada!) e rechaça a  imagem de curandeiro itinerante sempre  pronto a satisfazer, num toque de mágica, qualquer expectativa de cura. Tentação que o acompanhará até que, no tempo oportuno, tomará a decisão de não mais operar milagres em nome do único grande milagre: a capacidade de amar até a entrega definitiva do seu próprio corpo. Jesus que cura é o mesmo que, mais tarde, será torturado e morto na cruz, por não aceitar o desafio de salvar a si próprio.

E a coqueluche acima? Luz, câmara, ação! Estou cada vez mais convencido que o seguimento de Jesus nada tem a ver com a “onda milagreira” cantada em versos e prosa sob os holofotes dos palanques feitos presbitérios e presbitérios feitos palanques, por vezes, até de mau gosto midiático.  
Onde está escrito que Jesus quer ser anunciado como panacéia contra todos os males? Quem conferiu  à Igreja  a missão de ser  mais uma, entre as tantas agências promotoras de lucrativos eventos (ainda que em nome de Jesus)?
“Caminhar na estrada de Jesus e com Jesus”, é andar com Ele no caminho estreito dos calvários da vida, e perceber,  em profundidade,  o significado de seus gestos e a força libertária de sua palavra. 
A Palavra que se “fez carne” Jo 1. A carne que morre na cruz tornando verdadeira a profecia do Filho do Homem: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim.” (Jo 12,32).

No palanque do Calvário os holofotes se apagam, o sol escurece, a terra treme e rasga-se em duas partes a cortina do santuário. São os únicos efeitos midiáticos para atrair os corações e as mentes daqueles que buscam, sem outro interesse, ao Deus de Jesus.
Por incrível que pareça, a cruz é a revelação do Deus verdadeiro que atrai e não dispersa. Os palanques midiáticos, estes sim, dispersam quase todos ao apagar de suas luzes.

         É  PRECISO  EVANGELIZAR  OS  EVANGELIZADORES !

auto-estima da pomba

Cá com os meus botões....


                                          Jornal   Diário do Nordeste

Uma pombinha tão assustada , não seja, talvez, o melhor marketing da paz nos estádios. Tendo acompanhado a mídia nesta última semana, chego à conclusão que, com raras exceções, foi alimentado o medo de quem já vive assustado pela violência e fortalecidos os instintos animalescos dos maus torcedores. O tito pode sair pela culatra.
Faltaram títulos, debates e sugestões para levantar a auto-estima dos amantes das competições civilizadas e conclamá-los para gestos criativos em nome da paz. Não basta monitorar exaustivamente as torcidas, antes, durante e depois dos jogos. Nem tampouco endurecer com um policiamento ostensivo e truculento. A mídia, quando quer, sabe muito bem como “fazer a cabeça” da sociedade. Permitam-se dizer que foi mais uma entre tantas ocasiões perdidas.
                                                          Jornal   O POVO





Mesmo assim, 
vamos torcer... 
pela PAZ NOS ESTÁDIO! 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

água mole em pedra dura...bateu e deu certo

A inauguração das duas Varas de Execuções Penais (VEPs) que marcou no dia 08 deste mês  o Fórum      Clóvis Beviláqua na comarca de Fortaleza, tem tudo para marcar um passo significativo no combate à morosidade processual que vem caracterizando, há anos, a Justiça cearense.
                                                   a partir da direita os dois novos juizes

Era por demais conhecida a ineficiência de uma única vara sob a responsabilidade de um único juiz responsável por mais de 25 mil processos em tramitação. Que o digam os familiares dos apenados em suas sofridas idas quase que diárias ao Fórum, em busca de informações. O mesmo diga-se dos advogados e defensores sem condição de acompanhar responsavelmente o interminável iter processual. Que o digam, sobretudo, os próprios presidiários que ficando atrás das grades por tempo indeterminado mesmo após a pena vencida.Aqueles que lidam quotidianamente com o Sistema Penitenciário são unânimes em reconhecer que motins, rebeliões, tentativas de fugas, assassinatos e todo o tipo de violência, muitas vezes, são o termômetro do nível de desespero de quem se sente "esquecido" pela própria Justiça.
Nos discursos de praxe que caracterizam os eventos deste porte, não faltou o enfático apelo de um dos desembargadores presentes: "Trabalhar com execução penal exige vocação, dedicação e sensibilidade". Exatamente aquilo que, ao meu ver, vem faltando há muito tempo. E, com certeza, não foi a sensibilidade dos honoráveis togados que levou à criação de duas novas varas. Mais uma vez, as pressões vindas “de baixo” e o medo das conseqüências de uma realidade carcerária cada vez mais explosiva conseguiram “por mal” o que as novas doutrinas jurisprudenciais não conseguiram “por bem”. Ainda bem que os dois novos juízes  Luciana Teixeira e Cézar Belmino Barbosa, além de um reconhecido know-how profissional, são portadores de uma comprovada postura ética e democrática e de uma lúcida compreensão da Justiça Restaurativa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

