sábado, 31 de março de 2012

semana santa

  descendo.. e comece pelo primeiro ato.

    (último ato)               

                       Um caminho que se eterniza...
    


3.1 Fica evidente que Jesus é o autor principal da Paixão. Porém, basta de pensar fantasias, dizendo que ele sofreu mais do que todos os demais. A história no mundo está cheia de mulheres, de homens e de crianças que foram vítimas, torturados e mortos injustamente. Por outro lado, o que a história teológica de Jesus nos ensina é que a sua paixão, seus sofrimentos e a sua morte nos fazem tomar consciência que, através de Jesus, Deus quis se solidarizar conosco, com as nossas paixões, com os nossos sofrimentos e mortes. Sofrendo a sua paixão, Jesus representa todos aqueles e aquelas que, na nossa humanidade, são crucificados de uma maneira ou de outra, pelo mal, à prova, à doença, à fraqueza, à brutalidade, à solidão e à injustiça. Todas aquelas e todos aqueles que são vítimas do abandono, da calúnia ou da sentença injusta, da tortura psíquica ou moral... Todas essas pessoas podem se reconhecer em Jesus Cristo: “Fui morto, diz São Paulo, na cruz com Cristo” (Gal 2,19). Isso quer dizer que ele está perto de nós nos nossos caminhos de cruz. Nossas lutas são a imagem do seu combate contra o mal e a injustiça. E é por isso que nós devemos ir até o fim, sem compromisso, se quisermos ser semelhantes a ele. Vamos precisar a vida toda para chegar a isso; é melhor começar desde já. Na espera, nós podemos nos situar também em relação aos outros autores do drama, apresentados por São Marcos e que eu enumerei antes...

3.2. É difícil para nós olharmos de longe para estes outros autores do drama, como se não tivéssemos nada em comum com eles: uma das últimas refeições de Jesus na casa de Simão o leproso, isto é, um excluído... e, ao longo da comida, uma mulher, sem nome, vem ungir Jesus antes da sua morte; ela vem perfumar a cabeça daquele que seria coroado de espinhos (Mc 14,3). Essa mulher é criticada severamente por uma questão de dinheiro (Mc 14,4-5). Porém Jesus diz: “por toda a parte, onde a Boa Notícia for pregada, também contarão o que ela fez, e ela será lembrada” (Mc 14,9). Todos os excluídos de hoje, da nossa sociedade e da nossa Igreja, podem se reconhecer em Simão o leproso, ou nesta mulher sem nome que tem um lugar privilegiado no coração do Cristo da Páscoa. Eles são os escolhidos de Deus. Não devemos esquecer-nos disso... E os outros agora: Judas nos lembra as nossas traições na amizade, no amor, com as palavras que falamos. Pedro nos leva para as nossas negações e aos nossos abandonos, quando nos achamos melhores do que os outros. Os discípulos adormecidos, depois fugindo, será que eles não são o reflexo dos momentos em que ficamos dormidos e das nossas faltas de coragem quando temos que nos expor e testemunhar? Será que Pilatos não evoca as nossas negligências diante de Deus e diante dos homens quando os nossos interesses pessoais ficam antes da justiça e da verdade?

Pelo contrário, outros atos da Paixão dão prova da coragem e da fé: Simão de Cirene, que levou a cruz ao lado do Senhor; ele encarna os acompanhamentos fraternais que nós fazemos das pessoas que sofrem ou que são excluídas. Esse homem vestido com um lençol é, sem dúvida, o próprio Marcos que, como Alfred Hitchcock, entra na sua própria narrativa para dá-lhe ainda mais credibilidade; é este mesmo jovem que encontramos na manhã da Páscoa, sentado no túmulo, desta vez vestido com uma roupa branca, a roupa da Ressurreição. Esse jovem é o próprio Jesus, desvestido para expressar a morte, mas ele é também o Cristo vestido de branco para expressar a Ressurreição. Ele representa também todos os cristãos que aceitam ser desvestidos, isto é, despojado de si mesmos, da sua própria vida, para revestir-se do Cristo Ressuscitado. O Centurião romano que rende homenagem ao Crucificado, nós o acompanhamos quando testemunhamos a nossa esperança cristã. Poderíamos continuar com todas as personagens da narrativa... Em quais nos reconhecemos?

A Paixão de Cristo continua ainda hoje, sob nossos olhos, da mesma forma que a sua Ressurreição... Qual é o papel que nós temos? Podemos ter a impressão de que os nossos caminhos de cruz se eternizam... É verdade! Mas não esqueçamos que eles desembocam necessariamente sob o sol da manhã da Páscoa; caso contrário as nossas cruzes são inúteis e os nossos caminhos não nos conduzem a lugar nenhum...  


             
                          Boa Semana Santa!

semana santa

        ( 2º ato ) 

                          Um caminho que se eterniza...
    

 1. Visto que a morte e a ressurreição de Jesus são inseparáveis como evento fundador da fé cristã, certamente devemos entrar nessa contradição, nesse paradoxo da fé em que a vida e a morte se superpõem continuamente; elas são sempre parte da nossa realidade humana: nascemos e morremos. A natureza testemunha isso sem cessar. A vida e a morte são dois lados de uma mesma realidade: a vida abre a porta da morte e a morte chama à vida.  



2. Outro paradoxo da festa de hoje merece ser sublinhado: é essa mesma multidão que por vezes aclama (Mc 11,9-10) e que também depois condena (Mc 15,13-14). Mais uma vez, isso faz parte da nossa realidade humana. A multidão é sempre versátil. Basta uma liderança para manipulá-la em qualquer sentido, no melhor ou no pior. Os humanos que compõem a multidão são facilmente influenciáveis por elementos e situações que, às vezes, lhes fazem renegar a si próprios: nas instituições, nas empresas ou nas fábricas, vemos frequentemente situações injustas flagrantes... Quantas pessoas vão aceitar se arriscar para denunciá-las? O medo se instala rapidamente: o medo de perder o emprego, o medo de ser rejeitado, o medo de ser isolado, o medo de não poder ter acesso a um lugar superior, o medo de ter que brigar em nome da justiça, o medo de ter medo... É triste! Mas a maioria das pessoas é assim. Eu mesmo experimentei isso mais de uma vez. É, portanto, essa maioria que compõe a multidão, isto é, as mulheres e os homens aos que dá para lhes fazer qualquer coisa...

3. Relendo a Paixão de Marcos, onde o evangelista nos apresenta um Jesus humano e um homem seguro de si, eu creio que seria útil nos situarmos em relação às numerosas personagens que integram sua narrativa: sumos sacerdotes, escribas e anciãos, uma mulher de Betânia na casa de Simão o leproso, Judas Iscariotes o traidor, os dois discípulos e o homem com o cântaro de água, os Doze com Pedro seu porta-voz, os dois irmãos Tiago e João, uma tropa armada de espadas e de paus, servidores do sumo sacerdote, sendo que um deles perdeu a orelha, Caifás e as falsas testemunhas, os serventes, Pilatos, a multidão, Barrabás, os soldados, Simão de Cirene, pai de Alexandro e de Rufo, os transeuntes, os anônimos no momento da crucifixão, as mulheres que olhavam, entre elas: Maria de Magdala, Maria, a mãe de José, o centurião romano, José de Arimateia, e esse jovem vestido com um lençol que se escapou nu... Há muita gente e todas essas pessoas nos dizem algo do que nós somos.


                                                                                                                          (continua)

semana santa

            
(1º ato)
                         Um caminho que se eterniza...


Comentário do padre canadense Raymond Gravel, às leituras do Domingo de Ramos 2012 (Mc 11,1-10 e Mc 14,1-15,47) Tradução de Susana Rocca. Para facilitar a "meditação", vou postar o comentário em doses homeopáticas, até o final deste domingo 01 de abril de 2012.