REINVENÇÃO

Leio na página Opinião do Jornal O POVO de hoje, 05/02/ o artigo "Reinvenção" do filósofo e professor Manfredo Araujo de OLiveira que, com a lucidez que lhe é peculiar, procura interpretar o fenômeno  das  inúmeras  manifestações  em  muitos países européus. Mesmo um tanto longo, prefiro postá-lo na íntegra.

O ano que passou trouxe uma grande surpresa para todos os que estavam convencidos de que nossas democracias modernas representavam a expressão suprema da forma de organizar a vida coletiva. Em vários países, Tunísia, Egito, Grécia, Espanha, Itália, Portugal e Inglaterra, as multidões tomam ruas e praças numa luta coletiva em favor do que se poderia chamar “radicalização da democracia”. O novo nesse processo é que as lutas democratizantes, em parte radicalmente anticapitalistas, não foram incentivadas por partidos ou sindicatos, mas por multidões compostas de diferentes segmentos da população articulados a partir das redes sociais. Tudo indica que as pessoas queriam exprimir seu basta às diferentes formas de precarização da vida hoje em curso que são fruto da mercantilização universal.
O exemplo das manifestações na Espanha é, de certa forma, paradigmático. A convocação foi feita por uma rede denominada “Democracia real” e o lema era: “Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros. Democracia real já”. E num dos cartazes estava escrito: “Menos Materialismo e mais Humanismo”. Nos discursos se revelou uma enorme insatisfação frente à falta de opções fruto da ditadura dos mercados e das instituições financeiras.
Em Barcelona, as pessoas protestaram com o gesto de pôr a mão sobre a boca para exprimir como se sentem na forma vigente de democracia. Marina Garcés do coletivo espanhol “Espai en Blanc” afirmou que se tratava acima de tudo de um grito de dignidade frente às narrações catastróficas da crise que levaram as pessoas ao medo e à impotência. Agora emergia uma nova consciência de dignidade.
Afirmou-se nos grupos: não sabemos se mudaremos o país, nem se conseguiremos mudar as coisas, mas já mudou o fundamental, a relação com nós mesmos e com a nossa capacidade de tomar a vida em nossas mãos.
                                                         Mobilização na Espnha

O professor R. S. Cedillo sintetizou em três pontos básicos a enorme lista de reivindicações que apareceram: 1) Radicalização democrática do sistema político representativo; 2) Propostas contra a privatização dos serviços públicos, do sistema de pensões e contra os cortes nos serviços sociais; 3) Propostas de controle democrático do sistema financeiro e exigência de devolução do dinheiro pago aos bancos para que não falissem. A ideia é que esse dinheiro seja investido para o bem da população.
Sem dúvida, pode-se apontar para muitas ambiguidades nesse movimento, até mesmo para a falta de uma proposta suficientemente articulada, mas não se pode deixar de reconhecer que um sinal forte foi dado em relação à nossa forma de fazer política.
É o que diz o sociólogo francês Marc Lazar: “Se as elites políticas e os partidos clássicos permanecerem surdos a esse grito, se se contentarem com reforminhas de fachada ao invés de fornecerem respostas institucionais capazes de redesenhar a ágora moderna e permitirem que se satisfaça essa profunda aspiração à participação, correrão o risco de decepcionar e de agravar ainda mais a crise da representação política”. É o que dizia a multidão em Barcelona: “Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”.