  
                                                                                              

É o início da Semana Santa, da Grande Semana em que nós lembramos o evento fundante da    nossa       vida cristã: a Morte-Ressurreição de Cristo; é a ocasião na qual nós nos lembramos deste caminho de cruz que se eterniza... Neste domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, esta festa já marca o duplo evento, que não pode ficar separado na nossa fé cristã: a morte-ressurreição. O paradoxo dessa festa se expressa através da contradição de multidão que, por momentos, aclama o Cristo como rei com ramos nas mãos, que grita pedindo que o crucifiquem como um bandido qualquer com os punhos fechados.

Mas, atenção! Esses dois eventos narrados por São Marcos são narrativas teológicas, não são históricas no sentido material do termo, mas que querem nos dizer algo da nossa realidade humana contemporânea. Foram compostas à luz da Páscoa e é na luz da Páscoa que devemos interpretá-las. Os Ramos e a Paixão são duas festas diferentes que foram postas juntas a partir do décimos século na Igreja latina.

A festa de Ramos tem origem na festa judaica das Tendas ou dos Tabernáculos, onde os judeus, no mês de setembro, faziam grandes procissões com os ramos nas mãos no intuito de celebrar o fim das colheitas e para se lembrarem da estadia dos Israelitas no deserto. O evangelista Marcos aplicou, então, a Jesus Ressuscitado essa procissão de ramos, para sublinhar o evento teológico da sua morte-ressurreição. Essa festa dos Ramos, os cristãos do terceiro século a celebravam no domingo precedente à Páscoa. A festa da Paixão, com seu caminho de cruz, era celebrada em Roma a partir do quarto século, no momento da conversão do imperador Constantino. Essa festa marcava a entrada da Igreja na Semana Santa. A partir do século X, as duas tradições se juntaram oficialmente na Igreja latina, e no século XVI encontramos a dupla festa no missal romano. O Papa Pio XII, em 1955, marcou os ritos que foram adaptados em 1970, com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Essa é a história da festa de hoje...
 Mas, em 2012, o que podemos resgatar dessa dupla festa?

 Nos ensinaram a ter respostas para tudo. Há momentos em que devemos aceitar o desafio de ter perguntas para tudo!
                                                                                                                            (continua)   

sexta-feira, 30 de março de 2012

o político e as fraldas

Está circulando na Internet. É bem verdade que tem político e político, mas todo cuidado é pouco.
O florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo. Após o corte perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.O florista ficou feliz e foi embora.
No dia seguinte, ao abrir a barbearia,havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista.
Mais tarde, no mesmo dia, veio um padeiro para cortar o cabelo. Após o corte, ao pagar, o barbeiro disse:- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana. O padeiro ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de agradecimento do padeiro.
Naquele terceiro dia veio um deputado para um corte de cabelo. Novamente, ao pedir para pagar, o barbeiro disse:- Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana. O deputado ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de deputados fazendo fila para cortar cabelo. Essa é a diferença entre os cidadãos e os políticos.


“Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão.” (Eça de Queiróz)

terça-feira, 27 de março de 2012

josé comblin

 Recebi do Pe. Vileci (coordenador do 13º Intereclesial)

Hoje, 27 de março, celebramos o primeiro aniversário da ressurreição de Pe. José Comblim.
Fazemos memória lembrando a sua contribuição com a Teologia da Libertação na sua criticidade e metodologia.
Era um teólogo que não vivia nas universidades, mas no meio dos pobres. Procurou nos seus últimods anos, viver no interior do semiárido brasileiro,
no meio dos camponeses para mergulhar melhor no universo religioso do povo romeiro e compreender Deus.
Estive no seu túmulo no mês de junho de 2011 e presenciei quanta simplicidade é o lugar que ele escolhera para seu descanço.
Lá encontrei também o túmulo de muitos beatos e beatas do sertão paraibano - Santa Fé de Solânia - PB. Todos ao redor do grande mestre Pe. Ibiapina.
Como pode, um homem vindo de tão longe e fincar pé para ficar ao lado dos mais simples até na hora da morte?
Isso é o que chamo de opção: não escolher as catedrais, mas um simples espaço ao lado de gente simples como os beatos,
os últimos dos últimos na religião católica - gente que fez teologia com o testemunho da Fé!
Santos de Deus, rogai por nós!



                                                 sepultamento: 29/03/2011

Pela memória, verdade e justiça!

Pedro Tierra
poeta e militante

 

Saímos às ruas hoje para resgatar a história do nosso povo e do nosso país. Lembramos da parte talvez mais sombria da história do Brasil, e que parece ser propositadamente esquecida: a Ditadura Militar. Um período onde jovens como nós, mulheres, homens, trabalhadores, estudantes, foram proibidos de lutar por uma vida melhor, foram proibidos de sonhar. Foram esmagados por uma ditadura que cruelmente perseguiu, prendeu, torturou e exterminou toda uma geração que ousou se levantar.

Não deixaremos que a história seja omitida, apaziguada ou relativizada por quem quer que seja. A história dos que foram assassinados e torturados porque acreditavam ser possível construir uma sociedade mais justa é também a nossa história. Nós somos seu povo. A mesma força que matou e torturou durante a ditadura hoje mata e tortura a juventude negra e pobre. Não aceitamos que nos torturem, que nos silenciem, nem que enterrem nossa memória. Não esqueceremos de toda a barbárie cometida.
Temos a disposição de contar a história dos que caíram e é necessário expor e julgar aqueles que torturaram e assassinaram nosso povo e nossos sonhos. Torturadores e apoiadores da ditadura militar: vocês não foram absolvidos! Não podemos aceitar que vocês vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta são silêncio, saudades e a loucura provocada pela tortura. Nós acreditamos na justiça e não temos medo de denunciar os verdadeiros responsáveis por tanta dor e sofrimento.
Convidamos a juventude e toda a sociedade para se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores, que hoje denunciamos e que vivem escondidos e impunes e seguem ameaçando a liberdade do povo. Até que todos os torturadores sejam julgados, não esqueceremos, nem descansaremos.
Pela memória, verdade e justiça!
Levante Popular da Juventude

ai se eu te pego

Nada a ver com o mau gosto musical acima!

             Jovens protestam contra torturadores
                             em todo o País


                                                            foto:  Correio do Brasil
                     
   Posso estar enganado, mas o Levante Popular da Juventude, em sua maioria universitária, que na segunda feira, 26, foi para as ruas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará, Ceará e Bahia, merece uma leitura atenta e crítica por parte dos analistas sociopolíticos.
O protesto é fruto da ação conjunta dos grupos que, aos poucos, estão surgindo e se mobilizando para expor publicamente ex militares e policiais acusados de tortura, abusos sexuais e homicídios durante a ditadura militar (1964-1985). Os protestos  ocorreram em frente a casa ou no local de trabalho dos acusados. Alguns  deles ocupam hoje cargos de destaque em repartições públicas ou empresas. Ao mesmo tempo, os manifestantes deixaram bem claro que estas e outras manifestações vêm para somar com a Comissão da Verdade que, apesar de já criada, ainda espera que seus membros sejam nomeados pela presidente Dilma.

                                                                                Ainda que quantitativamente pouco significativo , 
                                                                                                           o Levante Popular da Juventude 
                                                                                                    tem cheiro de “tempo novo vindo aí”.

pena de morte

cai o número de países que adotam a pena de morte, mas aumentam as execuções 



Enquanto diminui a lista de países onde ainda vigora a pena de morte, o número de execuções sobem para níveis alarmantes. A informação consta no relatório anual da Anistia Internacional.
O relatório denuncia que 676 pessoas foram executadas em 20 países em 2011. Trata-se de um aumento de 149 em relação ao ano anterior. Responsáveis pela maioria das execuções, pela ordem, são:Irã, Arábia Saudita, Iraque, Estados Unidos e Iêmen.
Suspeita-se que a China poderia ultrapassar os milhares de execuções mas os números reais não são mantidos escondidos pelo governo.
Conforme o relatório da Anistia Internacional 18.750 presos são mantidos no corredor da morte em todo o mundo.
Para a Anistia Internacional é preocupante o fato que, mesmo diminuindo u número de países que adotam a pena de morte, numa minoria de países estejam aumentando muito mais as execuções.

sexta-feira, 23 de março de 2012

comungar é tornar-se um perigo...