Manfredo Araújo de Oliveira
Filósofo e professor da UFC

A IMPORTÂNCIA DO CAFEZINHO



Dois leões fugiram do Jardim Zoológico.
Na fuga, cada um tomou um rumo diferente. Um dos leões foi para as matas e o outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões por todo o lado, mas ninguém os encontrou.
Depois de um mês, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas. Voltou magro, faminto, alquebrado. Assim, o leão foi reconduzido a sua jaula.
Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrou do leão que fugira para o centro da cidade, quando um dia, o bicho foi recapturado. E voltou ao Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde.
Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para a floresta perguntou ao colega:
- Como é que conseguiste ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com saúde? Eu, que fugi para a mata, tive que voltar, porque quase não encontrava o que comer ... !!!
O outro leão então explicou:
- Enchi-me de coragem e fui esconder-me numa repartição pública. Cada dia comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.
- E por que voltaste então para cá? Tinham acabado os funcionários?
- Nada disso. Funcionário público é coisa que nunca se acaba. É que eu cometi um erro gravíssimo. Tinha comido o diretor geral, dois superintendentes, cinco adjuntos, três coordenadores, dez assessores, doze chefes de seção, quinze chefes de divisão, várias secretárias, dezenas de funcionários e ninguém deu por falta deles! Mas, no dia em que  eu comi o que servia o cafezinho... Estraguei tudo!!!


 ... vamos desopilar... hoje é domingo!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

“Vidas Independentes”

O projeto “Vidas Independentes” na Cadeia Pública de Caucaia, conhecida como “Cigana” pela sua localização no bairro do mesmo nome, procura assistir aos dependentes químicos custodiados pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus). Iniciado em janeiro, o projeto cadastrou os dez primeiros internos que manifestaram o desejo de participar, após a realização de um programa de incentivo e conscientização sobre os danos e riscos do uso de drogas. Durante os meses de dezembro de 2011 e janeiro, a Cadeia Pública promoveu cinco palestras com a participação de profissionais da saúde do CAPES para a sua efetivação.

A parceria, firmada com o Centro de Assistência Psicossocial de Dependentes de Álcool e Drogas (CAPES AD), Prefeitura Municipal de Caucaia e o Conselho da Comunidade de Caucaia, recebeu o apoio da Vara Única do Júri e de Execução Penal da Comarca de Caucaia da Região Metropolitana de Fortaleza. O projeto irá desenvolver todo o tratamento clínico, psicológico e terapêutico social dentro da própria unidade prisional.
Segundo o juiz Michel Pinheiro, titular da Vara, o projeto tem a finalidade de prevenir o tráfico de entorpecentes, que ocasiona violência pela necessidade do consumo, principalmente, das drogas pesadas, como crack, cocaína e haxixe. Além disso, é instrumento benéfico à saúde pública e a paz social da família brasileira. Já o administrador da unidade, Lino Coelho, explicou que o objetivo é dar excelência ao tratamento antidrogas para resgatar e oferecer uma expectativa de uma vida saudável para os detentos.
Observador da problemática nas unidades, o diretor da unidade informa que o projeto é de grande interesse da Cadeia Pública de Caucaia e que a sua importância está ligada à incidência de casos, em que o crime é motivado pelo uso de entorpecentes. “Daí a oportunidade, de oferecer, com essa parceria, uma ação terapêutica que requer o interesse do paciente em querer abandonar o uso de drogas”.

Os 10 dos 83 internos, hoje na Unidade, são consultados, individualmente, pelos médicos psiquiatras e em outros momentos tem atividades em grupos, orientados pelos psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, do CAPES, de onde, também, recebem a medicação. As avaliações serão mensais, constatadas as melhoras, será aberta oportunidade para outros internos que queiram participar. Mesmo com pouco tempo de iício, outros 30 internos já aguardam vaga no projeto.
O projeto prevê a continuação do tratamento, após o interno mudarde regime fechado para semiaberto ou aberto, pois os prontuários ficarão no CAPES, com participação das famílias: “é imprescindível a participação dos familiares para entender o tratamento, os períodos de abstinência e na regressão da pena, à volta ao lar, ao convívio social”, informa Lino.
                                                                                      (fonte:Conselho da Comunidade de Caucaia)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Supremo mantém poderes de investigação do CNJ

Ministros no plenário do STF durante a sessão que julgou ação sobre o CNJ

 Muitas águas ainda vão rolar. Mas, vale por enquanto comemorar a vitória, mesmo apertada, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que, por 6 votos a 5 obteve do STF (Supremo Tribunal Federal) a autonomia em abrir investigações contra magistrados, sem depender de corregedorias locais.
A decisão de hoje contraria a liminar do ministro Marco Aurélio que, no fim do ano passado, defendia a tese de que o CNJ só poderia invetigar magistrados após os processos nas corregedorias dos tribunais estaduais.