"Frente à ordem de matar seus irmãos deve prevalecer a Lei de Deus, que afirma: Não matarás! Ninguém deve obedecer a uma lei imoral (...). Em favor deste povo sofrido, cujos gritos sobem ao céu de maneira sempre mais numerosa, suplico-lhes, peço-lhes, ordeno-lhes em nome de Deus: Cesse a repressão!” (23 de março 1980)


 
 Estas são as últimas palavras do bispo Oscar Romero ao país. Foi sua última homilia, carregada de tons proféticos, rico do mais profundo conteúdo evangélico. No dia seguinte, ele é assassinado por um militar (há quem diga que era um agente da CIA), enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência . O arcebispo é atingido pelo tiro no momento em que erguia o cálice com o vinho consagrado. Ao cair, o sangue de Cristo se mistura com o sangue do mártir, uma comunhão perfeita, prenúncio da comunhão definitiva.

São Romero de América, Pastor e Mártir nosso

            O anjo do Senhor anunciou na véspera...

 
                    
            O coração de El Salvador marcava
            24 de março e de agonia.
            Tu ofertavas o Pão,
            o Corpo Vivo
            -o triturado corpo de teu Povo;
            Seu derramado Sangue vitorioso
            -o sangue «campesino» de teu Povo em massacre,
            que há de tingir em vinhos de alegria a aurora conjurada!
            
            O anjo do Senhor anunciou na véspera,
            e o Verbo se fez morte, outra vez, em tua morte;
            como se faz morte, cada dia, na carne desnuda de teu Povo.
            
            E se fez vida nova
            em nossa velha Igreja!
            
            Estamos outra vez em pé de testemunho,
            São Romero de América, pastor e mártir nosso!
            Romero de uma paz quase impossível nesta terra em guerra.
            Romero em flor morada da esperança incólume de todo o Continente.
            Romero da Páscoa latino-americana.
            Pobre pastor glorioso, assasinado a soldo, a dólar, a divisa.
            
            Como Jesus, por ordem do Império.
            Pobre pastor glorioso,
            abandonado
            por teus próprios irmãos de báculo e de Mesa...!
            (As cúrias não podiam entender-te:
            nenhum sinagoga bem montada pode entender a Cristo).
            
            Tua «pobreria» sim te acompanhava,
            em desespero fiel,
            pasto e rebanho, a um tempo, de tua missão profética.
            O Povo te fez santo.
            A hora do teu Povo te consagrou no kairós.
            Os pobres te ensinaram a ler o Evangelho.
            
            Como um irmão ferido por tanta morte irmã,
            tu sabias chorar, a sós, no Horto.
            Sabias ter medo, como um homem em combate.
            Porem sabias dar à tua palavra, livre, o seu timbre de sino!
            
            E soubeste beber o duplo cálice do Altar e do Povo,
            com uma só mão consagrada ao serviço.
            América Latina já te elevou à glória de Bernini
            na espuma-aureola de seus mares,
            no retábulo antigo de seus Andes alertas,
            no dossel irado de todas as suas florestas,
            na cantiga de todos os seus caminhos,
            no calvário novo de todos os seus cárceres,
            de todas as suas trincheiras,
            de todos os seus altares...
            Na ara garantida do coração insone de seus filhos!
            
            São Romero de América, pastor e mártir nosso:
            ninguém há de calar tua última homilia!
            
            Pedro Casaldáliga


a quem interessa apagar esta memória?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Cisterna, só se for de Placas

   O Dia Mundial da Água reuniu em Fortaleza centenas de representantes das comunidades do semiárido cearense. Com o grito de ordem: “Cisterna só se for de Placa!”, na sede da Secretaria de Desenvolvimento Agrário além de reivindicar medidas urgentes no abastecimento de água do Estado, os manifestantes criticaram o projeto do governo federal que vem, aos poucos, substituindo a experiência exitosa das cisternas de placas por cisternas feitas de polietileno sob o pretexto de acelerar uma das principais políticas de combate aos efeitos da seca.
Na verdade, depois de não alcançar a meta de construir um milhão de cisternas no semiárido nordestino entre 2003 e 2008, o governo federal está tentando  recuperar o tempo perdido distribuindo 300 mil cisternas de plástico. Dessa forma a meta de um milhão de cisternas não conseguida até hoje, poderá ser alcançada até 2014. Enquanto isso, continuarão sendo construídas também 450 mil cisternas de placa de cimento.
Conforme dados oficiais, cada cisterna de polietileno tem custo total (equipamento e instalação) de R$ 5.090, ou seja, mais que o dobro da cisterna de placas de cimento –que sai por aproximadamente R$ 2.200. Assim, enquanto as 300 mil cisternas de polietileno vão custar R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos, se a tecnologia utilizada fosse a de placas, esse valor seria de R$ 660 milhões.
Para as organizações sociais que há tempo vêm organizando as comunidade no enfrentamento da vida  no semiárido, a estratégia do Governo é estranha e inaceitável uma vez que essa nova política exclui a população local da participação no processo comunitário de construção e manutenção das cisternas de placas, criando assim dependência das empresas.  Enquanto a cisternas de pacas podem durar,  em média, cerca de trinta anos, as de plástico fornecidas pelo governo Federal já começam a apresentar problemas depois de pouco tempo de uso.

A cisterna de placas é um tipo de reservatório d'água cilíndrico, coberto e semienterrado, que permite a captação e o armazenamento de águas das chuvas, aproveitadas a partir do seu escoamento nos telhados das casas, através de calhas de zinco ou PVC. A cisterna de placas permite o armazenamento de água para consumo humano em reservatório protegido da evaporação e das contaminações causadas por animais e dejetos trazidos pelas enxurradas. A experiência tem provado que uma cisterna de placas com capacidade de 15 a 16 mil litros pode garantir água potável para a família beber e cozinhar durante quase um ano. .

quarta-feira, 21 de março de 2012

declaração universal dos direitos da água

   Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

    Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

    Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

    Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

    Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

    Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.


    Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

    Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

    Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

    Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

22 de março: Dia Mundial da Água

   
Nosso planeta tem cerca de dois terços só de água. Pela lógica, parece haver água sobrando para a população, não é? Parece um absurdo falar em crise da água?
    Vamos aos fatos: 97% da água do planeta são água do mar, imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, escondidos no interior do planeta. Para o consumo de mais de seis bilhões de pessoas está disponível apenas 0,007% do total de água da Terra.
    Some-se a isto o despejo de lixo e esgoto sanitário nos rios, ou ainda as indústrias que jogam água quente nos rios - o que é fatal para os peixes. A pouca água que existe fica ainda mais comprometida. Isto exige a construção de estações de tratamento de esgoto e dessalinização, por exemplo. E exige conscientização para que se evite o desperdício e a poluição, principalmente nas grandes cidades.
    Com o objetivo de chamar a atenção para a questão da escassez da água e, conseqüentemente, buscar soluções para o problema, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 1992 o Dia Mundial da Água: 22 de março.

domingo, 18 de março de 2012

sinhô são josé

 Outras serão as razões se chover o não amanhã, dia 19 de março, festa de São José padroeiro do Ceará.Tampouco, se boto fé em São José não é por via das chuvas.(até que uma boa chuva cairia bem...né São José!). Seja como for, minha alma nordestina não pode deixar de lembrar o poema de Patativa do Assaré interpretado por Luis Gonzaga que, se ainda estivesse vivo, festejaria 100 aninhos de vida.

 Um trechino só da TristePartida,  para matar saudades dos dois 
e festejar o santo querido sinhô São José:

                                                     ...
                                                    Sem chuva na terra        
                                                    Descamba Janeiro,
                                                    Depois fevereiro
                                                    E o mesmo verão
                                                    Meu Deus, meu Deus
                                                    Entonce o nortista
                                                    Pensando consigo
                                                    Diz: "isso é castigo
                                                    não chove mais não"
                                                                Ai, ai, ai, ai
                                                                         Apela pra Março
                                                                         Que é o mês preferido
                                                                         Do santo querido
                                                                         Sinhô São José
                                                                         Meu Deus, meu Deus
                                                                         Mas nada de chuva
                                                                         Tá tudo sem jeito
                                                                         Lhe foge do peito
                                                                         O resto da fé
                                                               Ai, ai, ai, ai...