A COPA DO MUNDO (2014) NÃO SERÁ NOSSA!

    Para bem funcionar, um país precisa  de  regras. Se carece de leis e de quem zele por elas, vale a anarquia.  O Brasil  possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas  pode contrariar a  lei maior – a Constituição. Só em princípio. Na  prática, e na Copa, a teoria é  outra.    Diante do megaevento da  bola, tudo se enrola. A legislação corre  o risco de ser escanteada e,  se acontecer, empresas associadas à Fifa ficarão  isentas de pagar  impostos.
    A lei da responsabilidade fiscal, que  limita o  endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas  à  Copa e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista   em planejamento urbano, um município poderá se endividar para  construir um  estádio. Não para efetuar obras de saneamento...
    A  Fifa é um cassino.  Num cassino, muitos jogam, poucos ganham. Quem  jamais perde é o dono do  cassino. Assim funciona a Fifa, que se  interessa mais por lucro que por  esporte. Por isso desembarcou no  Brasil com a sua tropa de choque para obrigar  o governo a esquecer  leis e costumes.
    A Fifa quer proibir, durante a  Copa, a  comercialização de qualquer produto num raio de 2 km em torno dos   estádios. Excetos mercadorias vendidas pelas empresas associadas a  ela. Fica  entendido: comércio local, portas fechadas. Camelôs e  ambulantes, polícia  neles!
    Abram alas á Fifa! Cerca de 170 mil  pessoas serão removidas de  suas moradias para que se construam os  estádios. E quem garante que serão  devidamente indenizadas?

    A  Fifa quer o povão longe da Copa. Ele que se  contente em acompanhá-la  pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da  elite, dos  estrangeiros e dos que tiverem cacife para comprar ingressos em  mãos  de cambistas. Aliás, boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente   na Europa.
    A Fifa quer impedir o direito à meia-entrada.  Estudantes e  idosos, fora! E nada de entrar nos estádios com as  empadas da vovó ou a  merenda dietética recomendada por seu médico. Até  água será proibido.
     Todos serão revistados na entrada. Só uma  empresa de fast food  poderá vender seus produtos nos estádios.  E a proibição de bebidas alcoólicas  nos estádios, que vigora hoje no  Brasil, será quebrada em prol da marca de uma  cerveja made in  usa.  
Comenta o prestigioso jornal Le Monde   Diplomatique: “A recepção de um megaevento esportivo como esse  autoriza  também megaviolação de direitos, megaendividamento púbico e   megairregularidades.”
    A Fifa quer, simplesmente, suspender,  durante a  Copa, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do  Idoso e do Código de  Defesa do Consumidor. Todas essas propostas  ilegais estão contidas no Projeto  de lei  2.330/2011, que se  encontra no Congresso. Caso não  seja aprovado, o Planalto poderá  efetivá-las via medidas provisórias. 
    Se você fizer uma  camiseta com os dizeres “Copa 2014”, cuidado. A Fifa  já solicitou ao  Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro  de mais  de mil itens, entre os quais o numeral “2014”.
    (Não) durmam   com um barulho deste: a Fifa quer instituir tribunais de exceção  durante a  Copa. Sanções relacionadas à venda de produtos, uso de  ingressos e  publicidade. No projeto de lei acima citado, o artigo 37  permite criar  juizados especiais, varas, turmas e câmaras  especializadas para causas  vinculadas aos eventos. Uma Justiça  paralela!
    Na África do Sul, foram  criados 56 Tribunais  Especiais da Copa. O furto de uma máquina fotográfica  mereceu 15 anos  de prisão! E mais: se houver danos ou prejuízo à Fifa, a culpa  e o  ônus são da União. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser o fiador da   FIFA em seus negócios particulares.
    É hora de as torcidas  organizadas e  os movimentos sociais porem a bola no chão e chutar em  gol. Pressionar o  Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a  legislação brasileira no  banco de reservas. Caso contrário, o torcedor  brasileiro vai ter que se  resignar a torcer pela  TV.

    Frei Betto 
é escritor, autor de “A  arte de semear  estrelas” (Rocco), entre outros livros.