Patativa do Assaré 1909 - 2002
Luis Gonzaga 1912 - 2012
                              

boto fé só nesta cruz

meditação ao apagar das luzes do 4°domingo da Quaresma

“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado” (Jo 3,14) 

Naquele tempo, bastava levantar os olhos para a serpente de bronze e, de imediato, as mordidas das serpentes venenosas deixavam de matar o povo na longa travessia do deserto.
Um pouco mais complicado , nesses tempos pós-modernos, conseguir escapar das mordidas das inúmeras serpentes entocadas nos sinuosos labirintos desta nossa história mal contada e construída. Cobras criadas e recriadas à sombra dos falidos paradigmas de uma humanidade cada vez mais refém de sua própria lógica de vida.
Desconstruir é preciso! Quem sabe, reconhecendo, antes de tudo, que somos herdeiros de um cristianismo que atravessou a história sonhando milagres divinos e que, com as devida exceções, por não saber distinguir o “joio do trigo” prefere olhar o mundo à distancia e demonizá-lo com seus anatemas.
Desconstruir o “estelionato teológico” apregoado em certos palanques midiáticos, católicos e evangélicos, onde os exorcismos, os milagres e as curas são “profetizados” à toque de caixa para afastar os cristãos do enfrentamento das ambiguidades da história humana.
O próprio Filho do homem, no exórdio de sua prática evangelizadora, profetizou sobre o mar, sobre os peixes, sobre os cegos, os leprosos e até sobre os possuídos por maus espíritos! E muitos acorriam a ele para serem salvos, até o dia que Ele decidiu nunca mais operar milagres.

O novo, único e verdadeiro milagre será Ele. O Crucificado que não fará milagre algum para salvar a si próprio mas permanecerá de braços abertos para o mundo e vivo para sempre.  “E, quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,13).
 Levantado, como Ele, está o bandido ao qual garante, também, a ressurreição. Bem próximo, um soldado romano que grita para todos ouvirem: “Verdadeiramente este é o Filho de Deus”
É a revelação do amor universal de um Deus que ressuscitando na Cruz derruba as muralhas do fundamentalismo e da inimizade que destroem a humanidade por dentro. 
Mas,bem lembra o meu amigo Pe. Claudio: “É esse mundo, afinal, - obra de Suas entranhas amorosas, - que deve ser amado. Acolhido e protegido, e não ameaçado e condenado. Um mundo a ser preservado e defendido de todos aqueles que através da mentira e de todo tipo de subterfúgio ‘praticam ações más’ contra a integridade do mundo. Fortalecendo e reproduzindo, assim, o reino da mentira e das trevas (Jo 3,20) Nesse sentido, Jesus revela uma nova e inédita identidade de Deus: ele é luz e esperança para os que praticam a verdade e a coerência de vida. Mas é desmascaramento e desmoralização para ‘os filhos das trevas’. Estes não precisam de condenação divina. Eles próprios, com suas ações, se colocam à margem da luz da felicidade e da vida plena”.

o cordão dos "ficha sujas"

 

Mais 310 nomes de  políticos cearenses passama integrar a lista dos "ficha suja" que podem ficar inelegíveis no próximo pleito eleitoral.Devido a irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas da Inião (TCU) na prestação de contas da última campanha, 231 políticos já integravam a lista que perfaz, agora, um total de 541 inelegíveis, só no Estado de Ceará. O número pode não ser definitivo, pois muitos recursos haverão de ser julgados nos próximos meses. Com a validação da Lei da Ficha Limpa para o pleito deste ano, aqueles que tiveram suas contas desaprovadas, nos últimos oito anos deverão ter suas candidaturas impedidas.
Caberá ao TCU, que possui o cadastro das pessoas físicas e jurídicas considerados não idôneas por causa das contas desaprovadas, encaminhar  ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) até o dia 5 de julho a lista definitiva para impedir a candidatura  dos  "fichas sujas".

              Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
                             dando milho aos pombos... Zé Geraldo - cantor

terça-feira, 13 de março de 2012

e agora josé?

Trecho em O Povo 13/03
"Coluna "Política" - jornalista Érico Firmo

O Ceará mereceu tratamento vip da CBF na era Ricardo Teixeira. No caso da Copa, em grande parte fruto do mérito pelo trabalho realizado. Mas, é inegável, resultado também das boas relações políticas, sem as quais nada se faz nesse meio. O presidente da federação cearense, Mauro Carmélio, estava na linha de frente do grupo de apoiadores de Teixeira. O Governo do Estado, da mesma forma. Pela discrepância entre o trabalho que há no Castelão e que falta nos demais lugares - assim como a perspectiva de continuidade nas diretrizes políticas da confederação - não deve haver mudança significativa de tratamento. Mas, efetivamente, o Ceará perde um aliado poderoso.

tortura nunca mais

          O MPF (Ministério Público Federal) assinou nesta terça-feira (13/3) uma denúncia contra o coronel da reserva do Exército do Brasil, Sebastião Curió Rodrigues de Moura, suspeito de ser o autor do sequestro qualificado de cinco militantes capturados durante a repressão à guerrilha do Araguaia, na década de 1970 e até hoje desaparecidos. 
 Sempre hoje, a ONG Human Rights Watch divulgou nota afirmando ser um "passo histórico" a ação anunciada pelo Ministério Público Federal contra contra o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió. É a primeira ação criminal contra agentes da ditadura no país.De acordo com estudos divulgados pelo Partido Comunista do Brasil, Curió foi o responsável pelo trabalho de inteligência militar no combate à guerrilha, utilizando informações obtidas de guerrilheiros capturados por meio de tortura.
 
O MPF cita que os relatórios e registros históricos existentes sobre as supostas mortes das vítimas “não interferem na tipificação do delito (de sequestro), pois, além de imprecisos e inespecíficos, não trazem elementos indicativos dessas mortes – e de suas circunstâncias”. “Aliás, os restos mortais dessas vítimas sequer foram localizados. Prova material há efetivamente do sequestro e dos maus tratos. Nada mais”, diz a denúncia.
 Os procuradores da República ressaltam que, como os crimes são permanentes, não se pode cogitar prescrição ou anistia, sendo possível a responsabilização criminal por crime de sequestro.
A Corte ainda determinou que a responsabilidade penal dos autores deve ser cumprida em um prazo razoável e que, por se tratar de violações graves aos direitos humanos, o Estado não poderá aplicar a Lei de Anistia em benefício dos autores e tampouco disposições análoga, como prescrição, irretroatividade da lei penal, coisa julgada ou qualquer excludente de responsabilidade.
Sebastão Curió já foi deputado e prefeiro de Curionópolis (PA).

segunda-feira, 12 de março de 2012

espelho, espelho meu

Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos. Ele respondeu:
 
A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade.
A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis​​, se eu sou amável,
que as pessoas são tristes, se estou triste,
que todos me querem, se eu os quero,  
que todos são ruins, se eu os odeio,
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio,
que há faces amargas, se eu sou amargo,
que o mundo está feliz, se eu estou feliz,
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva,
que as pessoas são gratas, se eu sou grato.  

A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta. A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim.
"Quem quer ser amado, ame"
Nas lutas habituais, não exija a educação do companheiro.
Demonstre a sua.
Nas tarefas do bem não aguarde colaboração.
Colabore, por sua vez, antes de tudo.
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.

domingo, 11 de março de 2012

faz um ano

O Japão parou para lembrar as vítimas     
 do terrível terremoto e tsunami 
de 11 de março do ano passado.  

Quase 20 mil as mortes 
e muitas incognitas 
sobre as consequências 
de um dos maiores 
desastres nucleares da história.